25/03/2022 às 17h05min - Atualizada em 26/03/2022 às 06h22min

Cartão TOP dificulta vida e afeta segurança dos usuários de trens

*Por José Claudinei Messias, presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana

SALA DA NOTÍCIA Fernanda de Souza Martins
Desde que começou a operar em São Paulo, o sistema TOP de cartões eletrônicos apresenta diversos problemas – desde o funcionamento da rede até a compra do bilhete, que passa sempre por instabilidades e tem máquinas que não funcionam corretamente.
Agora, além das dificuldades “normais” sofridas pelos passageiros, também surgiram os problemas de segurança para quem usa o bilhete em QRCode pelo celular: em algumas estações, os usuários têm sido furtados ou roubados enquanto se preparam para passar pela catraca.
A falta de segurança é desafio antigo nas estações de trem. Os relatos de assaltos e violência nos vagões, estações e arredores são recorrentes e vêm aumentando mesmo com o uso da tecnologia para facilitar o dia-a-dia da população. Claro que segurança não é de responsabilidade direta do sistema TOP. No entanto, o índice de crimes poderia ser menor se o equipamento funcionasse e se todas as bilheterias operassem normalmente. O fato é que foi prometido um serviço de primeiro mundo, mas a realidade é muito diferente.
O perigo enfrentado pelos usuários dos cartões eletrônicos é o mesmo dos passageiros e funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e, agora, também da ViaMobilidade – atual responsável pelas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. O efetivo de segurança nas estações não é suficiente e pode atuar somente no espaço sob responsabilidade da empresa. Ou seja, o entorno fica ao popular “Deus dará”, tendo, em raras ocasiões, rondas policiais para coibir a ação de criminosos.
Devemos lembrar que o efetivo de segurança das estações de trens não dispõe de todos os equipamentos necessários e, na prática, não pode fazer muito para repreender a ação dos suspeitos ou mesmo retê-los – função que cabe à autoridade policial.
Há muito tempo, o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana alerta para a necessidade de aumento da segurança de passageiros e funcionários. Retirar as bilheterias não contribui para esse processo. Pelo contrário, é um gatilho a mais para a violência, uma vez que as estações ficam mais vazias e com menos funcionários.
Como entidade de defesa dos direitos dos ferroviários, mas também preocupada com os usuários, seguimos trabalhando para que as bilheterias não sejam fechadas e que todos tenham a segurança necessária para se locomover em paz e com tranquilidade.
 
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