O susto e o trauma de um jovem motociclista de 20 anos em São José do Rio Preto (SP) reacendem o alerta sobre um perigo silencioso e, muitas vezes, fatal que ronda as cidades: as linhas com cerol ou chilenas. No último domingo (12), enquanto trafegava pelo bairro Jardim Fraternidade, o rapaz foi vítima de um corte profundo no pescoço, necessitando de 35 pontos e gerando uma onda de preocupação sobre a segurança nas vias.
Um perigo invisível: a ameaça do cerol e da linha chilena
A mãe da vítima, em depoimento à TV TEM, relatou a angústia de ver o filho chegar em casa ferido, buscando socorro após o acidente. Apesar do corte severo, o jovem conseguiu dirigir até sua residência, de onde foi prontamente levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tangará. Lá, a extensão do ferimento foi confirmada, exigindo uma intervenção médica imediata que resultou nos 35 pontos. O relato do motociclista é de que ele avistou duas crianças esticando uma linha de pipa logo após ser atingido, mas sem tempo para reação, evidenciando a imprevisibilidade desses incidentes. A mãe do rapaz ainda reforçou que a prática de soltar pipas é **comum na região** do Jardim Fraternidade, um dado que acende o sinal de alerta para a fiscalização e a conscientização.
Este não foi um caso isolado naquele domingo. Na mesma cidade, no bairro João Paulo, uma mulher de 39 anos também sofreu ferimentos após ser atingida por uma linha de pipa com cerol enquanto voltava da igreja. Os dois episódios, ocorrendo no mesmo dia e na mesma localidade, reforçam a urgência de uma discussão mais aprofundada sobre a prática de soltar pipas com materiais cortantes e as suas sérias implicações para a segurança pública e a saúde dos cidadãos.
Legislação e os desafios na batalha contra o cerol
A utilização do cerol – uma mistura de cola e vidro moído – e da linha chilena, ainda mais abrasiva e perigosa, é proibida por lei em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo. A **Lei Estadual nº 12.192/2006** proíbe especificamente a fabricação, comercialização e uso de cerol e de qualquer outro material cortante em linhas de pipas. As penalidades incluem multas e, em casos de acidentes graves ou fatais, os responsáveis podem responder criminalmente por lesão corporal ou homicídio culposo. No caso de usuários menores de idade, a responsabilidade legal e civil recai sobre os pais ou responsáveis.
No entanto, a aplicação dessas leis enfrenta desafios significativos. A fiscalização é complexa, dada a natureza recreativa da atividade e a dificuldade em flagrar os infratores no momento do uso. Muitas vezes, a linha com cerol ou chilena é praticamente invisível, especialmente em velocidade, tornando-a uma **armadilha mortal** para motociclistas, ciclistas e até pedestres. As autoridades de São José do Rio Preto, assim como em outras cidades brasileiras, precisam intensificar as ações de combate à venda ilegal desses materiais e as campanhas de conscientização nas comunidades, especialmente nas regiões onde a prática é mais comum.
Campanhas de conscientização e a busca por segurança nas vias
Diversas entidades, como associações de motociclistas e órgãos de trânsito, promovem regularmente campanhas para alertar sobre os perigos do cerol. Elas incentivam o uso de antenas corta-pipa nas motos, um dispositivo simples que pode salvar vidas, e a denúncia de locais de venda e uso irregular desses materiais. O problema, porém, vai além do acessório de segurança; ele reside na **cultura de risco** e na falta de percepção das consequências graves por parte de quem utiliza e, principalmente, por parte dos adultos que permitem ou negligenciam a prática por crianças e adolescentes, que muitas vezes desconhecem o potencial destrutivo do cerol.
A cada ano, hospitais de todo o Brasil registram dezenas, senão centenas, de internações e até mortes relacionadas a acidentes com linhas cortantes. Os ferimentos variam de cortes superficiais a profundas lacerações em pescoço, rosto e braços, podendo atingir vasos sanguíneos importantes e causar hemorragias fatais. Além do dano físico, as vítimas frequentemente carregam o trauma psicológico da experiência. A recorrência desses casos, mesmo com alertas constantes, sublinha a necessidade de uma abordagem multifacetada, envolvendo educação, fiscalização e o engajamento comunitário para erradicar o uso desses materiais perigosos.
Consequências duradouras e o alerta à população
Para o motociclista de Rio Preto, os 35 pontos no pescoço são mais do que uma cicatriz física; representam o trauma de um momento de extrema vulnerabilidade e o risco iminente de ter a vida ceifada por uma brincadeira imprudente. A recuperação física é apenas uma parte do processo, que muitas vezes inclui o impacto psicológico e o receio de voltar a se expor ao perigo no trânsito. É um lembrete contundente de que a segurança nas vias é uma responsabilidade coletiva, que exige a atenção e a participação de todos os cidadãos.
O RP News reforça o apelo às famílias, comerciantes e à sociedade em geral para que se engajem ativamente na prevenção desses acidentes. Orientar crianças e adolescentes sobre os perigos, não comprar nem vender cerol ou linha chilena e denunciar a prática são passos fundamentais para proteger vidas. A vida humana deve sempre vir em primeiro lugar, e a conscientização é a ferramenta mais poderosa para garantir que tragédias como essa não se repitam, construindo um ambiente mais seguro para todos.
Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes de São José do Rio Preto, do interior paulista e do Brasil, com análises aprofundadas e informação de qualidade, **fique conectado ao RP News**. Nosso compromisso é trazer a você os fatos que realmente importam, com a contextualização necessária para que você esteja sempre bem informado. Acesse nosso portal e explore a variedade de temas que pautam o dia a dia da nossa comunidade e do país, garantindo uma leitura completa e confiável.
Fonte: https://g1.globo.com