15/02/2022 às 10h21min - Atualizada em 15/02/2022 às 18h12min

Centenário da Semana de 22: Edusp possui 30 obras sobre evento que rompeu o tradicionalismo cultural

Editora tem coletâneas de textos e críticas de nomes como Anita Malfatti, Cândido Portinari, Heitor Villa-Lobos, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral

SALA DA NOTÍCIA Murilo do Carmo Janelli
Como parte das comemorações pelo centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, a Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) apresenta 30 obras em catálogo, que permitem saber mais sobre o evento, os artistas e o movimento que marcou a história do país ao buscar romper com o tradicionalismo cultural associado às correntes literárias e artísticas anteriores. São coletâneas de textos e críticas, análises e pesquisas que tratam da obra e da vida de nomes como Anita Malfatti, Cândido Portinari, Heitor Villa-Lobos, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, dentre tantos outros.
Com influência de vanguardas europeias e pela renovação geral no panorama da arte ocidental, o grupo fez do evento um marco na defesa de um novo ponto de vista estético e de compromisso com a independência cultural do país. A Semana de 22 foi realizada entre 13 e 17 de fevereiro, há cem anos, no Teatro Municipal de São Paulo. Os artistas que integraram o movimento modernista expuseram cerca de 100 obras e promoveram três sessões lítero-musicais ao dia, com acesso liberado ao público.
Ainda na esteira das comemorações do centenário, a Edusp lança oficialmente às 11h do próximo dia 12 os dois volumes de "Obra Incompleta", de Oswald de Andrade, organizado por Jorge Schwartz. Ele participará de uma mesa-redonda com Gênese Andrade, Maria Augusta Fonseca e Sylvie Josserand Colla, que também contribuíram com a publicação. O evento será híbrido devido à pandemia de covid-19, com transmissão pelo canal da Biblioteca Mário de Andrade no YouTube e aberto ao público no Auditório Rubens Borba de Moraes, na Biblioteca Mário de Andrade (Rua da Consolação, 94). Para acesso ao local, será necessário usar máscara e apresentar comprovante de vacinação contra o coronavírus.
Conheça as 30 obras em catálogo sobre o tema:

“Obra Incompleta” - de Oswald de Andrade, com organização de Jorge Schwartz (1ª edição, 2021, 1.656 páginas e coedição do Centre de Recherches Latino-Américaines-Archivos)  
Os dois tomos da publicação trazem as várias faces do trabalho e vida de Oswald de Andrade, com obras conhecidas, manuscritos inéditos e discursos críticos feitos por autores como Gênese Andrade, Maria Augusta Fonseca e Haroldo de Campos, entre outros. O trabalho de pesquisa nasceu ainda em 1985 e resultou em extensa busca por manuscritos entre especialistas, herdeiros, familiares, colecionadores e instituições culturais.

“22 por 22: A Semana de Arte Moderna Vista pelos Seus Contemporâneos” - organização de Maria Eugenia Boaventura (2ª edição, 2008, 464 páginas) 
Trata-se de uma coletânea de textos publicados em jornais de São Paulo e Rio de Janeiro naquele ano, que recupera polêmicas que envolveram escritores, artistas, críticos e jornalistas, tanto passadistas quanto futuristas. Em destaque, há textos de nomes como Oswald e Mário de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Sérgio Milliet, Plínio Salgado e Lima Barreto, além de caricaturas de Belmonte e Voltolino.

"A Mulher e a Cidade: Imagens da Modernidade Brasileira em Quatro Escritoras Paulistas" - de Bianca Ribeiro Manfrini (1ª edição, 2011, 268 páginas) 
A autora analisa a relação entre autoras de diferentes décadas do século 20, como Patrícia Galvão, Maria José Dupré, Carolina Maria de Jesus e Zulmira Ribeiro Tavares, para observar como o conjunto da obra dessas escritoras dá forma, representa e sedimenta uma modernidade naquela que pode ser considerada a cidade mais moderna do país. Traz ainda uma reflexão sobre a historiografia literária que as marginalizou, por diversos motivos., 

"Anita Malfatti no Tempo e no Espaço" - 2 volumes, de Marta Rossetti Batista (1ª edição, 2006, 824 páginas, coedição com Ed. 34)  
Vencedora do Prêmio Jabuti de melhor biografia em 2007, a obra é resultado de mais de quatro décadas de pesquisa sobre a vida e a obra de Anita Malfatti (1889-1964), precursora do modernismo brasileiro, nos volumes "Biografia e Estudo da Obra" e "Catálogo da Obra e Documentação". Os dois tomos contam a trajetória da pintora e reúnem uma relação, em verbetes, das mais de 1,3 mil obras produzidas em mais de 50 anos de trabalho da artista. 

