Nem o mais otimista torcedor do Mirassol em 2020 diria que, em seis anos, o clube do interior estaria prestes a estrear na maior competição das Américas.
Nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, o clube da cidade de 65 mil habitantes fará um jogo internacional pela primeira vez em sua história de 100 anos. O Leão recebe o Lanús às 19h, no estádio Maião, pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores. A partida pode servir para virar a chave da crise, em meio à lanterna do Brasileirão.
Voltando seis anos na máquina do tempo, o time amarelo e verde vinha de uma de suas melhores temporadas de sua história, até então. Foi semifinalista do Paulistão e campeão da Série D, mas sabia que a subida até o topo ainda era longa.

No estadual de 2020, o Leão fez grande início de temporada, eliminou o São Paulo nas quartas de final, mas perdeu a chance de ir à grande final após derrota por 1 a 0 para o Corinthians.
Na Série D, mais uma boa sequência. Vice-líder do Grupo 7 com 26 pontos, o clube passou pelo Caxias na segunda fase, goleou o Brasiliense por 5 a 2 na terceira e fez bonito no mata-mata até o título. Passou por Aparecidense, Altos e venceu o Floresta na ida e na volta por 1 a 0, conquistando seu primeiro título nacional. Fabrício Daniel terminou o ano na vice-artilharia com 11 gols.
No ano seguinte, mais uma vez o time chegou longe no Paulistão, caindo novamente nas semifinais, desta vez por 4 a 0 para o São Paulo, mantendo o interior em evidência. Na Série C 2021, porém, o Mirassol teve mais dificuldades, ficando em oitavo com 19 pontos no Grupo B e escapando do rebaixamento por apenas três pontos.
Na Copa do Brasil, fez sua estreia na primeira fase, mas foi superado pelo Bragantino. Apesar dos obstáculos, foi um ano de consolidação para o projeto, que manteve calendário para a temporada seguinte.
E as coisas melhoraram para o Leão. Em 2022, mais uma vez chegou ao mata-mata do Paulistão, avançou para a segunda fase da Copa do Brasil e conquistou seu segundo título nacional, desta vez como campeão da Série C.
No Brasileirão daquele ano, liderou a primeira fase com 33 pontos, seguido de outra liderança na segunda fase, sem sair derrotado. Na grande final, brilhou a estrela do ídolo Camilo: empate em 0 a 0 em Natal contra o ABC e vitória por 2 a 0 em casa. O time do interior continuava sua escalada, e a tão sonhada Série B virou realidade.
2023 começou difícil. Sem se classificar para a segunda fase do Paulista, conseguiu apenas o vice-campeonato do Troféu do Interior, perdendo para o São Bernardo nos pênaltis. Na Série B, porém, o clube foi bem e ficou a apenas um ponto do acesso, terminando em sexto lugar com 63 pontos.
A apenas dois anos da Libertadores, o Leão iniciou 2024 em baixa, lanterna do Grupo C no Paulistão, mas já mostrando uma peça que se tornaria fundamental para o sucesso atual: o meia Danielzinho começava a chamar atenção, terminando a competição com três assistências, enquanto Dellatorre foi vice-artilheiro com sete gols.
E o projeto que vinha em ascensão se provou mais uma vez um verdadeiro canhão. Na última rodada, o Mirassol garantiu o acesso, sendo vice-campeão da Série B, a apenas um ponto do líder Santos, ainda com a melhor defesa e Dellatorre novamente entre os artilheiros, agora com 10 gols. O modesto projeto enfim chegava à elite nacional.
E se era para sonhar, por que não ir além? Foi exatamente isso que o time verde e amarelo fez em 2025, ano de seu centenário. Histórico quarto lugar no ano de estreia na Série A do Brasileirão, com uma das melhores defesas e um futebol ofensivo que incomodou gigantes do futebol brasileiro. Um ano mágico e invicto em casa no Brasileiro.
O que o time vive nesta quarta-feira contra o Lanús, foi conquistado no empate em 1 a 1 com o Santos, fora de casa, na 34ª rodada, quando chegou à marca dos 60 pontos, 14 a mais que o oitavo colocado, o São Paulo, restando quatro partidas para o fim. O feito foi alcançado com quatro rodadas de antecedência.
A confirmação da fase de grupos, porém, veio na vitória por 2 a 0 contra o Vasco, na 37ª rodada, com gols de Renato Marques e Carlos Eduardo.
Para entender o tamanho do feito, é preciso lembrar que em 2006 e 2010, por exemplo, o clube teve temporadas de apenas 18 e 19 partidas, disputando somente o campeonato estadual, com calendário até abril. Outro ponto é que o time do interior nunca disputou sequer um amistoso contra uma equipe internacional.
A campanha histórica mexeu até com a cidade vizinha, São José do Rio Preto, com a autorização da mudança do aeroporto para internacional, a chegada do primeiro voo internacional da história, a criação de um time feminino e outras transformações que ainda fazem parte do novo momento vivido pelo clube.
Apesar da má fase atual, na lanterna do Brasileirão, o Mirassol entra em campo representando todo um interior que se permitiu sonhar, chegou e agora vive o maior desafio de sua história diante do argentino Lanús.
Fonte: GE