Evento promovido pelo HCM reuniu profissionais da saúde, segurança pública e Justiça para fortalecer a rede de proteção à infância; nos últimos 10 anos, atendimentos do Projeto Acolher do HCM a vítimas de violência física e sexual cresceram 153,97%
Capacitar profissionais para reconhecer sinais de violência, agilizar o acolhimento e fortalecer a rede de proteção à infância. Esses foram os principais objetivos do IV Fórum de Combate aos Maus-Tratos na Infância e Adolescência, promovido pelo Hospital da Criança e Maternidade (HCM), em São José do Rio Preto, reunindo profissionais da saúde, segurança pública, Justiça, assistência social e estudantes no Centro de Convenções da Famerp.

O encontro debateu desde os aspectos legais da proteção à criança até o acolhimento psicológico das vítimas, passando pela identificação clínica de maus-tratos e os fluxos corretos de encaminhamento e notificação. O Fórum ganha ainda mais relevância diante dos números alarmantes da violência infantojuvenil no país.
Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, por meio do Disque 100, somente entre janeiro e abril deste ano foram registradas 116,8 mil denúncias e 716,4 mil violações de direitos humanos contra crianças e adolescentes no Brasil. Já no estado de São Paulo, incluindo a Grande São Paulo e interior, a Secretaria de Segurança Pública contabilizou 2.942 casos de estupro de vulnerável apenas nos quatro primeiros meses do ano. Em Rio Preto, foram 43 registros no período.
Projeto Acolher amplia assistência especializada às vítimas
Dentro desse cenário, o Projeto Acolher, desenvolvido pelo HCM, se tornou referência regional no atendimento especializado a vítimas de violência física e sexual. Nos últimos 10 anos, o número de atendimentos realizados pelo serviço aumentou 153,97%, saltando de 69 casos em 2015 para 178 atendimentos em 2025.
“O combate à violência contra crianças e adolescentes exige uma atuação integrada entre saúde, segurança pública, Justiça e assistência social. A Funfarme tem o compromisso de fortalecer essa rede de proteção por meio da capacitação contínua dos profissionais e de um atendimento cada vez mais humanizado”, afirma o diretor executivo da Funfarme, Dr. Horácio Ramalho.
Para o diretor administrativo do HCM, Dr. Wagner Vicensoto, o fortalecimento da rede de proteção passa diretamente pela qualificação das equipes e pela criação de fluxos especializados de atendimento às vítimas.
“A estruturação de serviços especializados e a capacitação contínua das equipes têm sido prioridades da Funfarme no fortalecimento da assistência às vítimas de violência. O HCM tem investido constantemente para garantir um atendimento acolhedor, seguro e integrado às crianças e adolescentes”, destaca Dr. Wagner.
A enfermeira supervisora do setor de imagens do HCM, Giovanna Lopes de Souza, destaca que uma das principais evoluções do projeto foi a integração mais rápida com as forças de segurança e o sistema judiciário.
“Hoje conseguimos agilizar muito o atendimento. Não é mais necessário que a família vá até a delegacia para registrar o boletim de ocorrência. Em muitos casos, o delegado faz a escuta por videochamada ainda dentro da emergência, o que reduz a exposição da criança e acelera todo o processo investigativo e pericial”, explica.
Segundo a médica pediatra da emergência do HCM, Dra. Tatiana Pissolati Sakomura, o HCM possui um fluxo exclusivo de acolhimento para evitar a revitimização dos pacientes. Crianças vítimas ou suspeitas de violência recebem classificação prioritária e são encaminhadas imediatamente para um consultório reservado do Projeto Acolher, onde passam por atendimento integrado com equipe médica, enfermagem, psicologia e serviço social.
Ela destaca que o hospital atua como porta aberta para casos suspeitos de maus-tratos e que o principal desafio é ampliar o reconhecimento precoce da violência em toda a rede de atendimento.
“A criança não precisa repetir várias vezes o que aconteceu. Todas as equipes fazem o acolhimento conjunto, justamente para evitar mais sofrimento. Nosso papel não é acusar ninguém, mas garantir proteção, acolhimento e iniciar os encaminhamentos necessários para investigação”, afirma.
Fórum fortalece integração da rede de proteção
Para Dra. Tatiana, o Fórum fortalece justamente essa integração entre os serviços.
“Quanto mais profissionais souberem identificar sinais de violência e entenderem os fluxos corretos, mais cedo conseguimos interromper ciclos de agressão. Cada profissional tem uma responsabilidade importante dentro dessa rede de proteção”, afirma.

Durante o evento, os participantes acompanharam palestras divididas em quatro eixos: aspectos legais e rede de proteção; integração entre saúde, polícia e Justiça; identificação clínica da violência no ambiente hospitalar e escolar; e acolhimento humanizado das vítimas.
Além dos atendimentos emergenciais, o Projeto Acolher também realiza o acompanhamento ambulatorial das vítimas, oferecendo continuidade do cuidado, suporte psicológico, assistência social e encaminhamento para a rede de proteção.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Fotos: HCM/Divulgação