“Brasil Imaginado: De 1500 até o Presente” - de Darlene J. Sadlier, com tradução de Flávia Bancher (1ª edição, 2016, 392 páginas)  
A autora discute o papel do imaginário artístico na formação da identidade nacional do país e mostra como diferentes autores contribuíram para essa construção. Desde as primeiras explorações do Brasil pelos portugueses, Sadlier pesquisou inúmeras fontes primárias e não apenas literárias, mas também mapas, ilustrações de livros, projetos arquitetônicos, obras visuais, filmes, programas de TV e de rádio.

"Camargo Guarnieri: Expressões de uma Vida" - de Marion Verhaalen (1ª edição, 2001, 504 páginas)  
A extensa obra de Camargo Guarnieri fez dele um dos nomes maiores da corrente nacionalista da música brasileira, dotado, segundo Mário de Andrade, de musicalidade tão intimamente brasileira e originalidade tão livre. A obra traz um estudo detalhado de toda a sua produção, com análise de cada composição, trechos das partituras e uma biografia, que inclui diversas fotos e reproduções de documentos. 

"Coleção Mário de Andrade: Religião e Magia, Música e Dança, Cotidiano" - com organização de Marta Rossetti Batista (1ª edição, 2004, 452 páginas) 
A obra oferece ao público a chance de conhecer objetos de natureza variada reunidos por Mário de Andrade. Os objetos, devidamente identificados, documentados e contextualizados, são acompanhados de textos introdutórios sobre o colecionador e a coleção. São peças preciosas pelo valor estético, pelo valor etnográfico, ou documental, como itens da imaginária religiosa, indígenas e afro-brasileiras.

"Com Villa-Lobos" - de Willy Corrêa de Oliveira (1ª edição, 2009, 144 páginas)  
O escritor aborda a própria relação com o compositor, desde quando era criança, para mostrar o quanto a obra de Villa-Lobos é importante para a própria formação e, mais importante, para um país em que deveria ser muito mais conhecida e visitada. Dialogando com o texto de Willy, as pinturas de Enio Squeff, realizadas especialmente para esta edição, são apresentadas na segunda parte do livro.

“Crítica de Arte na Revista Habitat” - de José Geraldo Vieira, com organização de José Armando Pereira da Silva (1ª edição, 2012, 456 páginas)  
Trata-se de uma coletânea de críticas de arte de José Geraldo Vieira publicadas na revista Habitat durante dez anos, de 1954 até o último número, em 1965, o que inclui avaliação sobre pintores modernistas. As críticas estão divididas em blocos, com textos conceituais ou abordando grupos e movimentos, com escritos sobre as Bienais e com tratamento mais pontual sobre artistas e exposições de Arte Brasileira e Arte Estrangeira.

“Ensaio sobre Música Brasileira” - de Mário de Andrade, com organização de Flávia Camargo Toni (1ª edição, 2020, 296 páginas)  
Publicado em 1928, no mesmo ano de “Macunaíma”, “Ensaio sobre Música Brasileira” apresenta o trabalho que Mário de Andrade desenvolvia em busca de conhecer os cantos e danças dos brasileiros, um verdadeiro trabalho de etnomusicologia, a qual ainda não existia como disciplina nessa época. Flávia Camargo Toni também incluiu na obra um dossiê com críticas contemporâneas à publicação.

“Leituras de Macunaíma: Primeira Onda (1928-1936)” - de José de Paula Ramos Jr. (1ª edição, 2012, 424 páginas)  
A repercussão do livro “Macunaíma”, de Mário de Andrade, nos primeiros anos após a publicação foi bastante modesta, com um pequeno universo de leitores. O autor analisa a recepção crítica da obra entre os anos 1928 e 1936, que correspondem ao período em que vigorou a primeira edição, e como a obra repercutiu decisivamente não só no discurso da crítica, mas também na arte, na política e na ideologia de seu ambiente cultural. 

