A Prefeitura de São Paulo anunciou a criação de um grupo de trabalho dedicado a revisar os protocolos de segurança e atendimento médico em corridas de rua e outros eventos esportivos na capital paulista. A medida foi tomada em resposta à trágica morte do publicitário e atleta amador Júlio Barreto, de 50 anos, que sofreu uma parada cardíaca após completar a meia maratona da SP City Marathon.
Objetivos do grupo de trabalho
O grupo tem um prazo de 20 dias para apresentar uma proposta que estabeleça parâmetros mínimos de segurança, estrutura médica e atendimento de emergência para eventos esportivos. A intenção é padronizar os critérios técnicos que atualmente envolvem diferentes órgãos municipais e entidades esportivas. Entre as tarefas do grupo estão diagnosticar as exigências para autorização de corridas, estabelecer padrões de segurança e definir responsabilidades entre órgãos públicos e organizadores.
Contexto e necessidade de revisão
São Paulo é o epicentro das corridas de rua no Brasil, com previsão de cerca de 300 provas a serem realizadas na capital este ano. Diante desse cenário, a revisão dos protocolos de segurança se torna ainda mais relevante. Atualmente, a cidade não possui um protocolo específico para corridas de rua, uma lacuna que a Prefeitura pretende preencher com a nova iniciativa, em diálogo com entidades como a Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo (ATC-SP).
Certificações e normas vigentes
Para realizar uma corrida, é necessário cumprir uma série de exigências e obter licenças municipais, além do chamado Permit, certificado emitido por entidades responsáveis pela modalidade. Existem três categorias de certificação: Bronze, Prata e Ouro, cada qual com suas próprias exigências. A Federação Paulista de Atletismo concede o Permit Bronze, enquanto as categorias superiores são homologadas pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).
Além das normas da CBAt, cada município tem suas próprias exigências para emissão dos alvarás necessários. Assim, há uma fiscalização tanto das entidades esportivas quanto do poder público municipal. Especialistas defendem que o protocolo municipal a ser criado deve ser complementar, mantendo alinhamento com as diretrizes nacionais e respeitando as normas técnicas já estabelecidas.
Repercussão da tragédia
A morte de Júlio Barreto durante a SP City Marathon trouxe à tona debates sobre a segurança nas corridas de rua. Júlio completou os 21 quilômetros da meia maratona, mas começou a sentir-se mal logo após cruzar a linha de chegada. A tragédia gerou grande comoção e reacendeu discussões sobre a importância de protocolos rígidos e bem definidos para garantir a segurança dos participantes.
A décima edição da prova, que ocorreu em 2026, teve início na Praça Charles Miller, no Pacaembu, e finalizou no Jockey Club, na zona sul de São Paulo. O evento reuniu atletas para competir em distâncias de 21,1 km e 42,2 km. A presença de uma ambulância não foi suficiente para evitar o desfecho trágico, destacando a necessidade de melhorias nos protocolos de atendimento.
A segurança nas corridas depende de uma atuação conjunta entre organizadores, equipes médicas e atletas. É crucial que os participantes mantenham suas avaliações clínicas em dia e sigam as orientações médicas antes das competições.
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Fonte: https://jovempan.com.br