Mulher, negra e investigadora. Imagine um tempo em que pouquíssimas mulheres integravam o time da polícia civil de Rio Preto. Malu, como é carinhosamente conhecida nos meios policiais, é uma mulher com 38 anos de atuação na corporação e muitas histórias para contar. Assim sendo, ela se tornou um verdadeiro símbolo de representatividade e de inspiração; sobretudo a outras mulheres.
Com muita experiência, Malu já foi chefe do setor de investigação, única mulher a pertencer ao antigo GARRA e está há aproximadamente 15 anos da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Rio Preto.
Como jornalista, me empolguei muito ao perguntar dezenas e dezenas de coisas sobre o passado, porque penso eu que, há mais de três décadas, a realidade na PC deveria ser uma bem diferente da de hoje. Malu é categórica ao dizer que, o preconceito sempre existiu, mas nunca se referindo ao racial, mas sim ao de gênero. “O ambiente era masculino. Poucas mulheres exerciam funções operacionais por falta de oportunidade. A maioria fazia o serviço administrativo. Hoje as coisas evoluíram. As mulheres estão mais empoderadas, tem mais espaço, inclusive hoje há uma cadeira para a DDM no conselho da polícia civil”, disse a investigadora.
Além de destacar que ser uma mulher policial atrai um certo ar de desconfiança por parte dos que duvidam da capacidade feminina, ela também ressalta que ainda hoje a presença da mulher negra é irrisória. Para ela, os homens possuem mais força física, mas a mulher se destaca pela inteligência.
Outro ponto fundamental, é fisgar o olhar da investigadora, no que tange à escalada da violência contra a mulher. Malu destaca que o sentimento de posse é sempre observado, mas que as mulheres estão mais empoderadas e ocupando cada vez mais espaços democraticamente.
Malu começou como papiloscopista, já passou pelo setor de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e cobriu casos bem perturbadores na cidade.
Para ela, atualmente a aceitação por parte dos colegas homens está muito maior e, embora haja um preconceito velado, ela indica que, quem ama a profissão de verdade, deve olhar para frente e trabalhar com amor ao uniforme e respeito ao ser humano. “Eu particularmente nunca me senti inferiorizada. O treinamento é o mesmo para todos, salvaguardada as devidas proporções, é claro”, explica.
Indagada sobre a tecnologia, ela diz que os mecanismos tecnológicos que a corporação desfruta atualmente, aprimorou os trabalhos. “A forma de investigar mudou muito e para melhor. Antigamente as investigações eram feitas em campo por meio de campanas, indo pessoalmente nos endereços. Agora é possível identificar a autoria por interceptação telemática, por monitoramento”, contou.
Ainda segundo Malu, a confiança da população na polícia só tem aumentado, visto pelo aumento de denúncias e registro de ocorrências, acrescentando a rede de apoio muito eficaz presente na DDM.
Por Daniela MANZANI