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Mãe que superou diagnóstico de infertilidade tem na música a trilha sonora para vínculo com os filhos

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A maternidade sonhada por tantos anos pela massoterapeuta Raquel de Camargo Antônio da Silva, 50 anos, de São José do Rio Preto (SP), hoje se traduz em uma rotina intensa que converge para o mesmo ponto com os filhos Melissa, 13, e Henrique, 7: a música. “Gosto de acompanhar tudo o que fazem. Aqui a gente é uma equipe. Um ajuda o outro”, declara Raquel, ao g1que superou um diagnóstico de infertilidade (leia mais abaixo)

Os três estudam no Projeto Guri, programa estadual de educação musical, e encontraram nas aulas uma forma de fortalecer o vínculo dentro e fora de casa. Depois de passar 12 anos tentando engravidar, Raquel aprendeu a valorizar cada momento vivido ao lado dos filhos.

Entre escola, judô, atendimentos de massoterapia, pós-graduação em acupuntura e tarefas da casa de uma típica mãe trabalhadora, a música virou um dos principais pontos de encontro da família.

Curiosamente, foi Melissa quem abriu esse caminho.

A ligação da família com a música começou ainda em São Paulo, antes da mudança para Rio Preto. O marido de Raquel vem de uma família de músicos da congregação religiosa e os primos já participavam do Guri na capital. Em uma apresentação em Campos do Jordão, Melissa se encantou ao assistir os filhos deles tocando.

Ela ficou apaixonada. Depois disso, queria porque queria entrar no programa”, relembra Raquel. 

Na época, a família ainda buscava vaga no projeto quando veio a pandemia. Mais tarde, após receber um comunicado da escola sobre novas inscrições, Melissa finalmente conseguiu entrar no programa. Ela queria fazer violão, mas só havia vaga para violino.

O encantamento cresceu junto com a dedicação. Melissa decidiu então tentar uma vaga na orquestra do Guri. Mesmo ouvindo da mãe que talvez ainda precisasse estudar mais antes da prova, insistiu. Fez aulas particulares por um mês para melhorar postura e técnica e acabou aprovada. “Nossa, ela ficou muito feliz”, lembra Raquel.

Henrique também aguardava ansiosamente a idade mínima para participar da iniciação musical. Hoje, o menino faz aulas no Guri e costuma pesquisar músicas na internet para tocar flauta em casa. Mais recentemente, passou a demonstrar interesse pelo trombone do Para falar a mesma língua do pai.

Foi acompanhando os filhos que Raquel decidiu entrar para as aulas voltadas aos adultos. Mesmo já tendo tido contato com música no passado, ela conta que voltou a estudar para conseguir acompanhar melhor o aprendizado das crianças.

Ela entrou na turma de iniciação musical para adultos desde a primeira formação da professora Joyce e começou novamente “lá do comecinho”, estudando ritmo, tempo e percussão. O que ela não esperava era redescobrir também um gosto pessoal pela Espaço da música na rotina familiar.

A música passou a ocupar espaço importante dentro da rotina da família. Nas segundas-feiras, Raquel espera Melissa na frente do Guri enquanto aproveita o tempo para estudar conteúdos da pós-graduação. 

Nas quartas, ela própria vai para as aulas de música enquanto a filha segue nos estudos particulares. Sexta sábado também são dias dedicados às atividades musicais da adolescente, que participa da orquestra. 

Além da música, Melissa e Henrique fazem judô — outra atividade que Raquel considera essencial na formação dos filhos. “Eles são muito amorosos, educados. Onde eu vou, não preciso ficar brigando ou chamando atenção. Sempre são elogiados. Eu sei que a música e o judô fazem parte disso”, destaca.

Longa trajetória para engravidar

A dedicação à maternidade ganhou ainda mais significado por causa da longa trajetória até conseguir engravidar. Raquel conta que enfrentou tratamentos hormonais, exames e tentativas frustradas durante mais de uma década. 

Ela chegou a receber o diagnóstico de que as trompas haviam sido comprometidas após infecções urinárias e ouviu dos médicos que só conseguiria engravidar por fertilização in vitro, com chances reduzidas de sucesso.

Na época, ela e o marido chegaram a considerar adoção, mas desistiram diante das dificuldades e burocracias enfrentadas no processo. Conseguiu realizar o sonho da maternidade aos 37 anos.

Desde então, decidiu acompanhar de perto cada etapa da vida dos Mesmo incentivando a autonomia das crianças, Raquel mantém uma relação de proximidade construída no diálogo. As decisões da família costumam ser conversadas em conjunto e as responsabilidades da casa são divididas entre todos. 

À noite, depois da correria do dia, é o momento em que ela sente a conexão familiar ainda mais forte. Quando o marido está trabalhando em São Paulo, Melissa e Henrique costumam dormir abraçados com a mãe e aproveitam o silêncio do fim do dia para conversar.

Para Raquel, todo o esforço vale a pena justamente por perceber a relação construída com os filhos ao longo dos anos. “É uma via de mão dupla. Quando estou triste, eles vêm conversar comigo também. Esse vínculo é muito forte”, explica. 

E, em meio à correria da rotina, é justamente a música que segue funcionando como trilha sonora dessa convivência. “É parceria. Um ajudando o outro. Isso significa muito para a nossa família”, ressalta Raquel.

Fonte: G1 Rio Preto

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