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Golpes Virtuais Disparam no Noroeste de SP: Falsos Advogados, Bancários e Fraudes com PIX Deixam Rastro de Prejuízo

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G1

O interior paulista, especialmente a região do noroeste de São Paulo, tem se tornado um campo fértil para a atuação de criminosos digitais. Com táticas cada vez mais sofisticadas e adaptáveis, modalidades como o golpe do falso advogado, do falso funcionário de banco, do PIX e a clonagem de cartão estão proliferando, causando prejuízos financeiros e abalos emocionais significativos em milhares de vítimas. Somente em Araçatuba, um dos principais polos da região, a Polícia Civil registrou mais de 2,3 mil ocorrências de fraudes virtuais entre janeiro e maio deste ano, um número alarmante que acende um alerta para a necessidade de maior vigilância e informação.

Os dados, compilados pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-10), refletem uma tendência preocupante observada em todo o estado. Uma pesquisa recente da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), divulgada em janeiro deste ano e realizada em 2025 (provavelmente referência a uma projeção ou dado mais recente), revelou que nove em cada dez paulistas já foram alvo de pelo menos uma tentativa de golpe digital. Isso equivale a aproximadamente 30 milhões de pessoas expostas à engenharia social e às armadilhas virtuais, demonstrando a capilaridade e a onipresença desse tipo de crime na vida moderna.

O Cenário da Criminalidade Virtual: Táticas e Estatísticas em Ascensão

A sofisticação dos golpes tem se intensificado, com criminosos utilizando dados pessoais, técnicas de persuasão e até mesmo a clonagem de perfis para enganar suas vítimas. Em Rio Preto, por exemplo, uma aposentada de 62 anos perdeu cerca de R$ 100 mil após ser ludibriada por golpistas que se fizeram passar por sua advogada e por um promotor de Justiça. A narrativa envolvente, que explorava a urgência e a confiança em figuras de autoridade, levou a idosa a realizar transferências sucessivas, resultando em um rombo financeiro considerável.

Outro caso em Araçatuba ilustra a audácia dos estelionatários: uma mulher perdeu mais de R$ 66 mil no golpe do falso advogado via WhatsApp. O criminoso, utilizando a foto do verdadeiro defensor da vítima no aplicativo, criou uma situação de emergência que a levou a conceder acesso à sua conta bancária. Esses exemplos não são isolados; eles compõem um painel da fragilidade que muitos cidadãos enfrentam diante de abordagens astutas e bem elaboradas, que exploram o desconhecimento ou a vulnerabilidade momentânea.

A Mente Criminosa: Lucro Fácil e Riscos Baixos

O delegado seccional de Araçatuba, Getúlio Nardo, aponta a motivação principal por trás do crescimento desses crimes: a busca por dinheiro fácil e a percepção de baixo risco. “A motivação é o dinheiro fácil. A pessoa ganha dinheiro de uma forma mais fácil, sem correr muito risco. Em um assalto, há o risco de a vítima reagir ou de o criminoso ser preso imediatamente”, explica Nardo. No contexto digital, a distância entre o criminoso e a vítima, somada à complexidade de rastrear as transações e os operadores dos golpes, cria um ambiente propício para a impunidade, incentivando a prática.

A Evolução das Táticas e o Falso Perfil da Vítima

A variedade na atuação dos criminosos é notável. Além dos já citados falso advogado e falso funcionário de banco, os golpes do PIX agendado ou cancelado, da maquininha de cartão adulterada e o envio de links maliciosos para clonagem de dados são artimanhas comuns. Curiosamente, a pesquisa da Seade indica que pessoas entre 30 e 59 anos, com maior escolaridade e renda mais elevada, são as que mais relatam ter sido alvo de tentativas. Contudo, o delegado Nardo oferece uma perspectiva que desafia essa leitura: “Não existe uma principal vítima. Hoje, todo mundo cai: idosos, adolescentes, profissionais estabelecidos. Parece que o golpista entra na cabeça da pessoa e ela esquece tudo. Vão passando o dinheiro como se não houvesse um amanhã.”

Essa contradição sugere que, embora certos grupos possam ter maior exposição ou capacidade de identificar tentativas, a manipulação psicológica utilizada pelos criminosos é tão potente que transcende perfis socioeconômicos. A criação de um senso de urgência, a exploração de emoções como medo ou ganância e a habilidade de simular situações críveis são elementos-chave que levam as vítimas a agirem por impulso, sem tempo para desconfiar ou verificar a veracidade da solicitação.

Blindando-se Contra as Fraudes: Prevenção e Conscientização

Diante da crescente onda de golpes, a prevenção emerge como a principal arma. O delegado Getúlio Nardo reforça a importância de registrar a ocorrência caso a vítima caia em um golpe, mas salienta que a atitude mais eficaz é a cautela. A regra de ouro é: desconfie sempre. Nenhuma instituição financeira ou órgão público solicitará senhas, códigos de segurança, dados bancários completos ou pedir para que você faça transferências para “testar” o sistema.

Entre as principais recomendações para se proteger estão:

Verifique antes de agir: Em caso de contato suspeito por mensagem (WhatsApp, SMS) ou e-mail, especialmente se a solicitação for de dinheiro ou informações confidenciais, nunca responda ou clique em links. Ligue para o contato oficial da pessoa ou instituição por outro meio de comunicação. Se for um familiar, ligue para ele. Se for um banco, use o número da central de atendimento que consta no verso do seu cartão ou no site oficial, digitando o endereço diretamente no navegador.

Cuidado com links e mensagens: Evite clicar em links enviados por desconhecidos ou em mensagens que prometem prêmios, descontos milagrosos ou regularização de dívidas. Esses são frequentemente vetores para a instalação de malwares ou para direcionar a sites falsos que roubam suas informações.

Nunca compartilhe dados pessoais: Senhas, códigos de verificação (SMS), chaves PIX (exceto a sua para receber um valor), dados completos do cartão de crédito ou tokens de segurança são informações estritamente pessoais e intransferíveis. Bancos e outras instituições financeiras jamais as pedirão por telefone, mensagem ou e-mail.

Atenção à urgência: Golpistas criam situações de extrema urgência para pressionar a vítima a agir sem pensar. Desconfie de qualquer pedido que exija uma ação imediata e irracional.

O aumento dos golpes virtuais é um reflexo da digitalização da sociedade, que, embora traga inúmeros benefícios, também expõe a população a novos riscos. A informação e a conscientização são ferramentas cruciais para fortalecer a cidadania digital e proteger o patrimônio e a segurança de todos. Manter-se atualizado sobre as novas táticas dos criminosos e adotar práticas de segurança digital são passos fundamentais para evitar ser a próxima vítima.

Diante da crescente onda de golpes que assola o noroeste paulista e todo o Brasil, a vigilância constante e a informação de qualidade são os melhores aliados. O RP News segue comprometido em trazer as últimas atualizações, análises aprofundadas e orientações essenciais para que você esteja sempre à frente dos desafios da era digital. Continue acompanhando nosso portal para ter acesso a um conteúdo relevante e contextualizado, garantindo que você esteja bem informado e seguro.

Fonte: https://g1.globo.com

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