“Manuel Bandeira: Uma Poesia da Ausência” - de Yudith Rosenbaum (2ª edição, 2002, 208 páginas)
O estudo da poética de Manuel Bandeira é feito a partir do ponto de vista da linguagem da ausência e da aprendizagem da morte. Com a intersecção entre teoria literária (predominantemente a estilística de Leo Spitzer) e psicanálise (de Freud a Kristeva, passando por Lacan), a autora busca articular vivência psíquica com criação estética, mostrando como Bandeira elabora as perdas e faltas na materialidade do poema. 

“Maria Antonieta D’Alkmin e Oswald de Andrade: Marco Zero” - com organização de Marília de Andrade e Ésio Macedo Ribeiro (1ª edição, 2003, 204 páginas, coedição com Imprensa Oficial do Estado de São Paulo) 
Disponível no portal de livros abertos, o livro tem como objetivo prestar um tributo ao casal Oswald de Andrade e Maria Antonieta D'Alkmin, ao perfazer os últimos 14 anos da existência do escritor, com ênfase em sua produção artística e em sua vida particular, imbricadas na sua produção literária e em uma determinada época do Brasil a era Vargas. Há várias das histórias contadas por Maria Antonieta e pelos filhos do casal.

“Mário de Andrade e a Argentina: Um País e sua Produção Cultural como Espaço de Reflexão” - de Patricia Artundo, com tradução de Gênese Andrade (1ª edição, 2004, 232 páginas) 
O livro revela aspectos importantes do intenso diálogo que Mário de Andrade manteve com o universo cultural argentino de 1920 e 1945. A autora analisou diversos documentos no país vizinho e no Brasil, o que lhe permitiu reconstruir o caminho percorrido pelo artista em ambas as direções, para mostrar como a literatura, as artes plásticas, os estudos sobre o folclore e outras fontes enriqueceram as reflexões de Mário sobre a própria nação. 

“Monteiro Lobato: Intelectual, Empresário, Editor” - de Alice Mitika Koshiyama (2ª edição, 2006, 228 páginas) 
A obra analisa a importância do escritor para a indústria editorial do Brasil, tendo como pano de fundo a formação do mercado consumidor de livros no país desde os tempos coloniais. Para Monteiro Lobato, editar livros foi também um meio de divulgar sua obra literária, especialmente entre os anos de 1918 e 1930, quando formou a Monteiro Lobato & Cia, empresa que deu origem à Companhia Editora Nacional, uma das maiores editoras do país.

“Orgulho de Jamais Aconselhar: A Epistolografia de Mário de Andrade” - de Marcos Antonio de Moraes (1ª edição, 2007, 248 páginas) 
Marcos Antonio de Moraes analisa como a epistolografia de Mário de Andrade era tarefa de tanta responsabilidade moral e literária quanto escrever poemas ou estudos, atividade que ele cumpria com dedicação e regularidade sui generis, como quem professa a religião da correspondência. Pela troca de cartas de Mário escritores e amigos de longa data, o pesquisador busca recompor o papel que a atividade desempenhou na poética de Mário.

“Os Quartetos de Cordas de Villa-Lobos: Forma e Função” - de Paulo de Tarso Salles (1ª edição, 2019, 376 páginas) 
Paulo de Tarso Salles investiga os 17 quartetos de cordas de Heitor Villa-Lobos, compostos entre 1915 e 1957, considerando os aspectos composicionais e formais, bem como os ideológicos. O autor beneficia-se da maturidade dos estudos sobre a obra de Villa-Lobos e percorre áreas da musicologia histórica, da semiótica e da teoria e análise musical, abrindo espaço para futuras pesquisas sobre a música e o universo do artista.

“Portinari: Três Momentos” - de Elza Ajzenberg (1ª edição, 2021, 168 páginas) 
A autora mostra a importância da obra de Cândido Portinari na história da arte do país, por ser fruto de pesquisa disciplinada, aliando arte e engajamento social, para buscar a construção de uma nova consciência brasileira. A produção de Portinari é marcada pela extração do contexto histórico de valores estéticos, usados na construção de uma linguagem artística renovada, próxima à mensagem sobre a problemática social brasileira. 

“Primeiro Andar” - de Mário de Andrade (3ª edição, 2018, 240 páginas, coedição Com-Arte) 
A coletânea de contos com variados temas e formas marcou a estreia de Mário de Andrade como contista, originalmente publicada em 1926 pela Casa Editora Antônio Tisi. Esta edição traz o texto estabelecido com o rigor metodológico da crítica textual, com o objetivo de restituí-lo à forma original. Além disso, foram incluídas notas explicativas sobre o léxico e as referências culturais utilizadas, visando auxiliar na leitura e manter o respeito ao original.

