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Finanças

Professores voluntários ajudam bolsistas e alunos da rede pública na preparação para o Enem em cursinho comunitário

A reta final de preparação para o Exame Nacional do Nedio (Enem) mobiliza não apenas os estudantes, mas uma rede de solidariedade e compromisso educacional no interior de…

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Professores voluntários ajudam bolsistas e alunos da rede pública na preparação para o Enem em cursinho comunitário
G1

A reta final de preparação para o Exame Nacional do Nedio (Enem) mobiliza não apenas os estudantes, mas uma rede de solidariedade e compromisso educacional no interior de São Paulo. Em Araçatuba, mais de 100 alunos da rede pública e bolsistas encontraram no cursinho comunitário mantido por professores voluntários a base necessária para enfrentar a maratona de provas. A iniciativa funciona nos fins de semana e se consolidou como uma ferramenta crucial de inclusão social, oferecendo suporte pedagógico gratuito para jovens que buscam uma vaga nas universidades públicas.

O impacto desse tipo de projeto transcende o reforço escolar tradicional. Para muitos estudantes da periferia e de escolas públicas, a disputa por vagas no ensino superior esbarra na desigualdade de condições de estudo em comparação aos alunos matriculados em redes particulares de alto custo. A atuação dos educadores voluntários preenche essa lacuna, democratizando o acesso ao conhecimento e oferecendo direcionamento estratégico para o exame que funciona como a principal porta de entrada para o ensino superior no país.

Rotina intensa e superação na reta final

Para quem cumpre a jornada regular na rede estadual de segunda a sexta-feira, o período que antecede o exame exige dedicação redobrada. Conciliar as obrigações escolares com revisões, simulados e a produção de textos demanda um planejamento rigoroso. É o caso de João Mateus Pimentel, estudante da região, que estruturou um cronograma próprio para otimizar o tempo livre e dar conta do vasto conteúdo cobrado pela banca organizadora.

“Eu tenho deixado principalmente para estudar nos meus finais de semana, que são livres. Venho, faço o curso, simulados em casa e retomo conteúdos. E, durante a semana, além de estudar na escola, muitas vezes acabo fazendo algumas redações à noite para trabalhar toda a estrutura e tê-la bem certinha na cabeça para desempenhar bem na prova”, relata o estudante sobre a rotina exaustiva, mas focada nos objetivos acadêmicos.

Estratégia de prova e gestão do tempo

A dinâmica do primeiro dia de exame impõe um verdadeiro teste de resistência aos candidatos. Com cinco horas e meia de duração, a prova exige o domínio de 45 questões de linguagens, 45 de ciências humanas e a elaboração de uma redação dissertativa-argumentativa de até 30 linhas. Mais do que saber o conteúdo, o participante precisa lidar com a pressão psicológica e o cronômetro.

A administração dos minutos entre a leitura atenta dos textos de apoio, a elaboração do rascunho e a transcrição definitiva para o gabarito costuma ser o calcanhar de Aquiles de muitos concorrentes. A estudante Letícia Terreno de Souza destaca como o aprendizado prático no cursinho ajudou a corrigir erros anteriores de planejamento durante a resolução das questões.

“Aprendi muita coisa, principalmente a lidar com o tempo. Na primeira vez em que fiz a prova, não fui muito bem nessa questão e acabei me embolando. Neste ano, comecei a me preparar especificamente para isso e entendi que preciso dividir muito bem o tempo para realizar o exame com tranquilidade”, pontua a jovem.

Foco no repertório sociocultural e nas ciências humanas

No que diz respeito à produção textual, o momento deixou de ser o de reajustar estruturas técnicas para focar na ampliação do repertório sociocultural. Como a prova exige uma proposta de intervenção detalhada para um problema social brasileiro, os educadores orientam os alunos a conectarem dados atuais a grandes eixos temáticos debatidos pela sociedade contemporânea.

Mateus Lemes, coordenador da Rede Emancipa, enfatiza que a capacidade de associação é o grande diferencial na nota final. “No primeiro semestre, nós trabalhamos toda a estrutura da redação. Agora, nesta reta final, o foco é mesmo a busca por repertórios. Orientamos os estudantes a atentarem para questões como inteligência artificial e seus impactos na educação, automação, precarização do emprego, além de mudanças climáticas, acessibilidade e neurodivergência”, detalha o coordenador.

Paralelamente, na frente de ciências humanas, o domínio de padrões recorrentes facilita o desempenho dos candidatos. O professor de geografia Victor Carnevali ressalta que a priorização de tópicos tradicionais combinada à leitura crítica do espaço geográfico garante solidez às respostas.

“Frente ao Enem, o que tradicionalmente mais cai são tópicos de geografia urbana, agrária, da população e as questões que envolvem as mudanças climáticas. Embora exista a divisão acadêmica, procuramos sempre atrelar a geografia física à humana, mostrando como esses temas se conectam diretamente no cotidiano da sociedade”, explica o professor.

Logística e orientações para o dia do exame

Com os portões abrindo ao meio-dia e fechando pontualmente às 13h (horário de Brasília), a atenção aos detalhes logísticos é fundamental para evitar desclassificações. Os candidatos devem portar documento oficial de identificação com foto — sendo aceitos RG, CNH, passaporte, carteira de trabalho ou versões digitais oficiais com biometria — e utilizar exclusivamente caneta esferográfica de tinta preta fabricada em material transparente. Levar lanches leves e água é altamente recomendado para manter a concentração durante as horas de prova.

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Fonte: https://g1.globo.com

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