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Sangramentos no Nariz no Inverno: O que Causa e Como Prevenir, Segundo Especialistas do Iamspe

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Agência SP

Com a chegada das estações mais frias, como o outono e o inverno, um fenômeno bastante comum e que pode gerar certa apreensão em muitas pessoas se manifesta com mais frequência: os sangramentos nasais, tecnicamente conhecidos como epistaxe. Para desmistificar essa ocorrência e orientar a população, especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo detalham as causas, os cuidados imediatos e as medidas preventivas. Compreender o que está por trás desses episódios é fundamental para agir corretamente e evitar preocupações desnecessárias, especialmente em um período em que a saúde respiratória já demanda atenção redobrada.

O Impacto do Clima Frio na Mucosa Nasal

A principal explicação para o aumento dos sangramentos nasais durante o frio reside no ressecamento da mucosa nasal. De acordo com a otorrinolaringologista do Iamspe, Maria Dantas Godoy, o ar, com sua baixa umidade característica das estações mais secas, age diretamente nas delicadas vias aéreas. A mucosa, que é a camada interna do nariz, responsável por filtrar e aquecer o ar, torna-se mais ressecada e, consequentemente, mais frágil. Essa fragilidade facilita o rompimento dos pequenos vasos sanguíneos que compõem essa região, resultando nos episódios de sangramento.

A vulnerabilidade a esse quadro é ainda maior em crianças e idosos. Nas crianças, a maior fragilidade dos vasos e a tendência a coçar ou manipular o nariz contribuem para o problema. Já nos idosos, a elasticidade dos vasos sanguíneos diminui com a idade, e a presença de outras condições de saúde, como hipertensão ou uso de medicamentos anticoagulantes, pode agravar a situação, tornando a epistaxe mais frequente e, por vezes, mais intensa. É um lembrete importante de que a atenção e os cuidados preventivos devem ser redobrados para esses grupos, que representam parcelas significativas da população atendida por instituições como o Iamspe.

Primeiros Socorros: Como Agir Diante de um Sangramento Nasal

Quando um sangramento nasal ocorre, a calma é a sua maior aliada. A doutora Maria Dantas Godoy enfatiza que a ação imediata mais eficaz é a compressão. “Com o polegar e o indicador, como uma pinça, mantenha uma pressão firme nas narinas por cerca de dois a cinco minutos, enquanto respira pela boca”, orienta a especialista. Essa compressão é vital porque auxilia no processo de coagulação natural do organismo, que é o mecanismo do corpo para estancar o sangramento, exercendo uma pressão direta sobre os vasos rompidos.

Durante o episódio, a postura também é crucial. Inclinar levemente o tronco para frente é a recomendação para que o sangue escorra para fora e não desça pela garganta. Essa simples medida não apenas evita que a roupa seja manchada, mas, principalmente, mantém o sangue no campo de visão, prevenindo crises de pânico, que podem surgir com a ingestão involuntária de sangue e a sensação de que o sangramento é maior do que realmente é. O nervosismo, aliás, deve ser evitado a todo custo, pois ativa mecanismos de estresse que aumentam a circulação sanguínea, dificultando a interrupção do vazamento e prolongando o desconforto.

Outras Estratégias e o que Evitar

Além da compressão, a aplicação de uma compressa fria ou com gelo na região do nariz pode ser uma alternativa útil. A baixa temperatura provoca a vasoconstrição, ou seja, o estreitamento dos vasos sanguíneos, diminuindo o fluxo de sangue e ajudando a conter o sangramento. No entanto, é fundamental não introduzir objetos ou materiais dentro do nariz, como papel, guardanapo ou algodão. A textura desses materiais pode machucar ainda mais as mucosas e, pior, propiciar a entrada e proliferação de microrganismos, aumentando o risco de infecções. Da mesma forma, evitar abaixar ou levantar demais a cabeça previne a sensação de mal-estar e impede que o sangue desça pela garganta, o que pode causar náuseas e engasgos desnecessários.

Em casos onde o sangramento nasal persiste por mais de 10 a 15 minutos, mesmo após a aplicação das medidas de primeiros socorros, ou se os episódios se tornarem muito frequentes e intensos, a recomendação é procurar imediatamente uma avaliação médica. A intervenção profissional é essencial para investigar a causa subjacente, que pode incluir desde um pequeno vaso que precisa ser cauterizado até condições mais complexas como distúrbios de coagulação ou alterações na pressão arterial, indicando o tratamento adequado.

Prevenção: Cuidando da Saúde Nasal no Inverno

Prevenir os sangramentos nasais é mais simples do que parece e envolve hábitos cotidianos que promovem a saúde das vias respiratórias. A doutora Godoy destaca a importância da lavagem nasal frequente com soro fisiológico 0,9%. Essa prática ajuda a manter a mucosa nasal hidratada e limpa, removendo impurezas e, principalmente, reduzindo significativamente as chances de ressecamento e, consequentemente, de sangramento. “Lavar o nariz com soro fisiológico 0,9% e tomar bastante líquido ajudam no bom funcionamento do órgão”, reforça a médica, salientando a facilidade e eficácia dessa rotina.

A hidratação oral adequada é outra medida preventiva crucial. A ingestão suficiente de líquidos garante que o corpo, como um todo, se mantenha bem hidratado, o que se reflete diretamente na umidade das mucosas, incluindo a nasal. Além disso, a especialista orienta a evitar mudanças bruscas de temperatura, como sair de um banho muito quente para um ambiente excessivamente frio. Esse choque térmico pode desidratar e irritar a mucosa, favorecendo o ressecamento e o subsequente sangramento. É um cuidado simples que faz grande diferença na manutenção do equilíbrio corporal.

Atenção Especial para Condições Respiratórias

Pessoas com condições respiratórias crônicas, como rinite, sinusite e asma, devem redobrar os cuidados durante o clima frio e seco. Essas condições já comprometem a integridade das vias aéreas com inflamações e irritações, e o ressecamento adiciona mais um fator de risco, tornando a mucosa ainda mais suscetível. Manter o acompanhamento regular com o otorrinolaringologista é fundamental para controlar a inflamação e a irritação, minimizando as chances de epistaxe. O uso de umidificadores de ambiente também pode ser benéfico nos dias mais secos, mas com moderação. A doutora Godoy aconselha o uso de duas a quatro horas por dia para evitar o excesso de umidade, que pode propiciar a proliferação de fungos e mofo no ambiente, prejudicando ainda mais a saúde respiratória e o bem-estar geral.

Em resumo, os sangramentos nasais no frio são um fenômeno multifatorial, diretamente ligado à baixa umidade do ar e ao ressecamento da mucosa. No entanto, com conhecimento e a adoção de medidas preventivas simples, é possível passar pelas estações mais frias com mais conforto e segurança, evitando o pânico diante de um problema que, na maioria das vezes, é benigno e de fácil controle. A informação de qualidade, como a que o Iamspe compartilha, empodera o cidadão a cuidar melhor de sua própria saúde e da de seus familiares, promovendo um inverno mais tranquilo.

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Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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