Um promotor de São Paulo, especialista no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), aponta a falta de coordenação entre as forças de segurança brasileiras como um entrave crucial no enfrentamento ao narcotráfico. Segundo ele, disputas institucionais entre polícias e o Ministério Público (MP) impedem a criação de uma atuação integrada e cooperativa.
A avaliação foi feita durante uma sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Crime Organizado no Senado. O promotor, que vive sob ameaça de morte pelo PCC, alertou que o Brasil corre o risco de se tornar um narcoestado, com facções infiltradas na economia formal, utilizando fintechs, apostas online e criptomoedas para lavagem de dinheiro.
Ele defende que endurecer as penas não é suficiente, criticando o projeto de lei (PL) Antifacção por não diferenciar claramente as lideranças dos membros de menor hierarquia do crime organizado. A polarização política entre diferentes governos também foi apontada como um fator que dificulta a integração das forças de segurança.
O promotor citou operações bem-sucedidas, como a Carbono Oculto, mas ressaltou que elas ocorrem mais por iniciativa de servidores do que por uma integração estruturada entre as instituições. Ele propôs a criação de uma Autoridade Nacional para combater o crime organizado, com representantes de todas as polícias e órgãos do Estado, visando garantir a continuidade da política de segurança.
O promotor enfatizou que o PCC está presente em todas as unidades da federação e em pelo menos 28 países, com um crescimento exponencial de sua receita nos últimos anos. Ele citou o caso de empresas de ônibus em São Paulo, controladas pelo PCC, que faturavam milhões da prefeitura. Segundo ele, o crime organizado se infiltra no Estado por meio de contratos, principalmente em prefeituras, após financiar campanhas políticas.
A infiltração no sistema financeiro, por meio de fintechs, criptomoedas e jogos de apostas online, é uma das principais preocupações do promotor, que criticou a falta de regulamentação e fiscalização desses setores. Ele também expressou preocupação com a mudança realizada no PL Antifacção, que retirou os homicídios realizados por membros de facção do Tribunal Popular do Júri.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br