16/02/2022 às 15h21min - Atualizada em 16/02/2022 às 19h20min

Dia Nacional da Criança Traqueostomizada será celebrado pela primeira vez no país

A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial considera a data um importante reconhecimento para a necessidade de assistência a esse grupo

SALA DA NOTÍCIA Cidiana Pellegrin
Pierre Triboli/Câmara dos Deputados/Agência Câmara de Notícias
 

Na próxima sexta-feira, 18 de fevereiro, será comemorado o Dia Nacional da Criança Traqueostomizada, instituído pela Lei 14.249/21, de autoria do deputado federal Dr. Zacharias Calil (DEM-GO). Em apoio à data, o prédio do Congresso Nacional em Brasília ficará iluminado com a cor roxa na noite de quinta-feira (17/02), a fim de chamar atenção para a conscientização e sensibilização de profissionais da saúde, pais e responsáveis sobre os cuidados e atendimento às crianças traqueostomizadas.

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico realizado na traqueia (pescoço) em pessoas com obstrução das vias aéreas superiores, ou que necessitam de um suporte ventilatório mais prolongado, com a finalidade de facilitar a chegada de ar até os pulmões. Na maioria das vezes, acontece após uma internação em UTI.

Dra. Melissa Avelino, otorrinolaringologista pediatra e especialista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), uma das entidades médicas que atuaram para conquista da Lei, considera um passo importante poder celebrar o primeiro ano do Dia Nacional da Criança Traqueostomizada, sancionado em novembro do ano passado pelo presidente da república.

“É uma vitória para as crianças que passaram pelo procedimento terem esse reconhecimento e visibilidade. Elas enfrentam uma carência e um desafio no sistema de saúde, pois demandam por profissionais especializados, recursos de tratamento, além de capacitação para os familiares. Por isso, esse primeiro ano representa o início de um trabalho de conscientização e de esclarecimento a diversos setores, mas ainda há muito a ser feito, para que elas recebam toda a assistência adequada,” avalia a Dra. Melissa.

Para o autor da lei, o deputado Dr. Zacharias Calil, comemorar a data também representa uma vitória. “Vamos celebrar o primeiro dia desde a sua criação e ter o Congresso iluminado para chamar atenção a isso é muito importante”, diz Calil, que é médico cirurgião pediátrico. Segundo o parlamentar, a data foi pensada para que durante a semana de comemoração, as unidades de saúde criem campanhas para conscientizar profissionais e a comunidade, em geral, sobre os cuidados e atendimento a esse público, que, muitas vezes, é negligenciado. “As crianças com traqueostomia precisam de atenção regular”, alerta.

A escolha da data faz alusão a 18 de fevereiro de 2017, dia em que a ABORL-CCF e a Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica (ABOPe), em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), realizaram o Primeiro Consenso Clínico e Recomendações Nacionais em Crianças Traqueostomizadas. O documento gerou recomendações nacionais sobre os cuidados e condutas diante das crianças traqueostomizadas.

Cuidados específicos

Dra. Melissa Avelino explica que toda criança traqueostomizada necessita de cuidados especiais e acompanhamento especializado.  

“Ter profissionais especialistas e treinados para o cuidado e prevenção de complicações inerentes ao uso da traqueostomia é essencial no Sistema Único de Saúde (SUS). Às vezes a traqueostomia é realizada durante uma internação em UTI e, após a alta hospitalar, os familiares ficam perdidos em relação aos cuidados, como a aspiração adequada, trocas regulares da cânula, avaliação adequada da via aérea antes da tentativa de decanulação. Estas peculiaridades na criança com traqueostomia se estendem também aos profissionais de saúde, aos médicos e às famílias que deverão ter todo um aparato em casa no intuito de evitar as principais complicações,” esclarece.

As famílias de crianças traqueostomizadas necessitam estar orientadas para os cuidados com os filhos, bem como é importante que os hospitais também estejam preparados. “A falta de cuidado pode gerar complicações. Por isso é tão importante que as famílias tenham para onde recorrer e que os pais sejam treinados para lidar com esses casos. Os cuidados com a higiene são fundamentais”, explica Dra. Melissa.

Na visão da médica, padronizar os cuidados oferecidos a esse grupo também é imprescindível para que o tratamento tenha uma boa continuidade em casa, possibilitando uma melhor e rápida recuperação. 

Sobre a ABORL-CCF

Com mais de 70 anos de atuação entre Federação, Sociedade e Associação, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), Departamento de Otorrinolaringologia da Associação Médica Brasileira (AMB), promove o desenvolvimento da especialidade através de cursos, congressos, projetos de educação médica e intercâmbio científicos, entre outras entidades nacionais e internacionais. Busca também a defesa da especialidade e luta por melhores formas para uma remuneração justa em prol dos mais de oito mil otorrinolaringologistas em todo o país.


 
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