Um terço das vagas de emprego anunciadas pode nunca ser preenchido, configurando um cenário preocupante conhecido como “ghost jobs”. Uma análise recente de dados do Bureau of Labor Statistics Job Openings and Labor Turnover Survey (JOLTS) revela que milhões de oportunidades permanecem em aberto por tempo indeterminado.
Em junho, foram anunciadas 7,4 milhões de vagas, mas apenas 5,2 milhões resultaram em contratações. Essa discrepância, observada há mais de uma década, tornou-se mais evidente entre 2021 e 2022, quando o número de vagas abertas atingiu 11 milhões, enquanto as contratações ficaram estagnadas entre 6 e 7 milhões. Aproximadamente 38% dos cargos permaneceram vazios, e essa tendência persiste.
A análise também indica que nem todos os setores são afetados da mesma forma. Em junho, a maior concentração de “ghost jobs” foi observada em setores como governo, educação, saúde, serviços financeiros e indústrias de informação. A área de edificações se destacou, registrando um número de contratações superior ao total de vagas anunciadas.
A existência de “vagas fantasmas” acarreta consequências negativas para diversos agentes do mercado de trabalho. Candidatos perdem tempo investindo em oportunidades inexistentes, os dados oficiais sobre o mercado de trabalho tornam-se distorcidos, e a confiança nos empregadores é abalada.
Embora nem toda vaga não preenchida seja automaticamente classificada como “ghost job” (existem processos seletivos que podem ser interrompidos por motivos legítimos e recrutadores que mantêm vagas abertas para formar bancos de talentos), o aumento consistente na diferença entre vagas anunciadas e contratações é um alerta. A discrepância cresceu significativamente e merece atenção.
Essa situação pode refletir uma série de questões complexas. É importante notar que os dados analisados são dos Estados Unidos e, portanto, não refletem necessariamente a realidade do mercado de trabalho brasileiro.
Fonte: thebrief-newsletter.beehiiv.com