O debate sobre os rumos da economia nacional ganhou um novo ingrediente analítico após alertas de especialistas sobre os riscos de o país reproduzir desvios estruturais observados em nações vizinhas. O crescimento dos gastos públicos e a preservação da independência das instituições de controle aparecem como os principais pontos de atenção para evitar uma trajetória de instabilidade a médio e longo prazo.
A avaliação é do economista Ademar Mesquita Junior, CEO da Braves Partners. Em análise recente, ele apontou semelhanças preocupantes entre o cenário brasileiro e o kirchnerismo argentino, destacando a utilização política de benefícios sociais, a relação delicada com o poder judiciário e os desafios persistentes para equilibrar o orçamento federal.
O perigo do uso político dos ciclos de alta das commodities
Para o especialista, o declínio econômico argentino não decorreu de um único equívoco isolado, mas de um padrão recorrente. Segundo sua leitura, governos populistas costumam aproveitar períodos de alta internacional nas matérias-primas para inchar a máquina estatal e assegurar apoio político, negligenciando investimentos estruturais vitais para quando o ciclo favorável se encerra.
Mesquita Junior argumenta que o Brasil deixou escapar oportunidades históricas de converter receitas extraordinárias de exportação em ganhos duradouros de produtividade, infraestrutura e educação. A expansão contínua de despesas sem a devida sustentação fiscal gera pressões sobre a dívida pública, encarecendo eventuais ajustes futuros.
O papel central das instituições e o freio institucional
Mais do que a orientação ideológica dos governos no poder, o ponto nevrálgico da discussão reside na força dos mecanismos de fiscalização. A proximidade entre autoridades governamentais e órgãos de controle pode abalar a confiança pública na aplicação imparcial das leis e das regras fiscais.
Apesar dos riscos apontados, o próprio economista reconhece que o arcabouço institucional brasileiro conta com defesas importantes que o distanciam de crises mais profundas. A autonomia do Banco Central, o volume robusto de reservas internacionais e a presença de uma oposição atuante no Congresso Nacional funcionam como barreiras contra desmandos administrativos.
O custo social de corrigir desequilíbrios
Olhando para a América do Sul, a experiência recente da Argentina sob a gestão de Javier Milei ilustra o tamanho do desafio exigido para sanar duas décadas de descontrole fiscal. Medidas de contenção drásticas costumam gerar impactos sociais imediatos e severos, recaindo o peso da reestruturação principalmente sobre as camadas mais vulneráveis da população.
O paralelo com casos extremos, como o colapso venezuelano, serve como advertência sobre a importância vital da separação de poderes. Para analistas econômicos, o fator determinante entre passar por reformas dolorosas ou mergulhar em uma crise sistêmica reside na solidez e na coragem das instituições democráticas em impor limites ao poder executivo.
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Fonte: https://jovempan.com.br







