23/02/2022 às 11h31min - Atualizada em 23/02/2022 às 13h22min

Veja como a educação tecnológica é a melhor arma contra golpes de falsos consignados

Aprender a identificar sinais de risco é o primeiro passo para se proteger de fraudes financeiras

SALA DA NOTÍCIA Rodrigo de Lorenzi Oliveira
Divulgação

De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), houve aumento de 60% nas fraudes financeiras, sobretudo contra idosos, durante o período de isolamento da Covid-19, especialmente após o crescimento de transações virtuais. Entre as fraudes, o golpe do empréstimo consignado vem crescendo a cada dia e o principal alvo tem sido os aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A maioria dos golpes ocorrem por telefone e por WhatsApp. Para enfrentar essa onda de crimes, especialistas dizem que é preciso investir na educação tecnológica da população.

"A inclusão digital de pessoas mais velhas ou com menos acesso à tecnologia é vital para o crescimento do país, mas somente a inclusão não basta. É preciso educar a população para que saiba identificar possíveis golpes e cortar rapidamente a comunicação com criminosos. Bancos não mandam SMS, não mandam emails, não pedem cópia de documentos, não pedem para que a pessoa informe todos os dados pessoais por telefone. São coisas que no dia a dia parecem óbvias, mas por esquecermos do óbvio é que os golpistas triunfam", analisa Fernando Weigert, diretor da Neoconsig, empresa que desenvolve soluções tecnológicas para instituições financeiras, como uma das maiores plataformas brasileiras de gestão de empréstimos consignáveis.

O telefone celular é a principal ferramenta dos criminosos. Entre os golpes mais comuns, eles oferecem empréstimos com condições vantajosas. Ao convencer o cliente, o procedimento segue com o pedido para que a vítima faça um depósito bancário ou PIX referente a taxas de cadastro ou  antecipação de alguma parcela para que possa liberar o valor acordado. Em outros casos, um falso atendente solicita dados pessoais e financeiros do cliente. Com acesso aos dados, os fraudadores conseguem realizar transações em nome da vítima. 

Esses golpes, desenvolvidos a partir de uma técnica chamada engenharia social, cresceram 165% no primeiro semestre de 2021, em comparação com o semestre anterior, segundo levantamento da Febraban.  Alguns dos golpes aplicados registraram um aumento ainda maior. O truque do falso motoboy (quando criminosos convencem a vítima a compartilhar os dados bancários, o endereço residencial e ainda a entregar o cartão de crédito a um motoboy) cresceu 271%. Já os registros de falsas centrais telefônicas e falsos funcionários cresceram 62%.

"Por meio de WhatsApp e outras ferramentas eletrônicas, os golpistas encontraram uma maneira de se passar por instituições e oferecer soluções rápidas, sem nenhum tipo de entrave, atraindo especialmente pessoas que não têm uma relação próxima com a tecnologia. Para enfrentarmos esse desafio será necessário um esforço conjunto de bancos, financeiras, prestadores de serviços e meios de comunicação. Precisamos educar os clientes a fim de que fiquem mais atentos e entendam quais ferramentas inescrupulosas estão sendo usadas”, diz Paulo Costa, superintendente de TI da Neoconsig.

Entre as soluções apontadas pelos especialistas está a de fomentar o ensino de educação tecnológica nas escolas para as crianças, que podem levar o conhecimento para dentro de casa e compartilhar com pais e avós. Além disso, a sociedade civil e iniciativas privadas podem incentivar, criar e divulgar trabalhos de educação digital para que os usuários desenvolvam habilidades e atitudes que vão além de saber mexer em alguns aplicativos.

Segundo os especialistas, se as instituições e governos não olharem para a realidade do país com mais atenção, os golpistas vão olhar. "Ainda há muita desigualdade quando falamos em inclusão digital. Embora 81% da população brasileira seja usuária da internet, o entendimento das ferramentas é limitado. O resultado disso é a facilidade na hora de enganar as pessoas pedindo senhas, depósitos, se passando por familiares, pedindo números de documentos e uma infinidade de estratégias que vão além de barreiras de proteção técnica", diz Costa.

Caiu no golpe?

O consumidor deve fazer um boletim de ocorrência na polícia civil da sua região. É importante formalizar uma reclamação no Banco Central (através do telefone 145 ou pelo site da instituição) e entrar em contato com seu banco ou financeira a qual pertence o débito do empréstimo consignado. Além disso, o consumidor deve, ainda, formalizar uma reclamação em um órgão de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) ou no Ministério Público.


 
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