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Rádio UFRJ FM entra no ar, consolidando quase 40 anos de ativismo pela comunicação pública no Grande Rio

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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A paisagem sonora do Grande Rio de Janeiro ganhou uma nova e significativa voz nesta sexta-feira (3) com a inauguração da Rádio UFRJ FM, na frequência 88,9 MHz. Mais do que a simples ativação de uma emissora, o evento marca a coroação de uma jornada de quase quatro décadas, permeada por idealismo, ativismo estudantil e uma persistente luta pela comunicação pública e democrática em um dos maiores centros urbanos do país. A chegada da rádio universitária ao dial carioca promete enriquecer a oferta de conteúdo, pautando-se na divulgação científica, cultura independente, notícias aprofundadas e debates cruciais para a sociedade.

Com uma programação diversificada e cuidadosamente pensada, a Rádio UFRJ FM se propõe a ser um espaço de fomento ao conhecimento e à cultura. Os ouvintes podem esperar uma curadoria musical que valoriza a música independente brasileira, conteúdos voltados ao público infantojuvenil, a disseminação de descobertas e pesquisas científicas, e uma cobertura jornalística que transcende o factual, buscando a contextualização dos eventos. Blocos da Rádio MEC AM, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), parceira essencial neste projeto, também integrarão a grade, reforçando o compromisso com a radiodifusão pública de qualidade.

Uma Luta que Começou na Base Estudantil

A história da Rádio UFRJ FM é indissociável da paixão e resiliência de um grupo de estudantes que, em 1989, deu vida à Rádio Livre. Um dos protagonistas dessa saga é o professor da Escola de Comunicação Marcelo Kischinhevsky, hoje diretor da emissora. Ele recorda os primórdios, quando, aos 20 anos, ao lado do estudante de engenharia Leonardo Pinheiro, montou um pequeno transmissor em uma caixa de sapatos. A programação, gravada em fitas cassete, ecoava do centro acadêmico, simbolizando a efervescência do ativismo estudantil e a busca por um canal de expressão genuíno. Três anos depois, rebatizada como Rádio Interferência, a emissora ampliou sua potência, mas essa expansão culminou em sua criminalização.

Por duas décadas, a rádio operou na clandestinidade, até ser fechada pela polícia sob a acusação de ser “pirata”, inclusive com alegações de interferência em frequências aeronáuticas – um episódio que, paradoxalmente, abriu a discussão sobre a necessidade de um canal legal. Somente em 2014, após anos de mobilização e com a mediação fundamental do Ministério Público Federal e uma reorganização complexa do dial carioca, a UFRJ finalmente obteve uma concessão de canal FM, em parceria com a EBC. Durante este período de transição e reestruturação, a rádio funcionou majoritariamente na internet e como laboratório a partir de 2019, mantendo a chama acesa enquanto aguardava a permissão para operar em plena capacidade.

Voz Pela Pluralidade e Contra a Desinformação

A inauguração da Rádio UFRJ FM adquire um significado ainda maior no cenário atual da comunicação brasileira. Para a professora de Comunicação Suzy dos Santos, uma referência em políticas de comunicação, a emissora representa um sopro de ar fresco no saturado dial carioca. “A radiodifusão comercial é concentrada, manipulada pelo lucro e, muitas vezes, usada contra os interesses sociais”, analisou. A professora criticou ainda o uso de canais abertos para fins religiosos e eleitoreiros, destacando que a rádio universitária, ao contrário, “é feita para pensar uma sociedade democrática e plural”, oferecendo um contraponto essencial à lógica mercadológica e propagandista.

Essa visão é corroborada pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, que salientou o papel vital da rádio no combate à desinformação. Em um momento de proliferação rápida de notícias falsas, a rádio universitária surge como uma ferramenta crucial para conectar-se com a população, especialmente a juventude, e municiá-la com informação de qualidade. “A democracia não é um regime político que está garantido”, alertou Medronho, enfatizando as ameaças permanentes, como a desinformação, e a necessidade de a nova geração permanecer vigilante, assim como a sua própria geração lutou pela redemocratização do país.

Foco na Cultura Independente e Novas Gerações

A aposta da Rádio UFRJ FM na cultura independente e em novos talentos é evidente. O estudante de Jornalismo Davi Maia, por exemplo, que selecionou a lista de músicas para a inauguração e prometeu continuar contribuindo, expressou a dificuldade de abrir espaço para a cena independente em rádios comerciais, que muitas vezes precisam “prestar contas e fazer parcerias com gravadoras”. Em contraste, a rádio pública oferece uma curadoria diferenciada, exemplificada pela escolha de artistas como Luedji Luna, Marcelo D2 e Caxtrinho para a estreia. Essa abordagem não só enriquece o cenário musical, mas também cumpre um papel educativo e de formação para os jovens talentos da comunicação.

A emoção da conquista foi palpável. Na véspera da inauguração, ao ouvir a rádio no ar em um radinho de pilha no Campus Praia Vermelha, o professor Marcelo Kischinhevsky confidenciou ter “escorrido uma lágrima”. Mas a emoção rapidamente deu lugar a uma onda de alegria, compartilhada com a comunidade acadêmica. Com a concessão do canal 88,9 FM e recursos de emendas parlamentares que driblaram os cortes orçamentários da instituição, a universidade conseguiu estruturar a emissora. Em 2025, UFRJ e EBC obtiveram a licença para instalar os transmissores no Morro do Sumaré, no Parque Nacional da Tijuca, permitindo as transmissões experimentais para todo o Grande Rio. A expectativa é ambiciosa: alcançar 10 milhões de ouvintes, consolidando a Rádio UFRJ FM como um marco na radiodifusão educativa e cultural da região. A grade de 2027 já está em construção, mostrando a visão de longo prazo para o projeto.

A concretização da Rádio UFRJ FM é um testemunho da perseverança e do valor da comunicação pública para a construção de uma sociedade mais informada e crítica. Para continuar acompanhando de perto os desdobramentos deste e de outros temas relevantes que moldam nossa realidade, o RP News convida você a explorar nosso portal. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e plural, abordando uma vasta gama de assuntos que impactam sua vida e o seu entorno. Mantenha-se conectado com quem busca a verdade e a profundidade no jornalismo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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