“Rebolo: 100 Anos” - com coordenação de Lisbeth Rebollo Gonçalves e Antonio Gonçalves (1ª edição, 2002, 302 páginas, coedição Imprensa Oficial do Estado de São Paulo) 
Ao lado de inúmeras reproduções de suas principais telas, o livro reúne ensaios dos críticos Olívio Tavares de Araújo, Elza Maria Ajzenberg, Antonio Gonçalves, Carlos Soulié do Amaral, Célia Campos, Lisbeth Rebollo Gonçalves, Sílvia Procópio Cajado e Francisco Luiz de Almeida Salles, além da transcrição do depoimento de Francisco Rebolo, em que rememora sua participação no futebol paulista.

“Caixa Modernista” - com organização de Jorge Schwartz (1ª edição, em fase de reimpressão, coedição com Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e da Editora UFMG)  
A “Caixa Modernista” é um verdadeiro museu portátil da produção das vanguardas artísticas brasileiras. Reúne 30 itens consensualmente importantes para o modernismo brasileiro, entre livros, catálogos, fotos e documentos da Semana de 22. Inclui duas obras em edição fac-similar, que são a “Paulicea Desvairada”, de Mário de Andrade, e “Pau Brasil”, de Oswald de Andrade. 

“Do Amazonas a Paris: As Lendas Indígenas de Vicente do Rego Monteiro” - com organização de Jorge Schwartz (1ª edição, em fase de reimpressão, 198 páginas, coedição com Imprensa Oficial do Estado de São Paulo) 
A publicação reproduz em edição fac-similar, acompanhada de tradução para o português, duas raras criações de Vicente do Rego Monteiro, editadas em francês, em Paris: “Légendes, croyances et talismans des Indiens de l’Amazone” e “Quelques visages de Paris”, respectivamente em 1923 e 1925. Os dois livros representam alguns dos mais belos exemplos bibliográficos produzidos pelas vanguardas latino-americanas. 

“Vanguardas Latino-americanas: Polêmicas, Manifestos e Textos Críticos” - de Jorge Schwartz (2ª edição, em fase de reimpressão, 736 páginas)  
A antologia é resultado do levantamento e organização de um vasto material, cuja primeira parte apresenta textos programáticos como manifestos, editoriais de revistas, prefácios, panfletos e poemas-programa, dentre outros. A segunda traz textos de crítica, ordenados pelos temas correntes artísticas, tensões ideológicas e questão da identidade. Por fim, o organizador preparou estudos específicos sobre cada um dos movimentos.

Coleção Correspondência de Mário de Andrade:
A coleção permite observar como o artista buscava o diálogo com conterrâneos com ideias convergentes ou completamente distintas, para chegar a projetos fraternos e coletivos. As trocas de cartas abordam relações de amizade, tendências artísticas, preocupação com a cultura brasileira, preservação do patrimônio cultural e até mesmo experiências sobre a administração pública.

“Correspondência Mário de Andrade & Tarsila do Amaral” - com organização de Aracy Amaral (1ª edição, 2001, 240 páginas) 
“Correspondência Mário de Andrade & Henriqueta Lisboa” - com organização de Eneida Maria de Souza (1ª edição, 2010, 400 páginas, coedição com Ed. Peirópolis) 
“Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda: Correspondência” - com organização de Pedro Meira Monteiro (1ª edição, 2012, 432 páginas, coedição da Companhia das Letras) 
“Correspondência Mário de Andrade & Escritores/Artistas Argentinos” - com organização de Patricia Artundo e tradução de Gênese Andrade (1ª edição, 2013, 416 páginas) 
“Correspondência Mário de Andrade & Luiz Camillo de Oliveira Netto” - com organização de Maria Luiza Penna (1ª edição, 2013, 288 páginas) 
“Correspondência Mário de Andrade & Newton Freitas” - com organização de Raúl Antelo (1ª edição, 2017, 328 páginas, coedição com Ed. UFSC)  
“Correspondência Mário de Andrade & Alceu Amoroso Lima” - com organização de Leandro Garcia Rodrigues (1ª edição, 2018, 328 páginas, coedição com PUC-RJ)
 
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