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GLOBAL TOPO – 03
Economia

Economista de Plano Real acusa BC de causar rombo fiscal via juros

O debate econômico nacional ganhou um novo e contundente capítulo após declarações de um dos formuladores do Plano Real. O professor e economista André Lara Resende colocou o…

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Economista de Plano Real acusa BC de causar rombo fiscal via juros
© Geraldo Magela/Agência Senado

O debate econômico nacional ganhou um novo e contundente capítulo após declarações de um dos formuladores do Plano Real. O professor e economista André Lara Resende colocou o Banco Central no centro das discussões sobre o rombo fiscal brasileiro, apontando a política de taxas de juros elevados como a verdadeira raiz do desequilíbrio nas contas públicas, contrariando o consenso predominante no mercado financeiro.

A polêmica em torno da política monetária

Em artigo que repercutiu amplamente entre especialistas e formuladores de políticas públicas, Lara Resende não economizou críticas à condução da economia brasileira. Segundo o especialista, formado pela PUC do Rio de Janeiro e com PhD pelo MIT, a manutenção de uma taxa Selic em patamares elevados é sustentada por uma teoria considerada anacrônica.

Para o economista, a grande imprensa e os analistas financeiros repetem exaustivamente que o problema do país reside nos gastos primários do governo — despesas com serviços públicos, funcionalismo e investimentos. No entanto, a análise empírica demonstraria que, ao excluir o serviço da dívida, o orçamento nacional apresenta um cenário de equilíbrio relativo, enquanto os juros nominais consomem fatias expressivas do PIB.

Visões divergentes sobre o controle da inflação

Enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) defende que o aperto monetário é indispensável para conter pressões inflacionárias, o autor do artigo questiona a eficácia e a necessidade dessa abordagem. O argumento oficial do Banco Central sustenta que o aquecimento da economia e os déficits primários exigem juros altos para desestimular a demanda e ancorar as expectativas.

Em contrapartida, Lara Resende argumenta que a correlação tradicional entre desemprego, restrição de crédito e controle de preços perdeu validade prática no cenário econômico contemporâneo. O impacto direto dessa dinâmica recai sobre o custo de financiamento da dívida pública, que saltou de patamares anteriores para mais de 80% do Produto Interno Bruto nos últimos anos.

Impactos no orçamento e caminhos futuros

Os números trazidos à tona pelo debate mostram que os juros absorveram mais de um trilhão de reais do orçamento federal em períodos recentes. Para os críticos da atual condução monetária, insistir no corte linear de despesas sociais em nome da austeridade fiscal pode aprofundar desigualdades sem resolver o problema estrutural do endividamento.

O desafio para os próximos meses envolve repensar as amarras fiscais e monetárias do país, superando dogmas que, segundo os críticos, privilegiam os detentores de títulos da dívida em detrimento do desenvolvimento produtivo e social.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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