30/03/2022 às 14h42min - Atualizada em 30/03/2022 às 20h51min

Dois anos depois, como a pandemia mudou os professores no Brasil

Necessidade de distanciamento social acelerou mudanças na dinâmica de sala de aula e criou novos desafios para quem interage com os alunos

SALA DA NOTÍCIA Leticia Leal

A OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou em 11 de março de 2020 o início da pandemia do novo coronavírus. Desde então, foram mais de 452 milhões de casos e 6 milhões de mortes em todo o mundo, a despeito do avanço das taxas de vacinação. Agora, com o arrefecimento das medidas de distanciamento social em todo o país e com o retorno de aulas presenciais na maior parte das instituições de ensino, as perguntas que ficam são: O que aprendemos nos últimos dois anos? Como isso alterou o perfil dos nossos professores? 

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Península com 3,8 mil professores de todo o Brasil mostrou o tamanho da mudança. Entre abril e maio de 2020, ainda nos primeiros meses da pandemia, 83% dos docentes disseram que não estavam preparados para o uso da tecnologia. Em agosto, esse número havia caído para 49%. Em contrapartida, o percentual dos que enxergavam a tecnologia como aliada importante no processo de aprendizagem subiu de 57% para 94% no mesmo período.

Outro ponto é que, até o início da pandemia, o uso de tecnologia em sala de aula tinha a ver com um ganho de performance no aparato que os professores já aproveitavam. O projetor de slides aumentou as possibilidades de exposição para os estudantes, por exemplo, mas não interferiu na dinâmica ou na fluidez narrativa. Os docentes seguiram controlando o ritmo e o nível de interação entre alunos e conteúdo.

A questão é que esse modelo já vinha em crise antes mesmo do novo coronavírus. As gerações mais novas - sobretudo as que nasceram depois da metade dos anos 1990 - têm caminhos diferentes para o aprendizado e o consumo de conteúdo. A leitura tornou-se menos linear, e a interação é praticamente indissociável das publicações. Com os recursos disponíveis antes da pandemia, porém, nada disso era cabível em salas de aula.

Aí entra um segundo aspecto fundamental de qualquer olhar para o que aconteceu nos últimos dois anos. A pesquisa “O que pensam os professores brasileiros sobre a tecnologia digital em sala de aula”, feita pelo movimento Todos Pela Educação, revelou que mais da metade (55%) dos professores da rede pública brasileira utilizam tecnologia regularmente em sala de aula e que 54% gostariam de usar ainda mais. Para 66% dos professores, o que mais dificulta a adoção de recursos tecnológicos é a falta de equipamentos.

A necessidade de distanciamento social depois da aparição do novo coronavírus, portanto, acelerou o convencimento de professores sobre possíveis ganhos da tecnologia e mostrou a importância de uma política voltada a democratizar o acesso a recursos tecnológicos no setor educacional em âmbito nacional.

Soluções para o ensino híbrido ou remoto ajudam a universalizar o acesso à educação, diminuindo o uso da rede de transporte. Além disso, criam um novo universo de possibilidades para os professores, que podem explorar novas linguagens e camadas na comunicação com seus alunos.

O legado da pandemia no setor educacional passa por uma mudança no comportamento dos professores e pela escancarada necessidade de investimento em conectividade para toda a população, mas o terceiro ponto é o mais transformador: ao buscar soluções que mudam a dinâmica na sala de aula e reduzem limites entre presencial, híbrido e remoto, as instituições puderam revolucionar todo o processo de ensino. Nesse contexto, os dois últimos anos foram apenas o começo de uma longa jornada de construção e descoberta nas salas de aula do país.


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