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Com precatórios, previsão de déficit primário para 2026 eleva-se a R$ 59,8 bilhões

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© Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A **previsão de déficit primário** para as contas do governo brasileiro em 2026 quase dobrou, atingindo a marca de R$ 59,8 bilhões. A elevação, que antes projetava um rombo de R$ 29,5 bilhões, é impulsionada principalmente pelo crescimento dos **gastos obrigatórios**, com destaque para os **precatórios**. A nova estimativa foi detalhada no **Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas**, documento enviado ao Congresso Nacional nesta terça-feira, que serve como um termômetro crucial da saúde fiscal do país e um indicativo dos desafios econômicos que se avizinham.

Entendendo o déficit primário: O que significa para o Brasil?

Para o cidadão comum, termos como **déficit primário** podem soar distantes, mas sua compreensão é fundamental para entender a gestão econômica. O **déficit primário** representa a diferença negativa entre o que o governo arrecada e o que ele gasta, sem considerar as despesas com o pagamento dos juros da **dívida pública**. Ou seja, é a situação em que o país gasta mais do que arrecada apenas para manter a máquina funcionando e prestar serviços, antes mesmo de arcar com seus compromissos financeiros passados.

Um **déficit primário** crescente é um alerta. Ele indica que o governo precisa se endividar ainda mais para cobrir suas despesas correntes, aumentando a **dívida pública** e, consequentemente, os juros a serem pagos no futuro. Em contraste, um **superávit primário** significaria que o governo economizou recursos para honrar esses juros, uma meta ambiciosa e essencial para a sustentabilidade fiscal de longo prazo.

Os Precatórios: Uma herança do passado que pesa no presente e futuro

O principal vetor para essa escalada na previsão de déficit são os **precatórios**. Eles são, em essência, dívidas que a União, estados ou municípios têm com pessoas físicas ou jurídicas após uma decisão judicial definitiva. Nos últimos anos, o acúmulo desses débitos gerou uma verdadeira ‘bola de neve’ fiscal, pressionando as contas públicas de forma significativa. Em 2023, um acordo costurado com o Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que o pagamento de parte desses **precatórios** fosse colocado ‘fora da meta fiscal’ até 2026, com o objetivo de aliviar a pressão imediata sobre o orçamento e dar fôlego ao governo.

Essa medida, embora necessária para evitar um colapso orçamentário no curto prazo, tem o efeito de ‘esconder’ parte do rombo, ao excluir gastos reais da apuração da meta. É por isso que, ao somar os **precatórios** e outras despesas que foram excluídas do cálculo do **arcabouço fiscal** – como alguns investimentos em defesa, saúde e educação – a previsão de gastos fora da meta de resultado primário atinge exatamente os R$ 59,8 bilhões anunciados. Se não fossem essas exceções, a expectativa do governo seria de um **superávit primário** de R$ 3,5 bilhões para 2026, o que ilustra a dimensão do impacto dos **precatórios**.

Arcabouço Fiscal: Limites de gastos e o balanço entre receita e despesa

O **arcabouço fiscal**, implementado para substituir o teto de gastos, é o novo conjunto de regras que busca disciplinar as **despesas públicas** no Brasil. Ele estabelece limites para o crescimento dos gastos, atrelando-o à variação da arrecadação. No entanto, a complexidade do sistema permite exceções, como os **precatórios**, o que gera debates sobre a real eficácia do controle fiscal.

Apesar da revisão do **déficit primário** para 2026, o governo optou por não realizar um **contingenciamento** de verbas no Orçamento de 2024. Houve, contudo, um **bloqueio** de R$ 1,6 bilhão. É crucial entender a diferença: enquanto o **contingenciamento** visa adequar o orçamento à meta de **resultado primário**, o **bloqueio** atual foi feito para cumprir os limites de **gastos** estabelecidos pelo **arcabouço fiscal**, não estando diretamente ligado à meta fiscal. Essa manobra demonstra a delicada engenharia orçamentária para manter o equilíbrio fiscal.

As Variáveis por Trás dos Números: Receitas e Despesas

Receitas sob pressão e surpresas positivas

A equipe econômica projeta uma queda de R$ 13,7 bilhões nas **receitas líquidas** para 2026 em comparação com o valor aprovado originalmente no Orçamento. Essa retração seria ainda mais acentuada não fosse um fator externo favorável: o aumento de R$ 16,7 bilhões nas estimativas de **royalties** do petróleo. A escalada dos preços da commodity, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, trouxe um alívio inesperado para o lado da arrecadação. No entanto, a queda na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Confins), de R$ 13,5 bilhões, e no Imposto de Importação, de R$ 6,8 bilhões – este último devido à desvalorização do dólar em relação ao previsto – pressionaram as **receitas** para baixo.

Aumento dos gastos: O peso das obrigações

No lado das **despesas**, a estimativa é de um aumento de R$ 23,3 bilhões. Desse montante, a maior parte, R$ 18,9 bilhões, refere-se a **gastos obrigatórios**, que são aqueles que o governo não tem margem para cortar, como salários, aposentadorias e benefícios sociais. Os R$ 4,4 bilhões restantes são **gastos discricionários**, passíveis de flexibilização. Os principais fatores que impulsionaram essa alta foram os créditos extraordinários, com um acréscimo de R$ 15,9 bilhões, e o crescimento de R$ 1,6 bilhão nos benefícios da Previdência Social e de R$ 1,9 bilhão no Benefício de Prestação Continuada (BPC), refletindo a dinâmica demográfica e social do país.

Relevância para o Cidadão e os Desdobramentos Fiscais

A elevação da previsão de **déficit primário** não é apenas um número técnico para economistas; ela tem implicações diretas na vida de cada brasileiro. Um cenário fiscal mais desafiador pode significar menos recursos para investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública. Além disso, a percepção de um governo com dificuldades em equilibrar suas contas pode levar à desconfiança do mercado, pressionar a inflação, manter as taxas de juros elevadas e, em última instância, desacelerar o crescimento econômico e a geração de empregos. É um ciclo que exige atenção constante e decisões assertivas.

Este cenário ressalta a importância de um debate transparente e contínuo sobre a **saúde fiscal** do Brasil. A capacidade de honrar compromissos, investir no futuro e garantir a estabilidade econômica depende de uma gestão orçamentária robusta, que consiga lidar com as heranças do passado, como os **precatórios**, e com as demandas crescentes do presente, sem comprometer as gerações futuras.

Acompanhar de perto as decisões e os dados econômicos é fundamental para entender o rumo do país. O RP News está comprometido em trazer as informações mais relevantes, atuais e contextualizadas, desvendando a complexidade dos temas que impactam diretamente a sua vida. Continue conosco para se manter sempre bem informado sobre os desafios e avanços da economia brasileira e muito mais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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