PUBLICIDADE

Santa Casa de Casa Branca propõe parcelamento de R$ 3,8 milhões em convênio de saúde cancelado e investigado por CEI

Teste Compartilhamento
G1

A polêmica em torno de um convênio de saúde que resultou no pagamento antecipado de milhões de reais e sua posterior anulação ganha um novo capítulo. A Santa Casa de Casa Branca (SP) protocolou na Justiça um pedido para parcelar a devolução de aproximadamente R$ 3,8 milhões à Prefeitura de São José do Rio Preto (SP). O valor, já depositado nos cofres do hospital, refere-se a um acordo para realização de exames que foi cancelado em meio a suspeitas de irregularidades e que agora é alvo de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara de Vereadores de Rio Preto, além de investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O montante corresponde ao saldo remanescente de R$ 4,7 milhões repassados pela administração municipal em abril deste ano. Segundo a própria prefeitura, a instituição hospitalar já havia devolvido R$ 950 mil. O caso levanta discussões importantes sobre a transparência nos gastos públicos com a saúde e a fiscalização de contratos milionários.

O Convênio Sob Questionamento e a Proposta de Parcelamento

O convênio em questão previa repasses de R$ 11,9 milhões para a realização de cerca de 63 mil exames de imagem em um prazo de 90 dias, utilizando unidades móveis. A contratação, firmada sem chamamento público, foi anulada pela Prefeitura de Rio Preto em 4 de maio, após uma enxurrada de questionamentos que culminaram na abertura da CEI e no início de investigações por diversos órgãos de controle.

Na petição apresentada à Justiça, a Santa Casa propõe quitar o débito em quatro parcelas. A primeira, de R$ 800 mil, seria paga em 25 de junho, seguida por mais duas parcelas de R$ 800 mil em julho e agosto. O saldo final, de R$ 1.476.919,31, seria quitado em setembro, acrescido da devida correção monetária. O hospital justifica a proposta como uma busca por uma solução “amigável e equilibrada”, visando evitar custos adicionais e a morosidade de uma longa disputa judicial, reforçando que o parcelamento não configura reconhecimento de irregularidade.

A Defesa da Santa Casa e as Divergências com a Prefeitura

Em sua argumentação, a Santa Casa de Casa Branca sustenta ter atuado em todo o processo com boa-fé, responsabilidade e transparência. A instituição alega que a rescisão do convênio pela Prefeitura de Rio Preto foi unilateral, realizada sem notificação prévia e sem uma justificativa legal devidamente fundamentada. Segundo o hospital, houve tentativas de resolver a questão administrativamente, mas sem sucesso.

Antes de apresentar a proposta de parcelamento, o hospital já havia recorrido à Justiça para tentar manter o convênio em vigor. Naquela ocasião, defendeu a legalidade da contratação e solicitou uma liminar para impedir o cancelamento do acordo, pedido que foi negado pela justiça. Essa sequência de eventos demonstra a complexidade jurídica e a divergência de interpretações entre as partes envolvidas.

As Investigações Aprofundadas: CEI, Ministério Público e TCE

O caso é objeto de uma rigorosa apuração em diversas frentes. A CEI na Câmara de Vereadores de Rio Preto, o Ministério Público de São Paulo e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) investigam simultaneamente as circunstâncias da contratação e o uso dos recursos públicos. As investigações foram motivadas por questionamentos contundentes sobre a escolha de uma Santa Casa de Casa Branca, um município de cerca de 28 mil habitantes localizado na região de Campinas, para executar um serviço de tamanha envergadura em Rio Preto.

Durante os trabalhos da CEI, depoimentos cruciais vieram à tona. O presidente do Conselho Municipal de Saúde de Rio Preto, Fernando Araújo, afirmou que o órgão foi “induzido a erro” ao aprovar o convênio. Segundo ele, os conselheiros não foram informados sobre a dispensa de licitação nem sobre a forma de pagamento antecipado prevista no contrato, o que impede uma análise adequada da legalidade e da conveniência do acordo. Tal falha na comunicação com um órgão fiscalizador essencial acende um alerta sobre a governança e a lisura dos processos.

O Ministério Público também apontou indícios de irregularidades, focando em pontos críticos como a contratação de uma entidade de pequeno porte para a execução de um serviço de grande dimensão, e o pagamento antecipado de verbas públicas sem a efetiva e comprovada prestação dos serviços. Essas questões são centrais para entender as suspeitas de mau uso do dinheiro público.

O Afastamento do Secretário de Saúde e o Direito ao Silêncio

Em meio à intensa repercussão do caso, o então secretário municipal de Saúde, Rubem Bottas, solicitou afastamento do cargo. Convocado a prestar esclarecimentos à CEI, Bottas obteve um habeas corpus que lhe permitiu permanecer em silêncio durante seu depoimento, alegando o direito de evitar a autoincriminação. Esse desdobramento adiciona uma camada de complexidade à investigação, apontando para a gravidade das acusações e a cautela dos envolvidos. A comissão de vereadores tem um prazo inicial de 120 dias para concluir suas investigações e apresentar um relatório final, que pode desencadear novas ações e desdobramentos.

Implicações para a Saúde Pública e a Transparência

Este episódio em São José do Rio Preto ressalta a importância da vigilância constante sobre os contratos firmados entre o poder público e entidades privadas, especialmente na área da saúde. O caso não se resume apenas a uma disputa financeira; ele toca em aspectos fundamentais como a alocação eficiente de recursos, a qualidade dos serviços oferecidos à população e a transparência nas relações administrativas. A garantia de que os recursos públicos sejam utilizados de forma legal e ética é crucial para a confiança da sociedade nas instituições e para a manutenção de um sistema de saúde robusto e acessível. A falta de realização dos 63 mil exames, por exemplo, impacta diretamente a vida de milhares de pacientes que aguardavam por esses procedimentos, evidenciando o custo humano da burocracia e das supostas irregularidades.

Mantenha-se atualizado sobre este e outros temas relevantes acompanhando o RP News. Nosso compromisso é trazer informações de qualidade, contextualizadas e aprofundadas, abordando os fatos que impactam a sua vida e a comunidade. Navegue por nossa plataforma e explore a diversidade de notícias e análises que preparamos para você, reforçando nossa credibilidade e o compromisso em bem informar.

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE