03/08/2022 às 13h01min - Atualizada em 04/08/2022 às 00h41min

O papel da escola como ferramenta de combate a discriminação racial

A educação antirracista no desenvolvimento de alunos para vivências multiculturais e o enfrentamento do preconceito étnico-racial

SALA DA NOTÍCIA Laise Alves
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A educação, enquanto formadora de caráter, possui um papel fundamental na busca por meios de fazer com que os alunos, professores, pais e comunidade escolar como um todo compreendam melhor sobre pautas étnico-racial, visando conhecer as causas e as consequências que estão atreladas ao preconceito. 

No Brasil e no mundo, o racismo é um tema complexo que está presente em todas as esferas da nossa sociedade. Mesmo com todos os avanços no combate a discriminação racial e com as leis implementadas para ações afirmativas de inclusão e diversidade, ainda assim somos impactados diariamente com notícias de crimes contra a população negra. 

Analisando de todas as formas as iniciativas contra a discriminação, qual seria o papel da escola no combate ao preconceito?
A escola diante desta realidade tem o papel fundamental na construção, formação e desenvolvimento dos alunos em cidadãos conscientes com deveres e direitos enquanto cidadão, além disso, ela é uma das principais ferramentas para reprodução do racismo como também  para o enfrentamento, principalmente em promover vivências na cultura afrodescendente.

Para a CEO da Ebony English, escola pioneira no ensino de idiomas com base na cultura afro diáspora, Marta Celestino, afirma o quão a importância de trazer temas sociais e culturais da história afro para debates em salas de aulas. 

“É necessário uma abordagem de mais ações para mudar as práticas de invisibilidade a diferentes povos que permeiam na sociedade. O ambiente escolar é um espaço para socialização, de ter interações, trocas explícitas de vivências, mas também é um dos principais aliados para lutar contra o racismo. As ações contra o preconceito não só devem ser apenas aplicadas em épocas comemorativas de valorização do povo negro, mas utilizar o ano letivo para praticas de diversidade, levantando questionamentos dos principais assuntos que ronda a nossa sociedade. É preciso discutir sobre o racismo estrutural e consequentemente sobre privilégios”. 

Outra iniciativa diante desse conceito está na prática da educação antirrascista, que é sobretudo pequenas ações que ajudam a construir uma educação multicultural e universal, capaz de formar pessoas com muito mais respeito à diversidade e que contemple todas as vertentes da ancestralidade.  

Segundo a legislação brasileira lei nº 9.394, sancionada em 20 de dezembro de 1996, que estabelece como base da educação nacional a inclusão de obrigatoriedade da temática da cultura afro-brasileira na grade curricular da educação básica em sua totalidade representou um grande avanço para participação de negros na formação da nossa cultura nacional. 

“Precisamos desestruturar a história do nosso país na visão dos colonizadores, assim como trazer as referências negras na abordagem de todas as áreas de conhecimento. Temos repertório para isso, como também temos conteúdos que precisam ser mais aprofundados”, afirma Marta.

Ou seja, a educação antirracista vai muito além de aplicação da lei, é preciso compreender a sua importância e viabilizar para que todos da comunidade escolar tenha acesso a informação da cultura afro e construam um ambiente escolar mais diverso e universal. 
 
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