PUBLICIDADE

Saída temporária: mais de 200 presos não retornam a unidades no interior de SP

Teste Compartilhamento
G1

Mais de 200 detentos que usufruíam do benefício da **saída temporária**, concedido antes do feriado da Páscoa, não retornaram às unidades prisionais do interior de São Paulo. A informação, divulgada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), revela um desafio persistente no sistema penal brasileiro, reacendendo o debate sobre a eficácia e a segurança da medida. Ao todo, 8,8 mil presos foram beneficiados pela ‘saidinha’ em regime semiaberto, entre os dias 17 e 23 de março deste ano, com uma parcela significativa optando por não cumprir as condições estabelecidas para o retorno.

O que é a Saída Temporária e Sua Finalidade?

A **saída temporária**, popularmente conhecida como ‘saidinha’, é um benefício previsto na **Lei de Execução Penal** (LEP – Lei nº 7.210/84). Seu propósito principal é a **ressocialização** do detento, permitindo um retorno gradual ao convívio social e o fortalecimento de laços familiares. Para ter direito ao benefício, o preso deve estar no regime semiaberto, apresentar bom comportamento e ter cumprido um determinado percentual da pena, além de ter um projeto de ressocialização compatível com os objetivos da lei. A concessão é de responsabilidade do **Poder Judiciário**, que avalia caso a caso as condições para o afastamento temporário da unidade prisional. Em São Paulo, as regras seguem a Portaria DEECRIM 02/2019 e suas complementações.

Geralmente, as saídas temporárias são concedidas em períodos de feriados prolongados, como Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal e Ano Novo, justamente para que os detentos possam passar tempo com suas famílias, um fator considerado crucial para a manutenção da saúde mental e para a reintegração na sociedade após o cumprimento total da pena.

Os Números da Não-Reintegração no Interior Paulista

Os dados da SAP indicam que, dos 8,8 mil beneficiados com a saída temporária nas 28 cidades do interior paulista, mais de 200 não retornaram. Esse número, que corresponde a aproximadamente 2,2% do total de detentos contemplados, é um indicativo da complexidade em gerir o sistema prisional e as expectativas em torno das políticas de reinserção social. Inicialmente, a SAP havia divulgado um número menor de beneficiados (7,7 mil), mas a atualização incluiu unidades prisionais do oeste paulista, elevando o montante.

As regiões de Bauru, Pacaembu e São José do Rio Preto concentraram o maior número de detentos que não retornaram. Na região de Presidente Prudente, por exemplo, de 1.920 presos liberados, 43 não voltaram. Já em Bauru, de 4.106 beneficiados, 85 não retornaram. A região de Rio Preto registrou 47 não-retornos entre 1.556 liberados. Outras localidades como Sorocaba, Capela do Alto e Itapetininga também registraram ausências, com 17 não-retornos em cada uma das duas últimas, totalizando 17 e 17 ausências de um total de 570 e 555 presos beneficiados, respectivamente. Esses números, embora representem uma minoria, geram preocupação e impulsionam discussões sobre a **segurança pública**.

Consequências Legais e o Debate sobre Segurança Pública

Para aqueles que não cumprem o prazo de retorno, as consequências são imediatas e severas. A SAP esclarece que o detento é automaticamente considerado **foragido** da justiça, perdendo o direito ao regime semiaberto. Uma vez recapturado, ele retorna ao regime fechado, além de responder por novos crimes que possa ter cometido durante o período em que esteve evadido. Essa perda de benefícios e o endurecimento do regime são mecanismos legais para coibir a evasão e garantir a disciplina no sistema.

A Proposta de Lei e as Mudanças Recentes

A questão da saída temporária tem sido alvo de intenso debate no cenário político e social brasileiro. Recentemente, a discussão ganhou novos contornos com a aprovação do **Projeto de Lei 2253/2022** pelo Congresso Nacional, que propõe significativas alterações nas regras do benefício. Este PL, que teve forte apoio de setores da sociedade civil e de parlamentares preocupados com a segurança, visa restringir a concessão da ‘saidinha’, eliminando-a para detentos que cumprem pena por crimes hediondos ou com violência e grave ameaça, por exemplo, e condicionando-a à realização de exames criminológicos. A aprovação da medida, que ocorreu justamente no período das saídas temporárias de Páscoa, reflete uma crescente demanda por maior rigor nas execuções penais, ainda que críticos alertem para o potencial impacto negativo na **ressocialização** dos presos.

O principal argumento a favor da restrição é a percepção de que a ‘saidinha’ pode contribuir para a **reincidência** criminal, especialmente quando foragidos cometem novos delitos. Por outro lado, defensores da medida original argumentam que ela é fundamental para a manutenção da dignidade humana dos presos e para a preparação para a vida em liberdade, sendo que a grande maioria dos beneficiados cumpre as regras e retorna às unidades.

Repercussão e o Futuro do Benefício

A cada anúncio de não-retornos, a **repercussão pública** é imediata, alimentando discussões em redes sociais e na imprensa sobre a efetividade do sistema penal. Para a sociedade, o tema evoca preocupações legítimas com a **segurança pública** e a eficácia das políticas de reinserção. Para o **Sistema Penitenciário**, os não-retornos representam um desafio operacional e uma fragilização das tentativas de reabilitação, além de demandar recursos para a recaptura dos foragidos.

O futuro da **saída temporária** no Brasil está sob intensa reavaliação. Com as mudanças legislativas em andamento e a polarização do debate, é provável que vejamos um cenário de maior rigor na concessão do benefício. Acompanhar esses desdobramentos é crucial para entender como o país busca equilibrar a necessidade de **ressocialização** com as exigências de **segurança pública**, um dilema complexo que afeta diretamente a vida de milhões de brasileiros.

Para continuar por dentro das notícias mais relevantes, contextualizadas e aprofundadas sobre segurança pública, justiça e outros temas que impactam a sua vida, siga acompanhando o RP News. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, com análises que vão além do fato, para que você forme sua própria opinião.

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE