28/07/2022 às 23h26min - Atualizada em 29/07/2022 às 00h42min

Claudia Carletto, ex-secretária municipal de Direitos Humanos da Prefeitura de SP, visita Rio Preto

Natural de Santa Adélia, no interior de SP, a jornalista construiu sua carreira profissional na capital paulista.

Harley Pacola
Arquivo Pessoal
A jornalista Claudia Carletto esteve em São José do Rio Preto na última segunda-feira, dia 25. Ela esteve na cidade a convite do vereador Renato Pupo (PSDB). Durante a visita, ela participou de reunião com membros do movimento LGBTQIA+ e conversou com moradores da periferia. Ao lado de Carlos Ricceli, organizador da Parada LGBTQIA+ de Rio Preto, ambos participaram do programa Morada Agora, da TV Morada do Sol, canal 43.1, apresentado pelo jornalista Raphael Ferrari. 

Claudia Carletto é jornalista formada pela Cásper Líbero, pós-graduada em Marketing Político pela ECA-USP e mestre em Cidades Inteligentes e Sustentáveis pela UNINOVE. Filiada ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Claudia é natural de Santa Adélia, no interior de SP.

Foi secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo de dezembro de 2019 e abril de 2022 e, anteriormente, secretária-executiva adjunta de Políticas para Mulheres na mesma secretaria (2018-2019). Neste período, num cenário de pandemia, esteve sob sua responsabilidade, entre outras atribuições, a estruturação e ampliação do atendimento de toda a rede de apoio para mulheres vítimas de violência doméstica na capital paulistana – para que se tenha uma ideia, somente em 2021, a Prefeitura de São Paulo registrou mais de 42 mil atendimentos em seus postos de acolhimento, um aumento de 75% em relação a 2020.

Claudia começou a exercer sua atividade política em 2005, na então recém-criada Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de São Paulo, a partir de quando passou a fazer parte da assessoria da ex-deputada federal e agora senadora Mara Gabrilli, trabalhando até 2012 como sua chefe de gabinete na Câmara Federal. Atuou como diretora de Comunicação da Assembleia Legislativa de São Paulo (2015-2016), quando reformulou as atividades da TV Alesp, revendo a grade de programação para um foco na prestação de serviços ao cidadão. Foi chefe de gabinete na Câmara Municipal de São Paulo entre 2017 e 2018. 

Uma das bandeiras de Claudia Carletto é combater as desigualdades sociais e lutar pelos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade. Confira abaixo a entrevista completa concedida ao Portal RP News:

Harley Pacola - Qual a lição você tira sobre os desafios mais duros durante os dois anos de pandemia atuando de frente com os problemas da sociedade mais vulneráveis?

Claudia Carletto - Interessante esta pergunta, porque, em meus 15 anos fazendo política foi justamente neste cenário de pandemia que vivenciei meu maior desafio. Pouco mais de três meses depois de assumir a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da capital, a Covid-19 aconteceu impactando o mundo todo, e as medidas de restrição trouxeram novos desafios, especialmente a uma metrópole como São Paulo. Naquele período, a atuação da Secretaria voltou-se especialmente para garantir segurança nutricional e alimentar às milhares de pessoas que viviam nas ruas ao mesmo tempo em que era necessário criar mecanismos capazes de proteger os direitos de vítimas de violência agora restritas aos espaços domésticos e ao escasso convívio social. Por exemplo, no momento em que fechou a cidade, a população de rua começou a passar fome. Criamos o Rede Cozinha Cidadã PoPRua, iniciativa com o objetivo de oferecer refeições a pessoas em situação de rua ao mesmo tempo que contribuía para a manutenção dos restaurantes afetados pelas medidas emergenciais. Pesquisa sobre o impacto da medida entre os restaurantes cadastrados apontou que 70% destes estabelecimentos só conseguiram manter o negócio graças aos recursos do Programa Cozinha Cidadã. Ainda na questão alimentar, de uma forma mais ampla, fizemos por meio do programa Cidade Solidária um trabalho de segurança alimentar e enfrentamento à fome importantíssimo. Mais de 6 milhões cestas básicas e 8,1 milhão de refeições foram distribuídas no período em que estive à frente da Secretaria de Direitos Humanos, direcionando-os a distribuição destas cestas aos mais vulneráveis – de pessoas em situação de extrema pobreza e pobreza, catadores, artesão e demais profissionais que viram sua renda desabar durante a pandemia - por meio de uma tecnologia social inovadora, fazendo parceria com entidades e mapeamento na ponta, onde estas cestas eram mais necessitadas. O aprendizado que ficou é que em momentos de adversidade somos impulsionados a criar soluções inovadoras; que existe muita gente interessada em ajudar, basta que criemos as pontes e que é possível ajudar mais as pessoas com uma política propositiva, sobretudo quando se tem um líder que tenha interesse e preocupação pela cidade acima de seus próprios. Falo do prefeito Bruno Covas.

