PUBLICIDADE

[labads id='2']

Pix por Aproximação: Um Ano de Desafios e Potencial na Evolução dos Pagamentos Digitais

Teste Compartilhamento
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Há exatamente um ano, o Pix por aproximação chegava ao cenário financeiro brasileiro com a promessa de revolucionar ainda mais a experiência dos pagamentos instantâneos. Nascido da bem-sucedida plataforma Pix, que transformou a forma como milhões de brasileiros transferem e recebem dinheiro, a modalidade por aproximação buscava adicionar uma camada extra de agilidade e conveniência, espelhando a praticidade dos cartões contactless. Contudo, apesar do enorme sucesso de seu irmão mais velho, o primeiro aniversário da funcionalidade revela um paradoxo: uma adesão ainda tímida por parte do público, que contrasta com um potencial de crescimento expressivo, especialmente no ambiente corporativo e em estabelecimentos de alto fluxo.

Um Aniversário com Desafios: A Adesão Tímida da Aproximação

As estatísticas mais recentes do Banco Central (BC), referentes a janeiro, são um reflexo claro desse cenário. Em um universo de 6,33 bilhões de transações Pix realizadas no mês, apenas 1,057 milhão (ou cerca de 0,01% do total) foram efetuadas via aproximação. O valor movimentado por essa modalidade alcançou R$ 568,73 milhões, que, embora significativo em números absolutos, representa apenas 0,02% dos R$ 2,69 trilhões totais transacionados pelo Pix no mesmo período. Esses números mostram que, em seu primeiro ano, o Pix por aproximação ainda luta para ganhar escala e se firmar como uma opção preferencial entre os usuários, que já estão habituados à rapidez das chaves e dos QR Codes.

Por Dentro da Tecnologia: Como o Pix por Aproximação Simplifica Pagamentos

O conceito por trás do Pix por aproximação é a simplicidade. Utilizando a tecnologia Near Field Communication (NFC) presente na maioria dos smartphones modernos, a transação é concluída ao aproximar o aparelho de uma maquininha de cartão compatível ou até mesmo de uma tela de computador, em caso de compras online. A grande vantagem é a agilidade: enquanto o Pix tradicional exige a abertura do aplicativo bancário, inserção de chave ou leitura de QR Code e digitação de senha, a modalidade por aproximação reduz esses passos, aproximando a experiência de pagamento daquela já conhecida dos cartões de crédito e débito contactless. Essa facilidade é particularmente visada para comércios com grande volume de vendas, onde a velocidade no caixa é crucial para a satisfação do cliente e a eficiência operacional.

Segurança em Primeiro Lugar: Os Limites e a Confiança do Usuário

Um dos pontos que, segundo especialistas, pode ter influenciado a adesão mais lenta são as rigorosas medidas de segurança impostas pelo Banco Central. Para mitigar riscos de fraudes e golpes, o BC estabeleceu um limite padrão de R$ 500 para cada transação via Pix por aproximação quando o pagamento é feito por meio de carteiras digitais como o Google Pay. Essa restrição, embora visando a proteção dos usuários – especialmente contra criminosos que poderiam usar maquininhas adulteradas –, pode gerar uma percepção de limitação. No entanto, é importante ressaltar que quando a transação é realizada diretamente pelos aplicativos das instituições financeiras, os correntistas têm a flexibilidade de alterar esses limites, diminuindo o valor por transação ou estabelecendo um teto diário, garantindo maior controle sobre suas finanças.

Crescimento Lento, Mas Constante: O Potencial de Expansão

Apesar da baixa representatividade no volume total do Pix, há sinais de que o Pix por aproximação está em uma trajetória ascendente. Gustavo Lino, diretor executivo da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), destaca que, embora as restrições de segurança e os limites operacionais tenham tornado a adesão inicial mais gradual, os últimos meses revelam uma tendência de expansão, sobretudo entre empresas. A evolução é notável: de meras 35,3 mil transações em julho de 2023 (cinco meses após o lançamento), o número saltou para mais de 1 milhão em novembro do mesmo ano. Os valores movimentados também apresentaram crescimento exponencial, passando de R$ 95,1 mil em julho para expressivos R$ 133,151 milhões em dezembro, indicando que a modalidade está, aos poucos, encontrando seu nicho.

O Uso Corporativo como Vetor de Adoção

Para Lino, o potencial é imenso, e a chave para o avanço está na consolidação da oferta por parte do comércio e das empresas. Ele vislumbra o Pix por aproximação como uma solução ideal para pontos de venda com grande fluxo de pessoas, onde a redução do tempo de fila é um diferencial competitivo. No ambiente corporativo, por exemplo, em cenários onde uma filial precisa transferir recursos para a matriz, o desenvolvimento de jornadas de pagamento específicas e otimizadas pode ampliar consideravelmente o interesse e a adoção. Essa integração mais profunda nos processos empresariais, sempre com a preservação dos controles de segurança, pode ser o catalisador que a modalidade precisa para decolar de vez.

O Alerta do Pix no Crédito: Cuidado com os Juros

É fundamental que o usuário esteja atento a uma particularidade que, por vezes, se confunde com o Pix por aproximação puro: as ofertas de Pix no Crédito. Embora a funcionalidade de aproximação possa ser utilizada para esses pagamentos, ela é apenas a forma de iniciar a transação. O Pix no Crédito, ou Pix Parcelado (mesmo que o BC tenha desistido de regulamentar esta última nomenclatura), é uma modalidade financeira que permite ao pagador usar o cartão de crédito para fazer um Pix, gerando uma dívida parcelada junto à instituição financeira. Nesses casos, a cobrança de juros e tarifas é uma realidade, e o consumidor deve estar plenamente ciente dos custos envolvidos para evitar surpresas no planejamento financeiro. A conveniência não deve vir desacompanhada da responsabilidade e da informação clara.

Ao completar um ano, o Pix por aproximação reitera a constante evolução do sistema de pagamentos brasileiro. Seus desafios iniciais não obscurecem o potencial de se tornar uma ferramenta valiosa para a agilidade no comércio e a eficiência corporativa. É um lembrete de que a inovação leva tempo para amadurecer e ser plenamente absorvida, mas a jornada rumo a um futuro de pagamentos cada vez mais rápidos e integrados continua. Para ficar por dentro de todas as novidades e análises aprofundadas sobre o mundo financeiro, tecnologia e outros temas relevantes, continue acompanhando o RP News. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e que realmente importa para você.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE

[labads id='3']