15/02/2022 às 10h05min - Atualizada em 15/02/2022 às 18h20min

Psiquiatra alerta para as consequências do aumento do consumo de álcool e drogas

Pandemia acelerou consumo no mundo e também no Brasil

SALA DA NOTÍCIA Cristiane Miranda Malheiros
O álcool e outras drogas modificam a nossa percepção dos fatos e das emoções, e agravam os sintomas depressivos. Passar por uma pandemia como a que estamos vivendo, desde final de 2019, transforma as pessoas, modifica as relações e, muitas vezes, leva a hábitos prejudiciais à saúde física e mental. “Muitas pessoas por medo de adoecer, de perder o seu meio de subsistência, medo até mesmo com o futuro de suas vidas, buscam refúgio em álcool e outras drogas, sintéticas, naturais, legalizadas ou ilegais. Na pandemia, observamos um aumento considerável de álcool e drogas”, revela a psiquiatra Kelly Pereira Robis, professora da UFMG e PUC/Minas.  

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) é classificada como droga toda e qualquer substância não produzida pelo organismo e que, ao ser ingerida, modifica uma ou mais funções. Essas drogas alteram aspectos físicos, emocionais e relacionados ao pensamento e ao comportamento. As drogas podem ser lícitas quando são comercializadas de forma legal, como é o caso do álcool, remédios, cigarro, entre outras. Como também podem ser ilícitas quando são vendidas sem autorização legal, como a cocaína, o LSD, o crack e a maconha.

“A sociedade tem um olhar diferenciado para o uso do álcool e do cigarro. A utilização dessas substâncias é tratada como hábito comum, por serem legalizadas. Mas, isso não significa que não são prejudiciais. Mesmo quando a pessoa faz a utilização esporádica, não existem quantidades seguras, uma vez que o usuário tende a passar por um processo antes de se tornar dependente”, ressalta a psiquiatra.

A professora da UFMG e PUC/Minas explica que o processo de dependência é diferente para cada pessoa. “Tomar uma cerveja para relaxar ou fumar um cigarro para desestressar, por exemplo, pode a longo prazo prejudicar a saúde física, mental ou mesmo acarretar acidentes ou afetar relacionamentos sociais e o trabalho. Além disso, a genética influencia no desenvolvimento do vício, sendo que em alguns casos, o primeiro contato com a droga é o suficiente” alerta.

O Relatório Mundial sobre Drogas 2021 apontou que 275 milhões de pessoas passaram a usar drogas no mundo inteiro, no ano passado. O levantamento também revelou que 36 milhões de pessoas sofreram de transtornos associados ao uso de drogas.
Uma pesquisa desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a UFMG e a Unicamp apontou o mesmo cenário no Brasil, com 18% de crescimento no consumo de álcool e 34% no uso de tabaco, no primeiro ano da pandemia. 

Dependência química
Considerada como uma doença, a dependência química é estabelecida quando a pessoa depende da substância e perde o controle sobre o uso, querendo sempre consumir mais, ainda que isso prejudique sua saúde, família e outros aspectos.
Para a psiquiatra Kelly Robis, o uso indiscriminado dessas substâncias está associado a  prejuízos nos relacionamentos; estado de euforia ou relaxamento transitório logo após o uso, que é seguido por um período de horas de humor rebaixado (a “ressaca”) que se sobrepõem aos sintomas de depressão e agravam o quadro; agravamento dos problemas funcionais; mudanças na química cerebral com desajustes nos níveis de serotonina, dopamina e noradrenalina; mudanças na percepção dos acontecimentos com interpretações distorcidas.

 
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