Harley Pacola - Você atua desde 2005 no setor público, como foi seu trabalho junto com a senadora Mara Gabrilli e na secretaria de Direitos Humanos e Cidadania?.

Claudia Carletto - Convivo com os desafios impostos pela sociedade às pessoas mais vulneráveis desde que ingressei na vida pública, vendo de perto, junto à Mara, as diversas formas que uma pessoa pode ser violentada. Sempre entendemos que aqueles que têm menos merecem ser vistos, precisam ser atendidos em suas necessidades e esse é o papel dos gestores, com apoio do cidadão comum. Acredito que cada um deve fazer sua parte, e isso passa pelo engajamento com causas que a pessoa acredita, para somar esforços com quem batalha pelo mesmo. Quanto mais gente atuando em conjunto, maior a visibilidade, o poder de luta. Mara Gabrilli é uma pessoa muito inspiradora e consciente dos vários desafios que nós, mulheres, enfrentamos diariamente, inclusive no meio político. Ela é incansável, e sempre foi muito generosa em oferecer espaço para eu apresentar minhas opiniões, além de ideias que poderiam se transformar em projetos úteis a sociedade. Nossa atuação sempre foi centrada no bom uso das informações disponíveis para promover as melhores políticas públicas, focadas em necessidades reais e de forma integrada entre as diversas áreas de vida. Ao lado da senadora, fiz uma verdadeira imersão em pautas sensíveis às pessoas com deficiência, e essa experiência, somada à inha atuação na Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania me fez sentir que é hora de dar um passo à frente, com o apoio de Mara Gabrilli. Quero representar as vozes que buscam mais oportunidades, mais solidariedade.

Harley Pacola - De que maneira o cidadão comum pode mudar a realidade em que vive?

Claudia Carletto - Eu acredito que o instrumento universal e primeiro é o voto. Votar de formar consciente é essencial e não termina no dia das eleilções, pois é importante acompanhar o desempenho de quem elegemos. Felizmente hoje isso é possível de várias formas, e temos inclusive meios de comunicação comprometidos em divulgar de forma transparente ações e intervenções que afetam diretamente esse cidadão comum.

Harley Pacola - Quais são suas bandeiras de lutas que pretende levar em todos os lugares que passar?

Claudia Carletto - Defendo que lugar de mulher é onde ela quiser. Já passou da hora de suportarmos caladas qualquer forma de discriminação e acredito que precisamos buscar garantias para que mulheres sintam-se seguras e reconhecidas em seus meios de trabalho, nas ruas, nos equipamentos de saúde e quando buscam seus direitos.

 Harley Pacola - O que mais te marcou na sua passagem pela secretaria de Direitos Humanos?

Claudia Carletto - A oportunidade de traçar o perfil socioeconômico das mulheres vítimas de violência doméstica na cidade de São Paulo. Como muitas outras questões, essa situação se agravou com a pandemia do Covid-19 e foi chocante observar o quanto a violência contra a mulher é universal, no pior dos sentidos. Os crimes contra a integridade da mulher estão em todas as esferas, e foi preciso que nos debruçássemos sobre os números para enfrentar esse importante problema de saúde e segurança pública, que afeta ainda a economia e pode marcar de forma traumática famílias inteiras, chegando por vezes a mais de uma geração. Sabemos que a violência contra a mulher tende a aumentar, e insisto que não ignoremos nem aquele que muitos dizem ser "apenas" violências menores. Listamos 27 ciclos de violência para ajudar a mulher a reconhecer o sinal mais mínimo e buscar ajuda no melhor momento para evitar desfechos piores. Esses ciclos podem começar com piadas ofensivas e terminar em mutilação e morte. É importante, porém, que tenhamos em mente que não há regras ou padrões estabelecidos, e não é possível prever os próximos passos de uma pessoa que agride uma mulher. É preciso agir, repito, ao menor sinal de violência.
 
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