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Escolas de SP Inovam no Ensino da História Afro com Quadrinhos e Diálogo

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

Em São Paulo, escolas da rede pública e estadual adotam estratégias inovadoras para cumprir a legislação de 2003, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira. A implementação enfrenta desafios como questões religiosas e falta de diálogo, mesmo após duas décadas da lei.

Um incidente recente em uma escola pública paulista, onde policiais foram chamados após um pai se queixar de um desenho de orixá feito pela filha, reacendeu o debate sobre a abordagem do tema. O caso gerou críticas de pais, comunidade escolar e políticos.

Para atender à legislação, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo investiu em 700 mil livros de temática étnico-racial em 2022, incluindo obras infantis, juvenis e adultas. As escolas também participam de programas de formação e utilizam documentos de referência, como as “Orientações Pedagógicas: Povos Afro-brasileiros”. O Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER) acompanha as ações, apoiando as unidades na implementação de práticas antirracistas e na integração do acervo ao currículo.

No âmbito estadual, o Programa Multiplica Educação Antirracista, coordenado pela Coordenadoria de Educação Inclusiva (COEIN) e da EFAPE, oferece formação sobre cultura e religiosidade africanas a professores. Desde 2024, cerca de 6,8 mil docentes participam dessa formação.

A professora Núbia Esteves, premiada por seu trabalho na preservação da memória escolar, utiliza quadrinhos, registros audiovisuais e rodas de conversa para ensinar a cultura afrodescendente em sua disciplina de geografia e em projetos interdisciplinares. Ela explica que aborda os orixás fora da questão religiosa, considerando o aspecto cultural, os arquétipos, a mitologia e suas semelhanças com outras crenças.

Núbia relata que já foi questionada por alunos sobre o ensino de religião em sala, mas esclarece que seu trabalho é cultural e não religioso, apresentando os símbolos africanos como parte da história, da arte, da literatura e da formação do Brasil. Ela compara a abordagem à forma como a escola estuda a mitologia grega e as lendas indígenas, defendendo que o conhecimento da cultura de outros povos contribui para descolonizar, desmistificar e combater o racismo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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