O feriado da Consciência Negra não é apenas uma data no calendário: é um chamado à memória e à ação. Em São José do Rio Preto, esse espírito se materializa no Troféu Aristides, homenagem que carrega o nome de Aristides dos Santos, figura histórica que transformou sua vida simples em símbolo de resistência e igualdade. Aristides, engraxate e servidor público, deixou um legado cultural e literário que ainda inspira a cidade e o país.
Neste ano, o prêmio destaca dois nomes ligados à capoeira: Milton Emidio, instrutor da Abadá Capoeira, e Mestre Eddy Angoleiro, fundador da Escola ARCCA. Ambos reforçam, em suas trajetórias, que a capoeira é mais do que arte marcial ou dança — é resistência cultural, elo social e ferramenta de inclusão. Milton vê na prática uma forma de unir classes e romper barreiras, enquanto Eddy ressalta o empoderamento e a visibilidade que a capoeira proporciona à comunidade afro-brasileira.
Mais do que reconhecer indivíduos, o Troféu Aristides reafirma que a luta contra o racismo não pode ser esquecida ou relegada a discursos ocasionais. É preciso valorizar quem, como Aristides, dedicou quase um século à democracia e à igualdade, e também quem hoje mantém viva essa chama por meio da cultura e da educação. Em tempos de retrocessos e discursos que tentam minimizar a importância da diversidade, iniciativas como essa são fundamentais: lembram que a resistência não é passado, mas presente e futuro.

“Foi uma surpresa, nunca imaginei isso. Estou com um sentimento de ter contribuído e partilhar dos ideais do Sr. Aristides. Apesar de não tê-lo conhecido em vida, o vi algumas vezes e tenho uma amiga que sempre falou muito dele, sem dúvidas um exemplo de vida”, comenta. Para Milton, a capoeira une pessoas e classes sociais distintas, sendo um elo que desmantela segregação, promovendo igualdade. “Eu dou aulas de capoeira desde 1990, sempre impactando na vida de jovens, crianças e adultos. E penso que vários defensores da liberdade e igualdade, sofreram de formas terríveis. Devemos dar continuidade e valorizar cada conquista, tendo como filosofia o acolhimento e direcionamento para a vida”, avalia Milton.
“Este caminho nos proporciona muito aprendizado. A capoeira vem de matrizes africanas, sempre elevando a importância dessa resistência cultural que inclui, acolhe e nos mostra que somos capazes e podemos ocupar todos os espaços. O impacto é muito positivo, para que tenhamos visibilidade como formadores de opinião, por meio do empoderamento cultural e, assim, seguimos com resiliência e resistência”, afirmou Eddy.

Por Dani Manzani