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Setor de serviços registra queda de 0,4% em maio, puxado por recuo nos transportes

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

O **setor de serviços**, um dos pilares da **economia brasileira** e termômetro do consumo e da atividade produtiva do país, registrou uma queda de 0,4% em maio, na comparação com o mês anterior. O recuo, que veio abaixo das expectativas do mercado, foi impulsionado principalmente pelo desempenho negativo da área de **transportes**, acendendo um alerta sobre a trajetória da recuperação econômica nacional.

A informação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da sua **Pesquisa Mensal de Serviços** (PMS), surpreendeu analistas. A Secretaria da Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, por exemplo, apontava para um cenário menos pessimista, com a mediana das expectativas de mercado indicando estabilidade (0,0%) para o período. A desaceleração em um segmento tão vital como os serviços, que abrange desde o turismo e restaurantes até internet e tecnologia da informação, merece uma análise aprofundada para compreender seus impactos.

O peso dos transportes na desaceleração

O segmento de **transportes**, que inclui serviços auxiliares e correio, foi o principal vetor para a retração do **setor de serviços** em maio. Com uma queda de 1% no período, sua influência é considerável, dado que este grupo representa cerca de um terço (33,67%) do total pesquisado pelo **IBGE**. De acordo com Rodrigo Lobo, analista da pesquisa, a **desaceleração** se deve, em grande parte, à “menor receita das empresas de transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de carga e de logística”.

A análise detalhada dos dados revela que o volume de transporte de passageiros recuou 1,3% em maio, enquanto o transporte de cargas apresentou uma variação negativa de 0,2%. Esses números indicam uma possível diminuição na circulação de pessoas para lazer ou negócios e, principalmente, uma moderação na demanda por movimentação de mercadorias, o que pode refletir um arrefecimento na **atividade econômica** de outros setores, como indústria e comércio.

Contexto e desempenho geral do setor

Apesar da queda mensal, é importante situar o resultado de maio em uma perspectiva mais ampla. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o **setor de serviços** ainda apresenta um crescimento modesto de 0,4%. No acumulado do ano, de janeiro a maio, o avanço é de 1,9% frente ao mesmo período de 2025, enquanto nos 12 meses, a alta acumulada é de 2,6%.

Contudo, o ritmo de expansão dos últimos 12 meses já demonstra uma desaceleração, vindo de 2,9% em abril. Embora o setor permaneça 19,6% acima do nível pré-pandemia de COVID-19 (fevereiro de 2020), ele ainda se encontra 0,5% abaixo do maior patamar já registrado, alcançado em outubro de 2025. Essa flutuação reforça a complexidade do cenário atual, onde a resiliência pós-pandêmica convive com sinais de cautela.

Outras atividades: contrastes e destaques

Dos cinco grupos de atividades pesquisadas pelo **IBGE**, dois apresentaram queda na passagem de abril para maio. Além do segmento de **transportes**, a categoria de ‘Outros serviços’ também registrou um recuo significativo de 1,9%. Já os ‘Serviços de informação e comunicação’ permaneceram estáveis (0%).

Em contrapartida, houve um desempenho notável nos ‘Serviços profissionais, administrativos e complementares’, que cresceram 2%. Os ‘Serviços prestados às famílias’ também apresentaram uma alta de 0,2%, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2014. Rodrigo Lobo atribui esse bom desempenho a variáveis econômicas favoráveis, como o **desemprego baixo**, **massa de rendimentos elevadas** e um **nível de preços controlado**, o que sugere que o consumo direto das famílias, em atividades como salões de beleza e restaurantes, ainda sustenta parte do setor.

Atividades turísticas: recuo pontual, mas com recuperação sólida

A Pesquisa Mensal de Serviços também monitora o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), que recuou 0,4% em maio, na comparação mensal. Apesar dessa queda pontual, o **turismo** mostra vigor no médio prazo, com expansão de 1,7% no acumulado de 12 meses. As atividades turísticas, que englobam hotéis, agências de viagens, bufês e transporte aéreo de passageiros, permanecem 10,8% acima do nível pré-pandemia, indicando uma recuperação consistente, embora ainda 2,5% abaixo do seu maior nível histórico, alcançado em dezembro de 2024.

A pesquisa do Iatur abrange 22 das 166 atividades de serviços investigadas, com informações detalhadas para 17 unidades da federação, demonstrando a capilaridade e a relevância do **turismo** para diversas regiões do país, desde o Ceará até o Rio Grande do Sul.

Perspectivas para a política econômica e o futuro do setor

A **desaceleração** no **setor de serviços**, especialmente nos **transportes**, adiciona uma camada de complexidade ao cenário econômico. Embora o **mercado de trabalho** mostre resiliência e a **massa de rendimento** se mantenha elevada, fatores como a persistência de altas **taxas de juros** e as incertezas fiscais podem impactar a confiança de consumidores e empresários, afetando o **investimento** e o **consumo**. As decisões do Banco Central em relação à **política monetária** serão cruciais para determinar se a **economia brasileira** ganhará novo fôlego ou se consolidará um ritmo mais lento de crescimento nos próximos meses.

O recuo em maio pode ser um sinal de ajuste após períodos de maior expansão, ou indicar um arrefecimento mais significativo da demanda interna. Monitorar a evolução desses indicadores é essencial para entender os desafios e as oportunidades que se apresentam para a **economia brasileira** em um cenário global ainda volátil. A capacidade de setores como os ‘Serviços às Famílias’ de manterem um bom desempenho, mesmo diante de freios em outras áreas, sugere uma resiliência interna que pode ser fundamental para suavizar os impactos.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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