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A região brasileira com 350 produtores de cachaça artesanal, mas só 15 legalizados

O mercado da cachaça artesanal no Brasil vive um paradoxo que desafia tanto os órgãos fiscalizadores quanto os próprios mestres alambiqueiros. Em uma das regiões mais tradicionais do…

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A região brasileira com 350 produtores de cachaça artesanal, mas só 15 legalizados
Gazeta do Povo

O mercado da cachaça artesanal no Brasil vive um paradoxo que desafia tanto os órgãos fiscalizadores quanto os próprios mestres alambiqueiros. Em uma das regiões mais tradicionais do estado de São Paulo, a disparidade entre a produção clandestina e a formalização salta aos olhos: enquanto cerca de 350 produtores movimentam a economia local de forma informal, apenas 15 possuem a legalização completa para comercializar seus produtos em âmbito nacional.

Esse cenário começou a ganhar novos contornos com recentes conquistas voltadas à valorização da origem e à organização do setor. A busca por identidade territorial e segurança jurídica tem impulsionado iniciativas para tirar da invisibilidade centenas de famílias que mantêm viva a tradição da destilação artesanal no interior paulista.

O marco do Circuito das Águas Paulista

A virada de chave para parte dessa cadeia produtiva passa pelo Circuito das Águas Paulista, região turística conhecida nacionalmente pelas estâncias hidrominerais e pela forte vocação agrícola. Recentemente, a localidade conquistou o reconhecimento de Indicação de Procedência (IP) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), um selo que atesta a qualidade e a singularidade da bebida produzida ali.

Para celebrar a conquista e fomentar o turismo rural, foi lançada oficialmente uma nova rota turística que integra 11 alambiques distribuídos por cinco municípios da região. A iniciativa não visa apenas o consumo imediato, mas propõe uma imersão na cultura da cachaça, permitindo que o visitante conheça desde o cultivo da cana-de-açúcar até o envelhecimento em tonéis de madeira nobres.

Os desafios da regularização e o impacto econômico

A grande pergunta que fica é: por que a imensa maioria dos produtores continua na informalidade? Especialistas apontam que a burocracia excessiva e o alto custo para obtenção de registros junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e aos órgãos ambientais funcionam como barreiras quase intransponíveis para pequenos agricultores familiares.

A falta de fiscalização eficiente em alguns pontos, somada à tradição cultural de produzir para o consumo próprio e vendas locais, perpetua o modelo informal. No entanto, operar fora da lei impede o crescimento do negócio, limita o acesso a linhas de crédito e priva o consumidor de garantias essenciais de padronização e segurança alimentar.

Caminhos para o futuro da bebida nacional

A formalização dos alambiques não é apenas uma exigência legal, mas um passaporte para a valorização internacional da cachaça brasileira. Regiões que conseguem se organizar demonstram que o apoio técnico e a união entre produtores são fundamentais para reduzir os gargalos burocráticos e transformar pequenos negócios em potências econômicas regionais.

O exemplo do Circuito das Águas Paulista serve de laboratório para o restante do país, mostrando que o patrimônio cultural associado à cachaça pode caminhar lado a lado com a responsabilidade fiscal e sanitária, beneficiando toda a cadeia produtiva, do campo à mesa.

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Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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