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Economia

Dólar fecha a R$ 5,44 e registra maior alta semanal desde 2008

O mercado financeiro brasileiro encerrou o mês de outubro sob uma onda de volatilidade extrema, combinando a disparada histórica da cotação do dólar e uma forte retração na…

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Dólar fecha a R$ 5,44 e registra maior alta semanal desde 2008
© REUTERS/Willy Kurniawan/ Proibido reprodução

O mercado financeiro brasileiro encerrou o mês de outubro sob uma onda de volatilidade extrema, combinando a disparada histórica da cotação do dólar e uma forte retração na bolsa de valores. Na última sexta-feira (30), a moeda norte-americana avançou 1,09% e fechou cotada a R$ 5,446, acumulando uma alta semanal de 9,15%. Esse salto expressivo representa o maior avanço para o câmbio em um período de cinco dias desde o acirramento da crise financeira global em 2008, gerando forte repercussão entre analistas e investidores.

Paralelamente, o principal índice da B3, o Ibovespa, fechou a sessão com queda de 0,75%, aos 167.921 pontos. Embora a retração do dia tenha sido contida, o resultado coroou uma semana de perdas drásticas que somaram 18,12% de desvalorização — o pior desempenho semanal desde março de 2020, marco inicial dos impactos econômicos da pandemia de covid-19 no Brasil. O cenário reflete uma combinação complexa de fatores políticos domésticos e turbulências nos mercados internacionais.

Fatores internos e a reação ao cenário político

No centro das atenções do cenário nacional estão os ajustes de posições dos investidores logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A transição e a expectativa em torno da condução da política fiscal brasileira mantiveram os agentes econômicos em estado de alerta. A indefinição sobre futuros nomes para a equipe econômica e o desenho de medidas voltadas para o controle das contas públicas alimentaram incertezas sobre a sustentabilidade da dívida pública a médio prazo.

A pressão vendedora sobre os ativos nacionais ganhou ímpeto logo na segunda-feira pós-eleição, quando o Ibovespa acionou o circuit breaker após quedas acentuadas. Dados operacionais da B3 evidenciaram uma fuga expressiva de capital estrangeiro, com uma retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações apenas nos primeiros três dias daquela semana. Além disso, a proximidade de um feriado prolongado intensificou a busca corporativa e individual por proteção cambial.

Turbulência internacional e o peso da tecnologia

Se os fatores internos pesaram sobre o humor da bolsa, o cenário externo não ofereceu alívio. Os mercados globais enfrentaram um dia de aversão ao risco, impulsionados por fortes correções nos preços de ações de gigantes da tecnologia e de empresas ligadas ao setor de inteligência artificial nos Estados Unidos. Em Nova York, o índice S&P 500 registrou baixa de 1,82%, refletindo o temor de que os lucros dessas companhias não sustentem as altas avaliações de mercado.

Esse ambiente desfavorável fortaleceu o dólar globalmente frente a uma cesta de moedas fortes e, de maneira mais aguda, diante de divisas de países emergentes. O movimento demonstrou que a alta da moeda americana no Brasil não foi um fenômeno isolado, mas parte de um realinhamento de capitais em escala mundial diante de juros elevados e inflação persistente nas economias centrais.

Desdobramentos e perspectivas para o final do ano

Com o encerramento de outubro, que acumulou alta de 5,27% no dólar e queda de 9,88% no Ibovespa, a atenção do mercado migra agora para os próximos passos do governo eleito. A apresentação de um plano econômico claro e crível será determinante para estabilizar as expectativas e estancar a sangria nos ativos locais. Até lá, a recomendação de cautela prevalece entre gestores de recursos, que monitoram de perto os desdobramentos de Brasília e de Wall Street.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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