O mundo observa uma nova corrida global, desta vez não por armas nucleares, mas pelo domínio da inteligência artificial. A comparação, feita por um executivo do setor financeiro russo, ecoa preocupações sobre o poder e a influência que o controle da IA pode conferir às nações.
Alexander Vedyakhin, CEO da Sberbank, instituição financeira com forte presença na Europa Oriental, traça um paralelo entre o desenvolvimento de IA e os projetos militares, sugerindo que o acesso a grandes modelos de linguagem (LLM) está se tornando um fator determinante no poderio de um país.
Essa visão ressoa com a teoria do “poder-saber”, que associa conhecimento ao poder em um contexto geopolítico. A disputa entre Estados Unidos, Europa e China no campo da IA remete à corrida armamentista pós-Segunda Guerra Mundial, quando a busca por armas nucleares ditava o cenário global.
Assim como na Guerra Fria, quando a crise dos mísseis de Cuba elevou as tensões entre as potências, hoje a China enfrenta restrições comerciais impostas pelos EUA para limitar seu avanço tecnológico em IA. O objetivo é claro: impedir que um concorrente se torne dominante nesse setor estratégico.
A implicação, segundo Vedyakhin, é que os países devem investir em suas próprias tecnologias de IA para proteger informações confidenciais e evitar a dependência de soluções estrangeiras. Vladimir Putin, presidente da Rússia, já manifestou a importância da IA para a soberania nacional.
Embora a Rússia esteja atrás dos EUA e da China em termos de investimento e desenvolvimento de IA, a tendência global aponta para um esforço crescente de cada nação em buscar autonomia tecnológica. O controle sobre o conhecimento e a tecnologia, neste caso a inteligência artificial, poderá definir as relações de poder no cenário mundial.
Fonte: thebrief-newsletter.beehiiv.com