20/03/2022 às 13h09min - Atualizada em 22/03/2022 às 16h12min

Ibis Libris Editora lança

Evento faz parte das comemorações dos 22 anos da editora que traz um catálogo de autores e estilos diversos, sob o comando da escritora e editora Thereza Christina Rocque da Motta.

SALA DA NOTÍCIA PAULA MARIA CORREA RAMAGEM SOARES
Paula Ramagem
Divulgação
 
 

Dirce de Assis Cavalcanti lança seu romance "Barulho de cachoeira", que apresenta um 'monólogo interior entre a autora e o seu mundo, vivido e sentido, sem a intervenção da autora, através de explanações e comentários alienados da pura narrativa', segundo Cláudio Murilo Leal, Presidente da Academia Carioca de Letras (RJ).


"Barulho de Cachoeira" será lançado no próximo dia 24 de março (quinta-feira), com a presença da autora, na Livraria da Travessa de Ipanema, e faz parte das comemorações dos 22 anos da Ibis Libris, que traz em seu catálogo os melhores títulos, autores e estilos, nacionais e internacionais, e a confirmação de que a literatura é uma arte que não tem idade, diversa, e que está sempre presente em nossas vivências.


Sobre a autora Dirce de Assis

 
Dirce de Assis Cavalcanti nasceu em Castro, Paraná, onde seu pai, Dilermando de Assis, era, na época, Comandante Militar. É autora, em poesia, de Instantâneos (Achiamé, 1983), Kawabata e eu & Penúltimos poemas (2005), O livro dos mistérios (2006), A pele das palavras (2008), As linhas do vento (2010) e Canto liso (2013), pela 7Letras, e Em carne viva (2013), Dia a dia (2016) e Fragilidades (2018), pela Ibis Libris. Em prosa, publicou O Pai (Casa Maria, 1990 e Ateliê Editorial, 1998, tendo sido impressa a 6ª edição em 2013), O Velho Chico ou A vida é amável (1998), Histórias de banheiro (2010), pela Ateliê Editorial, e De morte e outras histórias (2015) e A China: Ecos de uma viagem (2017), pela Ibis Libris. Foi eleita, por unanimidade, para a Academia Carioca de Letras, em 2016. É casada com Geraldo de Holanda Cavalcanti, escritor e tradutor, ex-presidente da ABL.


Trecho do texto de contracapa de Thereza Christina Rocque da Motta

 
A memória é o subterfúgio da existência. Somos aquilo que lembramos. O diálogo interior cria um exercício de nos lembrarmos de nós mesmos, onde estivemos, aonde fomos, o que fizemos, o que deixamos para trás, cascas de uma antiga vida que abandonamos. Somos os que trouxemos por todas as portas que atravessamos. A cada manhã, temos mais uma chance de viver o que ainda não foi vivido. Mesmo que apenas em pensamento. Escrever traça um arco de possibilidades. Determinamos um ponto de partida e deixamos fluir tudo o que nos vem à cabeça. Como a água da cachoeira que escorre pelas pedras e cai de uma altura impensável, precipitando-se antes mesmo de concluir sua frase. Dirce de Assis Cavalcanti surpreende pela fluidez com que expressa suas ideias para decifrar o que está à sua volta. Não é ela quem determina seu destino, mas ela o vive, apesar disso. É preciso aceitar o imponderável. Como água que desliza para seu salto fatal. E, produz, no tumulto de ideias, um inconfundível barulho de cachoeira.
 

Trecho do romance “Barulho de cachoeira”, de Dirce de Assis Cavalcanti

 
A mãe viajava muito. A trabalho. E não sabia cozinhar. Quando voltava das longas viagens, trazia brinquedos diferentes, grandes bebês de camisolas bordadas, quase humanos. Sempre gêmeos. Para não haver brigas, o meu e o teu: iguais. Como os vestidos para as meninas, os presentes também tinham que ser perfeitamente iguais, assim nem um, nem outro poderia ser melhor. Ou diferente. Ou mais bonito. E, para o menino, trens elétricos que ocupavam toda a sala, de parede a parede, descarrilando nas curvas, impedindo a passagem e o funcionamento do aspirador. A empregada, aborrecida, resmungava, se queixando. O trem ficava sempre armado na sala, atrapalhando a limpeza. E a passagem.

Na parede de cor creme, Ela projetava diapositivos, fotos tiradas nas viagens. Mostrava cidades estranhas, paisagens diferentes, brancas de neve. Fotos dela rindo para o fotógrafo desconhecido, oculto por trás da câmara. E cartões postais de quadros antigos, obras de arte de museus estrangeiros.

Os meninos vizinhos vinham ver também. Sentavam-se no chão de pernas cruzadas e ficavam olhando para as imagens de luz que surgiam amareladas, projetadas na parede creme, parecendo também fotos antigas. Os meninos ficavam rindo quando aparecia um quadro de mulher nua, ou uma estátua de homem sem cueca. Os sexos das estátuas se insinuavam sob uma folha de parreira, feita de gesso: pudicícias do Vaticano. Folhinhas de gesso ocultavam o sexo perigoso das estátuas. Para despi-las, para tirar as folhinhas, só à picareta. E eles riam desabusados, com cara de safados, às vezes, escondendo o riso atrás das folhas das mãos. Como se a mão fosse também folha de cinco pontas escondendo as safadices. As ideias e os pensamentos safados. As picaretagens dos meninos.
 

Ficha técnica / Serviço

Livro: “Barulho de cachoeira”

Autora: Dirce de Assis Cavalcanti    

ISBN 978-65-89331-29-2

Preço de capa: R$ 40,00

Romance

184 p.

14x21cm

Brochura

Crédito foto: Júlio Pereira

Site: https://www.ibislibriseditora.com.br/barulho-de-cachoeira---dirce-de-assis-cavalcanti/p

Instagram: @ibislibris

Twitter: @ibislibrised

Email: contato@ibislibriseditora.com.br
 
Assessoria de Imprensa: Paula Ramagem e Arte Cult

Lançamento: 24 de março de 2022 às 19h

Local: Livraria da Travessa Ipanema

Rua Visconde de Pirajá, 572 -  Ipanema - RJ

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »