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Mulheres no futebol: a coragem e as políticas públicas que confrontam o preconceito

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© Bruno Peres/Agência Brasil

O universo do futebol, por décadas, foi majoritariamente masculino. Para as mulheres, ingressar e prosperar neste esporte sempre representou um desafio que transcende as quatro linhas do campo, exigindo uma determinação inabalável para superar **barreiras sociais e estruturais**. No entanto, a realidade tem se transformado, impulsionada pela **coragem** de atletas, narradoras e gestoras, e pelo avanço das **políticas públicas** que buscam desmantelar o enraizado **preconceito**. Em um momento de celebração do Mês da Mulher, essas vozes emergem para contar uma história de luta, persistência e a esperança de um futuro mais equitativo.

Um Legado de Proibições e a Luta por Reconhecimento

A história do **futebol feminino** no Brasil é marcada por um passado de interdição. Por praticamente 40 anos, entre 1941 e 1983, um decreto-lei proibiu as mulheres de praticar esportes considerados “incompatíveis com a sua natureza”. O futebol estava explicitamente nessa lista. Essa proibição não apenas atrasou o **desenvolvimento** da modalidade no país, mas também moldou uma cultura de exclusão que ainda reverbera hoje. Superar esse **legado histórico** e a percepção de que “futebol não é para mulher” exige um esforço contínuo, tanto no campo quanto nas esferas de decisão.

Os números, mesmo após a revogação da proibição, ainda evidenciam o descompasso. Em 2022, dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apontavam para a existência de apenas 360 **jogadoras profissionais** e 17 **árbitras registradas** em todo o país. Essa disparidade contrasta fortemente com o cenário masculino e sublinha a urgência de investimentos e estratégias para fortalecer a presença feminina no esporte. A recente divulgação do Calendário do **Futebol Feminino** para 2026 pela CBF, com datas, horários e locais definidos para o Brasileirão, é um sinal de que a organização e a profissionalização estão ganhando tração, mas o caminho é longo.

A Voz de Quem Faz a Diferença: Da Campo à Gestão

Uma das vozes mais experientes nessa jornada é a de **Formiga**. Ícone do **futebol feminino** mundial, única atleta a disputar sete Copas do Mundo e com um currículo de vice-campeonatos olímpicos e mundiais, ela agora atua como Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte. Sua transição dos gramados para a gestão pública simboliza o avanço da causa e a necessidade de se construir um **ambiente seguro** e propício para o crescimento das mulheres no esporte.

“Precisamos trazer segurança não só para essas atletas de hoje, mas para todas as meninas, mulheres, independentemente em que cargo estejam, seja como treinadora, árbitra, diretora”, afirma Formiga. Para ela, o alicerce de qualquer progresso é a **formação de base**. Há talentos em abundância no Brasil, mas a ausência de **estrutura** impede que essas jovens promessas floresçam. A ex-jogadora enfatiza a necessidade de todos os estados brasileiros consolidarem times femininos, com foco no trabalho de base, a exemplo do que ocorre em São Paulo. “A gente entende que São Paulo praticamente é o peso do futebol feminino, mas é preciso ter um equilíbrio no país inteiro. Os clubes precisam aceitar isso, precisam nos ajudar nisso”, destaca, apelando para uma **responsabilidade coletiva** dos clubes e federações.

O Sonho que Resiste ao Preconceito

A realidade da jovem **Isadora Jardim**, de 14 anos, meio-campista do Corinthians sub-15, ilustra a mensagem de Formiga. Deixando o Distrito Federal para perseguir seu sonho em São Paulo, Isadora enfrenta uma rotina desafiadora de treinos e estudos. Convocada para a Seleção Brasileira sub-15, ela já ouviu inúmeros comentários desanimadores, como “futebol não é para mulher” e “mulher não joga futebol”. Essas frases, que revelam o **preconceito** ainda presente, poderiam abalar a confiança de muitos, mas Isadora aprendeu a lidar com eles e a se fortalecer. Sua mensagem para outras meninas é clara: “nunca desistam e continuem treinando”, reforçando a ideia de que a **resiliência** é uma das maiores aliadas na busca pelos seus sonhos.

Quebrando o Silêncio: Mulheres na Narração Esportiva

O **preconceito** não se restringe aos campos. A narradora Luciana Zogaib, integrante da equipe de esportes da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), aponta para a resistência cultural profundamente arraigada no ambiente do rádio e da televisão esportiva. “O rádio tem 100 anos, e só havia homens fazendo esse trabalho de locução. Há uma resistência muito grande em relação às mulheres. Culturalmente, o **machismo no futebol** é muito, muito forte”, explica Zogaib. A presença feminina nas cabines de transmissão é, portanto, um ato de **abertura de mercado** e de representatividade, fundamental para que mais mulheres tenham oportunidades e que o público se acostume com vozes femininas conduzindo as emoções dos jogos. Essa mudança não apenas democratiza o acesso, mas também contribui para normalizar a imagem da mulher em todos os setores do esporte.

Copa do Mundo Feminina 2027 no Brasil: Um Horizonte de Possibilidades

A escolha do Brasil como sede da **Copa do Mundo Feminina de 2027** representa uma oportunidade histórica para consolidar o **futebol feminino** no país. A EBC, por exemplo, já elevou o futebol feminino a prioridade de exibição em suas plataformas e participa ativamente das câmaras temáticas que preparam o evento. Junto ao Ministério do Esporte, a empresa discute formas de levar o futebol para as regiões mais longínquas do país, assegurando que o **legado social** e esportivo da competição seja duradouro e inclusivo. Reuniões entre a secretária extraordinária para a Copa, Juliana Agatte, e a diretoria da EBC reforçam o compromisso em estruturar um evento que vá além das partidas, impactando positivamente a **sociedade brasileira** e inspirando novas gerações de atletas e profissionais.

O caminho para a **equidade** no futebol feminino ainda tem obstáculos significativos, mas a combinação da **coragem individual** de quem desafia as normas e a implementação de **políticas públicas** concretas está pavimentando um futuro promissor. Do campo à narração, da base à gestão, a presença feminina se fortalece, reescrevendo a história do esporte mais popular do mundo. É um movimento contínuo que exige vigilância, investimento e a quebra de paradigmas para que o futebol seja, de fato, um lugar para todos.

Para se manter atualizado sobre os avanços do futebol feminino, as **políticas públicas** que impulsionam a equidade e outros temas relevantes que impactam a sociedade, continue acompanhando o RP News. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre bem informado sobre os fatos que moldam o Brasil e o mundo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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