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Balança comercial de Rio Preto tem déficit de 68% em julho

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Cidade exportou US$ 3,7 milhões e importou US$ 12,6 milhões; vendas ao exterior recuaram 47,2% na comparação com julho do ano passado

Rio Preto fechou julho com déficit de US$ 8,9 milhões na balança comercial, resultado 68,1% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado. O aumento foi puxado principalmente pela queda das exportações.

As empresas do município exportaram US$ 3,75 milhões em julho, contra US$ 7,10 milhões no mesmo período de 2025, retração de 47,2%. As importações, por outro lado, permaneceram praticamente estáveis: passaram de US$ 12,40 milhões para US$ 12,67 milhões, alta de 2,2%.

Com isso, a diferença entre o que Rio Preto comprou e vendeu no exterior passou de US$ 5,30 milhões para US$ 8,92 milhões em um ano. Para o despachante aduaneiro Márcio Marcassa Jr., da Rio Port, de Rio Preto, o resultado mensal precisa ser analisado levando em consideração o perfil das operações realizadas pelas empresas do município.

Em cidades com volume menor de comércio exterior, negócios pontuais de maior valor podem provocar variações expressivas de um mês ou de um ano para outro.

“Quando olhamos a balança comercial de um município, algumas operações específicas podem ter um peso muito grande no resultado daquele mês. Por isso, uma queda expressiva não significa necessariamente uma perda permanente de mercado. É preciso observar quais produtos deixaram de ser embarcados, quais destinos tiveram redução e acompanhar o comportamento ao longo dos próximos meses”, afirma Marcassa Jr.

É justamente o que aparece nos números de julho. A redução das exportações não ficou concentrada em um único mercado. Parte da diferença está em operações relevantes realizadas no mesmo período do ano passado que não se repetiram agora.

Mianmar, por exemplo, comprou US$ 1,54 milhão em produtos de Rio Preto em julho de 2025 e não aparece entre os destinos das exportações neste ano. As vendas para o Chile caíram de US$ 1,13 milhão para US$ 443,6 mil, enquanto as destinadas aos Estados Unidos passaram de US$ 1,85 milhão para US$ 1,09 milhão.

Mesmo com a redução, os Estados Unidos continuaram como principal destino dos produtos rio-pretenses em julho. Na sequência aparecem Chile, com US$ 443,6 mil; Bolívia, com US$ 393,3 mil; Países Baixos, com US$ 267,2 mil; Paraguai, com US$ 241,7 mil; e Argentina, com US$ 240,6 mil.

Nem todos os mercados registraram queda. As vendas para países europeus somaram cerca de US$ 816 mil, ante US$ 630 mil em julho de 2025, crescimento de 29,5%.

Marcassa Jr. avalia que a presença de diferentes destinos é importante justamente para reduzir a dependência de mercados específicos.

“A diversificação é importante para qualquer empresa que atua no comércio exterior. Quando há redução de demanda em determinado país, outros mercados podem compensar parte desse movimento. Essa busca por novos destinos precisa ser permanente”, diz.

O que Rio Preto vende

A mudança também aparece na pauta de produtos embarcados. Em julho do ano passado, as exportações de miudezas comestíveis de animais chegaram a US$ 1,79 milhão. Neste ano, não houve operação registrada nessa categoria.

Também caíram as vendas de preparações capilares, de US$ 623,6 mil para US$ 15,4 mil, e de reboques e semirreboques, de US$ 823,3 mil para US$ 370,9 mil.

Entre os principais grupos exportados em julho deste ano estão produtos de origem animal, com US$ 813,5 mil; preparações alimentícias, US$ 529,4 mil; carrocerias para veículos, US$ 500,9 mil; artigos e aparelhos ortopédicos, US$ 396,8 mil; e reboques e semirreboques, US$ 370,9 mil.

Peixe chileno domina importações

Nas importações, o Chile foi disparado o principal fornecedor de Rio Preto, com US$ 7,42 milhões. A China aparece em segundo lugar, com US$ 2,90 milhões, seguida por Estados Unidos, Alemanha e Vietnã.

O volume vindo do Chile é explicado principalmente pelos peixes frescos ou refrigerados. Foram US$ 7,42 milhões em importações desses produtos no mês, o equivalente a aproximadamente 59% de tudo o que Rio Preto comprou do exterior em julho.

A China, segundo maior fornecedor do município, respondeu por quase US$ 2,9 milhões das importações. Para Marcassa Jr., o déficit mensal também não deve ser interpretado isoladamente como um indicador negativo da economia local. Parte das importações é formada por mercadorias e insumos utilizados posteriormente por empresas no comércio ou na produção.

“Importar mais do que exportar não significa, sozinho, que a economia está pior. É preciso entender o que está sendo importado, para qual finalidade e acompanhar uma série maior de dados. A balança comercial mostra uma parte importante da atividade econômica, mas precisa ser analisada dentro desse contexto”, afirma.

Por: Henrique Fernandes

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