Em tempos de crise e desafios sociais, a figura do “Deixapralista” emerge como uma representação contemporânea de uma horda que, embora repleta de críticas, pouco se mobiliza para efetuar mudanças concretas. Inspirado pela criação do “Pessivista” de Valter Hugo Mãe em seu livro ‘O Século dos Imbecis’, o conceito do Deixapralista reflete uma realidade familiar para muitos brasileiros.
A gênese do Deixapralista
A primeira vez que me deparei com um Deixapralista foi em uma tarde chuvosa, quando a cidade parecia sucumbir sob o peso das águas. Enquanto a chuva persistia, um homem ao meu lado começou a enumerar os problemas estruturais da cidade: o volume de chuva, a complexidade de gerir uma metrópole, e a escassez de recursos. Com o nível da água subindo, suas críticas não cessaram, mas também não se transformaram em ações.
A horda que só reclama
Os Deixapralistas não estão sozinhos; eles formam uma verdadeira horda, que se prolifera em ambientes do cotidiano: desde o sofá de casa até as redes sociais. A falta de saneamento, a ausência de moradia digna, a carência de profissionais essenciais como professores e médicos, são temas recorrentes de suas reclamações. Eles dominam o discurso, sabem o que está errado, quem deveria consertar, e até quanto tudo isso custa.
A inação diante da indignação
Essa horda é incansável na crítica, mas estanca na ação. A indignação, embora retumbante, não se traduz em mobilização efetiva. Se a mera reclamação resolvesse, o Brasil estaria livre de seus problemas. No entanto, a realidade é que o trabalho começa onde a queixa termina, e é nesse ponto que o Deixapralista se vê paralisado, esperando que alguém mais faça o que é necessário.
O desafio de transformar palavras em ação
A situação se complica quando alguém sugere que a própria horda tome iniciativa. Isso requer um nível de comprometimento que muitos não estão dispostos a assumir: cobrar, acompanhar, pesquisar, e manter a pressão sobre aqueles em posição de poder. Aqueles que se atrevem a atravessar essa linha são rotulados como “ativistas”, muitas vezes vistos como os ‘chatos’ que insistem em não deixar as coisas como estão.
A estagnação e suas consequências
Com a água chegando ao pescoço, a resposta comum é a resignação. “Sempre foi assim”, dizem alguns, enquanto outros buscam um lugar mais seguro sem se comprometer com a mudança. A apatia se torna uma escolha, mesmo quando a urgência grita por ação. O desafio, portanto, é transformar essa indignação em ação coletiva, um passo que exige coragem e perseverança.
O fenômeno dos Deixapralistas é um alerta sobre a importância de não apenas reconhecer os problemas, mas também de agir para resolvê-los. Acompanhe o RP News para mais análises e reportagens que desafiam a inércia e promovem um engajamento mais ativo com os desafios de nossa sociedade.
Fonte: https://jovempan.com.br