Em um mundo amplamente dominado por tecnologia e dispositivos digitais, a Geração Z está buscando alternativas para desacelerar e encontrar um equilíbrio mental. Jovens que cresceram imersos em smartphones e redes sociais agora estão redescobrindo o valor dos hobbies ‘retrô’, como crochê e cerâmica. Essa tendência, que poderia ser vista como algo ultrapassado, tem se mostrado uma estratégia eficaz para melhorar a saúde mental.
Uma fuga das telas
A busca por atividades que afastam das telas tem uma explicação clara: o cansaço digital. Muitos jovens passam grande parte do dia conectados, seja por trabalho ou lazer, e sentem a necessidade de se afastar desse ambiente virtual. Rhayanne Ferreira, uma analista de tecnologia da informação de Araçatuba, exemplifica essa mudança. Aos 21 anos, ela encontrou no crochê uma maneira de relaxar e se desconectar após longas horas em frente a monitores. ‘O crochê ajuda muito na saúde mental porque ficar olhando para tela o dia inteiro produz muita dopamina. Focar em artesanato faz muito bem’, afirma.
A nostalgia como elemento central
O fenômeno da nostalgia também desempenha um papel importante nessa tendência. A psicóloga Glediane Santana destaca que muitos jovens estão se voltando para hobbies que viram seus pais e avós praticarem, como uma forma de resgate cultural e emocional. ‘Esse esgotamento por causa das redes leva a pessoa a esse comportamento. É um ato de autoconhecimento também, a partir daquilo que eu preciso de um tempo para mim’, explica a psicóloga.
A cerâmica como um escape
Larissa Locatelli, arquiteta de Araçatuba, encontrou na cerâmica uma válvula de escape para o estresse diário. Para ela, criar algo com as mãos é uma prática que exige paciência e concentração, permitindo uma pausa das pressões diárias. ‘Acho que a arte manual é uma das melhores maneiras da gente se sentir bem, de desacelerar a rotina do dia a dia, que é muito estressante’, observa Larissa. O processo de trabalhar com argila, moldar e esperar pelo resultado final é uma metáfora para a desaceleração que muitos buscam.
O impacto social da tendência
Esse movimento não apenas oferece benefícios individuais, mas também tem um impacto social mais amplo. À medida que mais jovens se afastam das redes sociais e buscam hobbies analógicos, há uma valorização crescente de atividades que promovem o bem-estar e a saúde mental. Isso reflete uma mudança cultural na forma como essa geração lida com o estresse e a ansiedade, priorizando o tempo offline como parte integral de um estilo de vida saudável.
O interesse renovado por hobbies ‘retrô’ como crochê e cerâmica é um sinal de que a Geração Z está reavaliando suas prioridades e buscando formas de viver de maneira mais plena e consciente. Continuando a acompanhar o RP News, você se mantém informado sobre as tendências culturais e sociais que moldam nossa sociedade, com nosso compromisso de trazer informação de qualidade e contextualizada.
Fonte: https://g1.globo.com