A movimentação nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes indica que o tabuleiro político paulista já começou a ser redesenhado de olho no futuro. Pessoas próximas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enxergam na possível permanência de Roberto Carneiro, presidente estadual da legenda, à frente da Secretaria de Relações Institucionais, um claro indicativo de que a gestão caminha para adotar um perfil muito mais político e estratégico, pavimentando o caminho para um projeto de alcance nacional com vistas a 2030.
A intenção de manter Carneiro no comando da pasta já circulava entre os conselheiros do governador antes mesmo do desfecho das urnas. No entanto, aliados ponderam nos bastidores que o dirigente partidário dificilmente aceitaria prolongar a permanência no cargo sem que houvesse em curso uma articulação de maior envergadura.
A transição na articulação política e a consolidação da base
Quando Roberto Carneiro assumiu a secretaria, substituindo Gilberto Kassab (PSD), a missão central era estreitar o diálogo entre o Executivo estadual e as legendas partidárias. O próprio governador acumulava nos bastidores a fama de manter uma postura mais técnica e distante da tradicional negociação política miúda com os partidos.
A avaliação corrente entre os articuladores governistas é que essa primeira fase foi plenamente cumprida, servindo como alicerce fundamental para garantir a governabilidade e fortalecer a reeleição de Tarcísio. Superada essa etapa de aproximação, a manutenção de Carneiro passa a responder por uma nova necessidade estratégica: preservar coesa a ampla coalizão que reuniu mais de dez partidos em torno da chapa governista.
Desafios regionais e o cenário nacional
A discussão sobre o futuro do secretário também passava por um dilema pessoal e político, já que uma das alternativas avaliadas era o seu retorno ao Espírito Santo, seu reduto eleitoral histórico. Com a decisão de mantê-lo na capital paulista, o grupo político consolida a prioridade dada ao cenário nacional, considerando que a força de São Paulo é o principal trampolim para qualquer discussão presidencial futura.
Próximos passos e a reforma no secretariado
Enquanto a articulação política ganha fôlego, o primeiro escalão do governo estadual se prepara para uma série de mudanças pontuais. Interlocutores da administração paulista ressaltam que as conversas oficiais com os partidos aliados sobre eventuais substituições e ajustes na equipe devem ganhar ritmo nos próximos dias, consolidando o desenho da nova fase administrativa.
Entre os movimentos estudados pelo Palácio dos Bandeirantes está a possibilidade de remanejar a atual titular da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística para a chefia da Casa Civil. Além disso, pastas estratégicas como Saúde, Esportes, Políticas para Mulheres e Turismo estão no radar de modificações.
Na Saúde, a transição já foi pactuada: o atual secretário, Eleuses Paiva (PSD), concordou em permanecer no posto até que um sucessor seja definido. O governador já realizou sondagens com nomes de peso da gestão municipal, como o secretário Luiz Carlos Zamarco e o adjunto Maurício Serpa, além de avaliar perfis alternativos. A expectativa no entorno governamental é de que o processo de reestruturação do primeiro escalão seja concluído integralmente até o término de novembro, garantindo estabilidade para o início do novo ciclo administrativo.
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Fonte: https://jovempan.com.br







