Para incontáveis mulheres, a jornada do **emagrecimento** após os 40 ou 50 anos adquire uma complexidade que vai muito além da simples equação ‘comer menos e exercitar mais’. Com a chegada da **menopausa** e as profundas **mudanças hormonais** que a acompanham, o corpo feminino passa por uma série de transformações fisiológicas que dificultam a perda de peso, favorecem o acúmulo de gordura e influenciam diretamente o apetite. Este cenário, muitas vezes frustrante, é agora iluminado por novas pesquisas que desvendam a intrínseca relação entre **hormônios**, **metabolismo** e **bem-estar** nessa fase da vida.
Recente publicação da prestigiada Mayo Clinic na revista *The Lancet*, na editoria de *Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health*, trouxe um novo elemento para essa discussão. O estudo revelou que mulheres na **pós-menopausa** que combinaram **terapia hormonal** com a **tirzepatida** – um medicamento já conhecido no tratamento do **diabetes tipo 2** e da **obesidade** – apresentaram uma perda de peso surpreendente, até 35% maior, em comparação àquelas que utilizaram apenas o fármaco. Os resultados reacendem o debate sobre o papel da **terapia hormonal** nesse processo complexo e abrem novas frentes para abordagens mais eficazes.
A Queda do Estrogênio e o Impacto no Metabolismo
A principal estrela por trás dessa dificuldade em emagrecer é a queda nos níveis de **estrogênio**, o principal hormônio feminino, que começa a diminuir na perimenopausa e atinge seu ponto mais baixo na menopausa. Segundo a doutora em Fisiologia da Reprodução Isabelle Rodrigues dos Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, que se dedica à pesquisa sobre os efeitos da **terapia hormonal** na resposta ao estresse, a redução do **estrogênio** é um fator crucial. “Com a redução do hormônio ao longo da vida, especialmente na perimenopausa e na **menopausa**, acontecem mudanças significativas na composição corporal, como o aumento da **gordura**, especialmente na região **abdominal**, e uma perceptível perda de **massa muscular**. Além disso, há alterações no **metabolismo** como um todo. Não é apenas uma questão de hábitos de vida; existe uma base fisiológica robusta que dificulta o controle de peso nessa fase”, explica a pesquisadora, contextualizando a dimensão do desafio.
Mas não é só o **estrogênio** em si. A resposta ao **estresse** também exerce uma influência determinante. A menopausa não se resume às **mudanças hormonais**; ela é acompanhada por uma série de sintomas que impactam o bem-estar da mulher, como as conhecidas **ondas de calor** (ou fogachos), **suores noturnos** e a piora na qualidade do **sono**. “Quando a mulher tem um **sono** ruim, isso naturalmente causa mais **ansiedade** e desconforto físico, afetando sua **motivação** e capacidade de manter **hábitos saudáveis**, seja uma alimentação equilibrada ou a prática regular de **atividade física**. Todo esse conjunto de fatores contribui para o ganho de peso e a dificuldade em emagrecer”, complementa Isabelle, destacando a complexidade do cenário.
Terapia Hormonal: Uma Ferramenta Indireta na Busca pelo Equilíbrio
Nesse panorama multifacetado, a **terapia hormonal** (TH) emerge como uma estratégia indireta para modular a resposta ao **estresse**. Ao aliviar os sintomas da **menopausa**, como as **ondas de calor** e a insônia, a TH contribui para uma melhor qualidade de vida, promovendo mais disposição e regularidade nos **hábitos de vida**. “A melhora abrange desde dormir melhor até conseguir manter uma rotina de alimentação mais saudável e a prática de exercícios. Embora não seja um tratamento direto para o **emagrecimento**, a **terapia hormonal** pode melhorar o contexto fisiológico dessas mulheres, o que acaba impactando positivamente o controle do ganho de peso, pois atua sobre os níveis de **estrogênio**, contribuindo para a regularização do aspecto **metabólico** geral”, detalha a pesquisadora da USP.
Contudo, é fundamental entender que a **terapia hormonal** possui indicações e contraindicações específicas. O ginecologista Rui Alberto Ferriani, também professor da FMRP, esclarece que a TH é principalmente recomendada para mulheres que apresentam sintomas vasomotores significativos, como as **ondas de calor**, ou quadros de atrofia genital. Nesses casos, o uso de **estrogênio** é considerado a opção mais adequada. No entanto, a terapia não é universalmente recomendada, sendo desaconselhada para pacientes com **cânceres dependentes de estrogênio**, como o de **mama**, e para aquelas com risco aumentado de **trombose**. “Antes de iniciar qualquer tratamento, é crucial avaliar sua indicação e verificar a existência de contraindicações. A principal indicação, em relação ao peso, é quando há **sobrepeso** ou **obesidade** com comprometimento **metabólico**, como alterações da função hepática, do colesterol, da glicemia e da hemoglobina glicada”, ressalta Ferriani, enfatizando a importância da avaliação médica individualizada.
Tirzepatida e Novas Evidências: Um Horizonte Promissor
A **tirzepatida**, um agonista duplo dos receptores de GLP-1 e GIP, é um medicamento com ação multifacetada que tem sido um marco no tratamento do **diabetes tipo 2** e da **obesidade**. Segundo o professor Ferriani, a indicação primária da **tirzepatida** está ligada à **obesidade** ou ao **sobrepeso** com repercussões clínicas, independentemente do status de **menopausa** da mulher. O que o estudo da Mayo Clinic trouxe de novo foi a intrigante conexão com a **terapia hormonal**. “Este trabalho que surgiu agora fez uma relação entre um possível benefício da medicação para a perda de peso em mulheres que já utilizam **terapia hormonal**, mas a indicação principal do fármaco não muda. É importante destacar que o tratamento da **obesidade** em mulheres na menopausa deve ser abrangente, considerando a complexidade **hormonal**, **metabólica** e de **estilo de vida**”, pontua o ginecologista, indicando que a pesquisa abre portas para otimizar tratamentos existentes.
A confluência entre a regulação hormonal e a ação de medicamentos como a **tirzepatida** representa um avanço significativo na compreensão e no manejo do **emagrecimento** na **menopausa**. O desafio, que antes parecia intransponível para muitas, agora se desenha com mais clareza, revelando a necessidade de uma abordagem integrada que considere a totalidade das **mudanças fisiológicas** e as particularidades de cada mulher. A ciência, inclusive a brasileira com pesquisas como as da USP, segue oferecendo caminhos e informações essenciais para que as mulheres possam viver essa fase com mais **qualidade de vida** e saúde.
Compreender os desafios do **emagrecimento** na **menopausa** e as nuances da **terapia hormonal** e de novas medicações é um passo fundamental para milhões de mulheres. O RP News segue comprometido em trazer as informações mais relevantes e apuradas sobre saúde e bem-estar. Para continuar se informando sobre este e outros temas que impactam a sua vida, acompanhe nosso portal e explore a variedade de conteúdos que preparamos para você, sempre com a credibilidade e a profundidade que você merece.