15/02/2022 às 11h43min - Atualizada em 15/02/2022 às 18h13min

Healthtech projeta crescimento de 300% para 2022 com tecnologia pioneira no uso de dados

Empresa catarinense UpFlux usa Inteligência Artificial para melhorar a eficiência de instituições públicas e privadas de saúde

SALA DA NOTÍCIA Maria T. M.

Aumentar a eficiência de processos na área da saúde é um desafio antigo no setor e quem percebeu essa necessidade como uma oportunidade foi a startup UpFlux. Com uma solução pioneira no país, a empresa utiliza a mineração de processos para identificar problemas e oferecer soluções para clínicas, hospitais e operadoras de saúde. Dasa, Unimed e MedSenior estão entre as instituições que utilizam a tecnologia da health tech, que em 2021 cresceu 250% e captou recursos  junto aos fundos Alexia Ventures e Aggir. Para 2022, a UpFlux projeta crescimento de 300% e tem como um de seus objetivos a melhoria da jornada do paciente na retomada das cirurgias eletivas no pós-pandemia.

“Nossa expectativa é que no ano que vem o cenário das cirurgias eletivas volte a um patamar parecido com o que tínhamos antes da pandemia. Então, não só os hospitais precisarão fazer uma gestão eficiente dos processos para evitar problemas e reduzir custos, como os pacientes precisarão dessa agilidade para não passar tempo desnecessário dentro do hospital”, pontua o CEO da startup, Alex Meincheim.

Lançada em 2017, a solução da healthtech ajuda, por exemplo, a aumentar a disponibilidade de leitos e reduzir o tempo de permanência do paciente no hospital. O que a UpFlux faz é minerar os processos - método também conhecido como process mining - para mapear, monitorar e melhorar processos que sustentam a operação das organizações na área da saúde. A partir de informações extraídas do sistema da instituição atendida, os processos automaticamente descobertos baseados em dados são comparados com modelos previamente definidos, para identificar e diagnosticar ineficiências e problemas. Baseado no que acontece na prática, os insights obtidos são transformados em ações de correção de desvios e ineficiências. Atualmente, a startup conta com  mais de 60 clientes em 16 estados brasileiros.

“Muitas soluções tecnológicas apresentam indicadores que apontam os problemas existentes nos hospitais e clínicas, mas não mostram onde está a causa raiz desse problema e porque ele ocorre. Sem essa informação, é mais difícil saber onde exatamente o processo está falhando e, o mais importante, qual ação deve ser tomada para resolver esse problema”, explica o empreendedor.

É com essa tecnologia que a startup pretende ajudar as instituições de saúde no ano que vem. De acordo com Meincheim, é necessário oferecer um cuidado adequado ao paciente com o melhor custo-efetividade, e isso implica na necessidade de processos eficientes em toda a jornada do paciente. "Do agendamento do paciente à alta e, posteriormente, ao faturamento da conta, existem diversos processos que precisam de cuidados específicos e bem estruturados para que erros graves não aconteçam".

Até hoje, a healthtech já ajudou instituições hospitalares a reduzirem, em média, mais de 2 mil diárias em um período de até 6 meses com o uso da plataforma UpFlux. O CEO explica que essas reduções implicam também na redução do custo assistencial, no aumento da disponibilidade de leitos e na melhoria da experiência dos pacientes, além de contribuir para a sustentabilidade de todo o setor de saúde.

Software pioneiro no país

O crescimento projetado pela UpFlux para o ano que vem não é só em faturamento: a startup quer dobrar o seu quadro de funcionários. De acordo com Alex Meincheim, os bons resultados alcançados são consequência do diferencial da plataforma, uma tecnologia que alia Inteligência Artificial e Mineração de Processos com foco no mapeamento e redução de ineficiências em um modelo inédito de gestão operacional de processos.

Fundada em 2017, em Jaraguá do Sul (SC), a ideia para a criação da startup veio a partir de estudos de Mestrado e Doutorado de Alex Meincheim e Cleiton dos Santos. Naquele ano, estabeleceu com a Unimed Paraná sua primeira parceria. No ano seguinte, participou do Programa Sinapse da Inovação, quando recebeu recurso para o financiamento da empresa.

Desde então, passou a operar em hospitais, unidades de pronto atendimento e operadoras de saúde. Em 2020, expandiu sua área de atuação para indústrias e instituições financeiras. Apesar do crescimento para outros segmentos, os fundadores apontam que a área da saúde continua sendo o principal foco da empresa.

“A área da saúde é um setor com muitos desafios relacionados à eficiência. Nos últimos anos, desenvolvemos um trabalho que mostra como o uso da tecnologia pode ajudar não só os gestores de hospitais ou operadoras, mas também o paciente”, complementa Meincheim. 

Com o crescimento das soluções baseadas em dados no país,  a solução se destaca por oferecer insights às organizações, relacionando aprendizagem de máquina e mineração de dados.

“Há quem confunda o process mining com BI. A principal diferença entre as duas tecnologias está no nível de análise e resultados que elas produzem, gerando diferentes tipos de insights. O BI tem como objetivo apontar que há problemas em um processo, já a mineração de processos evidencia a causa raiz de ineficiências e os ofensores de tempo e custos e atua em tempo real para correção de desvios e minimização de ineficiências nos processos”, explica Alex Meincheim.
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