Em 2023, Arivaldo Sampaio, aos 69 anos, tornou-se um exemplo vivo da possibilidade de doação de órgãos por parte de idosos. Seu filho, dependente de hemodiálise quase diária devido à perda da função renal, tinha no transplante sua única esperança. A família inteira se dispôs a ajudar, mas foi Arivaldo quem apresentou compatibilidade total, permitindo que o transplante ocorresse com sucesso.
Idosos como doadores vivos: um paradigma em transformação
Tradicionalmente, a doação de órgãos por pessoas idosas pode gerar dúvidas e receios, mas casos como o de Arivaldo desafiam essas percepções. Segundo o Ministério da Saúde, um doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, medula óssea ou parte dos pulmões. O essencial é a compatibilidade sanguínea, não a idade.
A legislação brasileira permite a doação entre parentes até o quarto grau e cônjuges sem necessidade de autorização judicial, ampliando as possibilidades para receptores de órgãos. Para não-parentes, a doação é viável, mas requer autorização judicial. Esse cenário demonstra a flexibilidade e abrangência da legislação em prol da saúde e da vida.
Aspectos clínicos e a segurança do doador idoso
A avaliação clínica para doadores vivos é minuciosa, destacando-se ainda mais quando o doador tem mais de 60 anos. O nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília (HUB), explica que o processo envolve uma análise detalhada da saúde geral, expectativa de vida e riscos associados à cirurgia. Essa abordagem visa garantir a segurança e a saúde contínua do doador após a doação.
Uma avaliação cuidadosa inclui exames de sangue, urina, função renal, cardiovascular e de imagem. Mesmo com o aumento da incidência de doenças como hipertensão e diabetes na terceira idade, a idade por si só não é uma limitação automática para a doação. O foco está na saúde geral e na capacidade do doador de viver bem com um único rim.
O equilíbrio entre segurança e necessidade
O processo de doação envolve uma análise equilibrada entre a segurança do doador e a eficácia do órgão para o receptor. Freitas destaca que a decisão vai além de números, englobando o estado de saúde do doador e do receptor, além da viabilidade do órgão doado. O objetivo é assegurar que a doação seja benéfica e segura para ambas as partes.
Cenário atual e perspectivas futuras
O Brasil registrou um recorde de 4.335 doadores efetivos em 2025, refletindo um crescimento na conscientização sobre a doação de órgãos. Ainda assim, mais de 49 mil brasileiros aguardam na fila de transplantes. A inclusão de idosos como doadores vivos pode ser uma peça chave para aumentar esses números e salvar mais vidas.
Arivaldo, após a doação, mantém um estilo de vida saudável, praticando exercícios regularmente e realizando exames anuais no HUB. Sua história ressalta a importância do cuidado contínuo e do estilo de vida saudável, mostrando que a doação de órgãos na terceira idade é possível e segura quando bem monitorada.
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