20/02/2022 às 17h30min - Atualizada em 21/02/2022 às 18h12min

4 tendências de novos modelos de negócio no Open Banking

*Por Marcelo Feltrin

SALA DA NOTÍCIA OPUS Software

O surgimento de novos modelos de negócio no Open Banking sempre foi considerado um dos maiores benefícios da implementação do Open Banking, justamente por conta do alto potencial de incentivo à inovação que ele possui.

A ideia central do Open Banking é que os clientes são donos de seus dados bancários/financeiros e, portanto, podem autorizar o compartilhamento dessas informações com outras instituições participantes desse ecossistema, por meio de APIs padronizadas. Essa iniciativa tem sido adotada mundialmente, por meio de órgãos reguladores ou por regulação de mercado, por países como Reino Unido, Austrália, Estados Unidos e China.

Atualmente, o Brasil caminha para a terceira fase de implementação do Open Banking, seguindo um modelo inspirado no UK, porém, com características pioneiras em relação ao escopo de dados. Por aqui, já estamos falando em Open Finance que, além do Open Banking, inclui, no momento, o Open Insurance e o Open Investment.

Por isso, é importante que as instituições participantes entendam que esse momento não é apenas um marco regulatório, mas, sim, uma oportunidade de inovação e criação de novos modelos de negócio no Open Banking.

É claro que as possibilidades de inovação são muitas e não é possível prever com exatidão o futuro do Open Banking, porém, já é possível observar algumas possibilidades, ainda mais observando países que já implementaram essa iniciativa há mais tempo.

Pensando nisso, destaco quatro tendências de novos modelos de negócio no Open Banking que deverão se popularizar ou surgir nos próximos anos.

  1. Customer Centric

O customer centric ou cliente no centro não é um novo modelo de negócio em si, mas uma forma de orientar a tomada de decisões nas empresas, cujo foco passa a ser o cliente e suas necessidades.

Considerando a perspectiva do Open Banking, é interessante abordar esse tema, justamente porque a tendência é de que haverá para as empresas participantes e, portanto, reguladas pelo Banco Central, uma quantidade maior de dados de qualidade disponíveis sobre o comportamento dos clientes.

De acordo com a consultoria Deloitte, os bancos e instituições têm a oportunidade de encarar o Open Banking pelo olhar do cliente, a fim de identificar as necessidades não atendidas e pensar em como esse movimento poderá ser usado para supri-las, gerando mudanças positivas para bancos e consumidores. 

É importante ressaltar que os dados no Open Banking são compartilhados apenas sob consentimento do cliente e que eles devem respeitar as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e da Lei do Sigilo Bancário.

  1. Economia de APIs

No sistema do Open Banking não existe uma única plataforma que poderá ser utilizada por todas as instituições participantes, mas, sim, APIs abertas (Application Programming Interface) – desenvolvidas pelas próprias instituições ou por empresas terceirizadas – que vão permitir a troca de informações e que outras empresas possam desenvolver aplicações conectadas aos sistemas financeiros.

A API Open Banking é uma ponte que permite a comunicação e a troca de informações entre plataformas. Essa “ponte” só funciona porque as APIs são compostas por instruções e padrões de programação que são capazes de absorver informações com linguagem diferentes.

De acordo com a consultoria Gartner, “a API economy pode ser um facilitador para empresas que querem transformar uma organização ou negócio em uma plataforma, que, por sua vez, multiplica a criação de valor, já que permite que os ecossistemas de negócios dentro e fora da empresa cruzem dados entre usuários, facilitando a criação e a troca de bens e serviços, para que todos os participantes do ecossistema sejam capazes de gerar valor”.

  1. Super Apps

De acordo com uma pesquisa realizada pelo banco digital Zopa, atualmente, a maioria dos usuários ingleses utilizam o Open Banking para:

• 34% – Ver todas as contas bancárias em um único lugar;

• 28% – Acompanhar as economias e investimentos;

• 27% – Realizar transações entre contas bancárias e na poupança.

Ou seja, podemos ver com clareza o interesse que há por aplicativos agregadores, justamente por conta da facilidade de realizar várias operações em um único lugar. Esse fato chama atenção para a popularização dos super apps.

No contexto do Open Banking, isso significa que deve se tornar possível reunir, em um mesmo aplicativo, controle de finanças pessoais, acesso a dados bancários, como conta corrente ou cartão de crédito, seguro ou até mesmo fazer a gestão financeira de empresas. As possibilidades são inúmeras.

  1. Tendências de novos modelos de negócios no Open Banking no UK

Por ter sido implementado em 2018, o Open Banking UK é utilizado como referência para entender processos e tendências. De acordo com a pesquisa mencionada anteriormente, atualmente há cerca de 4 milhões de usuários ativos no Open Banking UK.

Nesse sistema, os pagadores recebem uma notificação com o valor devido, o que dá mais visibilidade e controle das finanças pessoais. Enquanto isso, os beneficiários podem acompanhar o andamento de todas as contas e faturas em um único dispositivo, de forma simples e eficiente, o que reduz de forma considerável o tempo que era gasto na busca de faturas vencidas, já que o Open Banking permite uma visão de 360 graus dos pagamentos em uma única plataforma.

A tecnologia do Open Banking também deve substituir os pagamentos BACS, que é o método mais utilizado atualmente no UK, sendo responsável por cerca de 90% de todos os pagamentos mensais regulares, feitos em transação por débito direto, especialmente para folhas de pagamento.
 

Marcelo Feltrin é Head of Business Development da Opus Software


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