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Paciente do SUS recebe fígado mantido ‘vivo’ fora do corpo por mais de 4 horas em máquina

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G1

Em um marco significativo para a medicina brasileira e o **Sistema Único de Saúde (SUS)**, um paciente de São José do **Rio Preto**, interior de São Paulo, recebeu um **transplante de fígado** após o órgão ser mantido em condições de funcionamento fora do corpo por mais de quatro horas. O procedimento, realizado no **Hospital de Base (HB)**, utilizou uma tecnologia inovadora de **perfusão hepática**, que simula o ambiente fisiológico do corpo, garantindo maior viabilidade ao órgão. A história de **Rodolfo Aparecido Chicone**, de 39 anos, que já se recupera e caminha pelos corredores do hospital, acende uma luz de esperança para milhares de brasileiros na **fila de transplantes**.

Avanço Revolucionário na Preservação de Órgãos

Tradicionalmente, a **preservação de órgãos** para transplante é feita por resfriamento em gelo, um método eficaz, mas que impõe limites de tempo estritos – entre 10 e 14 horas para o fígado. Após esse período, o risco de danos celulares por isquemia (falta de sangue) aumenta consideravelmente, comprometendo a funcionalidade do órgão. A **máquina de perfusão hepática**, empregada no caso de Rodolfo, representa um salto tecnológico ao manter o fígado em condições próximas às fisiológicas, controlando temperatura, fluxo sanguíneo e oxigenação. Isso não apenas estende o tempo de vida útil do órgão para até 24 horas, mas também permite uma avaliação mais precisa de sua viabilidade, diminuindo complicações pós-cirúrgicas e ampliando as chances de sucesso do **transplante**.

No pioneiro procedimento realizado no HB, a máquina manteve o fígado em funcionamento por 4 horas e 35 minutos antes da cirurgia, um tempo crucial para o transporte e a preparação. O chefe do setor de transplante do HB, Renato Silva, ressaltou a importância dessa **tecnologia médica** na melhoria da avaliação do órgão, que sofre menos “estresse” em comparação com o resfriamento extremo. Para o paciente Rodolfo, que se recupera em ritmo acelerado, essa inovação significou uma segunda chance de vida, demonstrando o impacto direto da pesquisa e investimento em **saúde pública**.

O Desafio da Fila de Espera e o Impacto no SUS

A realidade da **fila de transplantes** no Brasil é um desafio complexo e urgente. Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) revelam que mais de 72 mil pessoas aguardam por um **órgão** ou tecido no país, sendo aproximadamente 1,5 mil delas em busca de um **fígado**. A escassez de doadores compatíveis e a logística envolvida no transporte e preparação dos órgãos são barreiras significativas. Nesse cenário, tecnologias como a máquina de perfusão hepática surgem como ferramentas cruciais para otimizar o uso dos **órgãos doados**.

A expectativa do **Hospital de Base** e da Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto (Funfarme), que custeou integralmente o equipamento e o procedimento de Rodolfo, é que a **máquina de perfusão hepática** contribua para aumentar o número de órgãos aproveitados e, consequentemente, reduzir o tempo de espera. Para impulsionar essa meta, o HB criou o **Centro de Manutenção de Órgãos**, um investimento estratégico que pode redefinir o futuro dos **transplantes** no **SUS**. O diretor executivo da Funfarme, Horácio Ramalho, enfatiza a complexa cadeia que envolve a chegada de um órgão ao receptor, e como essa **tecnologia** permite maximizar o gesto de humanidade da **doação de órgãos**.

Caminho para a Incorporação no SUS e Perspectivas Futuras

Cada procedimento com a máquina tem um custo aproximado de R$ 50 mil, valor atualmente arcado pelo próprio **Hospital de Base**. Com a ambição de tornar essa tecnologia acessível a um número maior de pacientes, a instituição planeja realizar 15 **transplantes** utilizando o equipamento. O objetivo é coletar dados clínicos e econômicos robustos que possam subsidiar a incorporação da **máquina de perfusão hepática** ao **Sistema Único de Saúde**. Se aprovada, essa inclusão representaria um avanço exponencial na **saúde pública** brasileira, estendendo os benefícios da **tecnologia médica** a todo o país.

A iniciativa do HB, que possui um histórico consolidado no campo dos transplantes – com mais de 5,8 mil procedimentos realizados pelo Centro Integrado de Transplantes de Órgãos e Tecidos (Cintrans) desde 1990 – demonstra um compromisso com a inovação e a vida. Embora a tecnologia esteja sendo utilizada inicialmente em **transplantes de fígado**, a expectativa é de que, no futuro, seu uso possa ser expandido para outros órgãos vitais, como os rins, ampliando ainda mais o horizonte de esperança para pacientes em todo o Brasil. O caso de **Rodolfo Aparecido Chicone** não é apenas uma notícia, mas um indicativo do potencial transformador da **ciência** a serviço da humanidade.

Acompanhar os avanços na medicina e suas repercussões na **saúde pública** é fundamental para entender o impacto direto na vida das pessoas. O RP News está comprometido em trazer a você informações relevantes e aprofundadas sobre esses temas, conectando o que acontece nos centros de pesquisa e hospitais com a realidade do dia a dia. Continue nos acompanhando para ficar por dentro das últimas notícias, análises e desdobramentos que moldam o futuro do nosso país.

Fonte: https://g1.globo.com

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