23/03/2022 às 18h06min - Atualizada em 24/03/2022 às 06h20min

Disfagia afeta jovens e idosos e é mais que um mero incômodo; saiba como identificar

Frequente na terceira idade, condição pode se agravar caso não seja tratada e até provocar a morte do paciente

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Dificuldade para engolir é coisa muito séria. Ela é o principal sintoma da disfagia, um distúrbio caracterizado pela alteração no transporte dos alimentos da boca até o estômago, que também provoca dor ao engolir, tosses e engasgos frequentes durante e após as refeições, sensação de alimento parado na garganta e perda de peso. Quando não tratada adequadamente, a disfagia pode se agravar e até levar o paciente à morte.
A literatura médica aponta que a disfagia atinge de 16% a 22% da população mundial acima dos 50 anos, índice que pode chegar a 90% no caso da parcela mais idosa. Como ela se trata de uma manifestação de um problema maior, é observado que, entre os fatores de risco, estão doenças neurológicas, cardiorrespiratórias, infecções, tumores, prematuridade, câncer de cabeça ou pescoço, acidente vascular cerebral (AVC), traumas na boca ou garganta, uso de determinados medicamentos e intubação orotraqueal prolongada ou traqueostomia.
Segundo o doutor Celso Santos Júnior, presidente do Conselho Regional de Fonoaudiologia – 3ª Região (CREFONO3), que atua no Paraná e em Santa Catarina, existem dois tipos de disfagia, que em suas definições levam em consideração a parte do esôfago afetada. “A disfagia orofaríngea – ou disfagia alta – provoca dificuldades para iniciar a deglutição, tais como a regurgitação nasal, a fala anasalada, o engasgamento e o mau hálito. Já a disfagia esofágica (ou baixa) dá a sensação de retenção de alimentos no esôfago e, por poder apresentar dor torácica, acaba sendo constantemente confundida com alterações cardíacas – daí a necessidade de uma avaliação médica minuciosa”, explica o presidente do CREFONO3. Essa análise é realizada pelo profissional da fonoaudiologia por meio de avaliação clínica e exame por imagem, o videodeglutograma.
Os casos mais severos de disfagia podem evoluir para um quadro de desidratação ou desnutrição, o que torna ainda mais preocupante a identificação do problema no público mais idoso, parcela mais frequentemente atingida pela condição. Sem contar a possibilidade de aspiração de alimentos e saliva ao pulmão, que pode provocar uma séria pneumonia.
Como forma de alertar a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce e tratamento da condição para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, em Março foi estabelecido um Dia Nacional de Atenção à Disfagia – que, neste ano, dá o pontapé inicial para a Semana de Prevenção da Disfagia.
“É uma ação importantíssima para levar ao conhecimento público informações que ajudem a identificar a disfagia. Além disso, é uma grande oportunidade para orientar a população sobre como procurar uma avaliação e diagnóstico adequados – junto ao profissional de fonoaudiologia – visando a adoção de abordagens que irão melhorar a alimentação do paciente e, consequentemente, suas condições gerais de saúde”, orienta o Dr. Celso Santos Júnior.
O presidente do CREFONO3 salienta que a atuação de uma equipe multidisciplinar é favorável para a identificação rápida do problema e para a adoção de condutas conjuntas que irão facilitar o controle da disfunção. “O tratamento consiste na realização de exercícios que irão fortalecer a musculatura orofacial, bem como na alteração da consistência, temperatura e volume das comidas e bebidas ingeridas. De acordo com a necessidade, o paciente é encaminhado para médicos de outras especialidades, como neurologista, nutricionista, otorrino e fisioterapeuta. Alguns casos exigem a passagem para a alimentação via sonda nasogástrica ou mesmo cirurgia para auxiliar o tratamento”, conclui o Dr. Celso.
Como explica o fonoaudiólogo, essa abordagem com profissionais de diferentes áreas previne complicações mais graves, reduz a morbidade e a mortalidade da doença e diminui o tempo de ocupação de leitos no caso de pacientes internados, impactando até mesmo nos custos hospitalares.

SOBRE O CREFONO3
O Conselho Regional de Fonoaudiologia - 3ª Região (CREFONO3), atuante no Paraná e em Santa Catarina, constitui, em conjunto com o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), uma autarquia federal. É responsável por zelar pelo cumprimento das leis, normas e atos que norteiam o exercício da fonoaudiologia, a fim de proteger a integridade moral da profissão, dos profissionais e dos usuários diretos.
Ao zelar pelo exercício regular da profissão, o CREFONO3 protege o fonoaudiólogo daqueles que exercem inadequadamente ou ilegalmente a profissão, além de proporcionar melhores condições para que a população tenha um atendimento adequado ao consultar o profissional.
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