Hospital de Base garante R$ 2 milhões para capacitar 2 mil profissionais contra epidemias
Iniciativa da Funfarme prevê bolsas de estudo do CNPq para tutores e levará treinamento prático em epidemiologia para a ponta do sistema de saúde em todo o estado de São Paulo.
A Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto (Funfarme), por meio do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NHE) do Hospital de Base (HB), foi contemplada com um recurso de R$ 2 milhões em chamada do CNPq. Esse investimento federal destina 96% da sua verba para a contratação de equipe técnica, desenvolvimento pedagógico e a concessão de 16 bolsas de estudo para tutores e especialistas. A estrutura garantirá a formação 100% gratuita de 2.000 trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Estado de São Paulo.
Para o cidadão que frequenta os postos de saúde (UBS), UPAs e hospitais municipais, essa conquista se traduz diretamente em proteção, rapidez no atendimento e preservação de vidas. A vigilância em saúde é a engrenagem responsável por acompanhar o avanço de ameaças como dengue, gripe, Covid-19 e acidentes com animais peçonhentos, a exemplo da expansão de escorpiões no interior paulista, antes que se transformem em grandes surtos. Com a verba e a capacitação viabilizadas pelas bolsas do CNPq, as equipes de saúde municipais aprenderão a ler os dados do dia a dia para agir antes que as doenças se espalhem, permitindo a aplicação rápida de vacinas e soros, o bloqueio preventivo de transmissões, a abertura atempada de leitos e a compra planejada de insumos médicos.
Segundo a médica epidemiologista Dra. Maria Lúcia Salomão, integrante do projeto, o diferencial pedagógico do curso está justamente em transformar a informação em ação prática para resolver problemas reais da comunidade. “Com a informatização, a gente tem oportunidade de circular logo a mensagem. Agora, garantir a qualificação do profissional é uma tarefa mais complexa, porque você tem que deixar ele ter oportunidade de tirar dúvidas, você tem que trazer exemplo concreto que o método pedagógico do curso vai permitir, envolvendo o aluno, permitindo a reflexão e fortalecendo o que foi ensinado”, ressalta.
O forte apelo regional e estadual torna a notícia de alto interesse público. O estado de São Paulo possui realidades bastante heterogêneas. Enquanto grandes polos como São José do Rio Preto contam com estruturas robustas e consolidadas de vigilância, muitos municípios menores do interior dispõem de pouca infraestrutura ou concentram todas as tarefas sanitárias muitas vezes em um único profissional.
*Sobre o curso*
O curso de extensão “Epidemiologia Aplicada à Vigilância em Saúde” (VigiEpi São Paulo) possui carga horária de 100 horas divididas entre teoria e prática ao longo de quatro meses, com objetivo de promover a isonomia técnica no SUS. Organizado em cinco ciclos formativos para atender às 19 Redes Regionais de Atenção à Saúde (RRAS) nos 645 municípios paulistas, o projeto prepara profissionais para atuarem como multiplicadores locais do conhecimento.
Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e do avanço de zoonoses sob o conceito de Saúde Única, que conecta a saúde humana, animal e ambiental, o investimento do CNPq fortalece a medicina preventiva. Divulgar essa conquista é mostrar à sociedade como o recurso público se converte em inteligência de saúde, capacitação de excelência e um atendimento mais humano e seguro para o morador na ponta de cada cidade paulista.
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