“Tomávamos banho só à noite, quando tinha água, mas agora acabou a agonia”. A frase da autônoma Alzira Paulo Almeida ecoa o alívio de milhares de moradores da Baixada Santista que, por décadas, conviveram com a rotina extenuante da falta de água. A recente inauguração de dois novos reservatórios de água tratada no Centro de Reservação de Mambu-Branco, em Itanhaém, marca o fim de um problema histórico, prometendo mais dignidade e qualidade de vida para uma vasta parcela da população do Litoral Sul de São Paulo.
A escassez hídrica era uma constante, especialmente nos períodos de alta temporada, quando a demanda por água disparava com a chegada de turistas. Para muitos, a busca por fontes alternativas e o armazenamento em tambores eram a única maneira de garantir o mínimo para tarefas diárias como cozinhar, lavar e, sobretudo, tomar banho. “A gente sofria bastante, tinha que tomar banho depois das 22h, meia-noite, que era quando a água tinha força para encher as caixas d’água. Era péssimo”, relembra Alzira, cujas palavras traduzem a realidade de um cotidiano marcado pela incerteza e pelo planejamento exaustivo para algo tão básico.
Um investimento histórico para a região
O projeto de ampliação no Centro de Reservação de Mambu-Branco representa um investimento significativo de R$ 84,6 milhões. Os dois novos reservatórios entregues somam uma capacidade de armazenamento de 20 milhões de litros de água tratada. Esta é apenas a primeira etapa de uma obra que, ao ser totalmente concluída, alcançará a capacidade impressionante de 40 milhões de litros, beneficiando diretamente cerca de 1,2 milhão de pessoas em cinco importantes cidades do Litoral Sul: além de Itanhaém, o sistema impacta positivamente Praia Grande, São Vicente, Peruíbe e Mongaguá.
A mudança já é palpável. “Agora tem água até demais, dá para tomar banho, lavar roupa a qualquer hora do dia, acabou a agonia”, afirma Alzira, demonstrando o impacto imediato da melhoria. A transformação na vida dos moradores não se restringe a Itanhaém. Maria do Carmo Santos, residente de Mongaguá, compartilha do mesmo otimismo. “Antigamente, a gente tinha que buscar água de carro no Poço das Antas, guardava em tambor. Agora está muito melhor, tem os novos reservatórios e bastante água”, relata, ilustrando a dimensão regional do problema e da solução.
Avanço da desestatização e ciclo de investimentos na Baixada Santista
A ampliação do reservatório de Mambu-Branco insere-se em um contexto maior de transformação do saneamento básico no estado de São Paulo, especialmente na Baixada Santista. A desestatização da Sabesp, concretizada em 2024 pelo Governo de São Paulo, impulsionou o maior ciclo de investimentos em saneamento que a região já presenciou. Entre julho de 2024 e o final de 2025, a Baixada Santista receberá R$ 2,4 bilhões em aplicações. A previsão é de que, nos próximos quatro anos, mais de R$ 8 bilhões sejam destinados para ampliar e modernizar os sistemas de abastecimento de água e esgoto em todo o litoral.
Este projeto em Itanhaém é um dos marcos desse novo ciclo. Com os reservatórios de Mambu-Branco, já são oito centros de reservação de água tratada entregues à população. Juntos, os Centros de Reservação (CR) Mogiano e Caruara, em Bertioga; Morrinhos, no Guarujá; Prados Baixos, em Peruíbe; Rio Branco, em São Vicente; Centro e Mambu-Branco, em Itanhaém, têm capacidade combinada de armazenar mais de 60 milhões de litros de água. Esses dados sublinham a magnitude do esforço para garantir a universalização do saneamento, um direito fundamental e um pilar para o desenvolvimento social e econômico.
Na Rota da Água: Monitoramento e Transparência
Para acompanhar o avanço dessas obras e garantir a entrega dos benefícios à população, o Governo de São Paulo lançou a iniciativa “Na Rota da Água”. Este programa monitora ativamente as mais de 1.100 frentes de obras em andamento nas cidades contempladas pelo contrato da Sabesp. A transparência e o acompanhamento contínuo são essenciais para assegurar que os investimentos se traduzam em melhorias efetivas na vida dos cidadãos, não apenas na Baixada Santista, mas em outras regiões do estado, como Itapecerica da Serra, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato, que também já foram beneficiadas por novas estações de tratamento e sistemas de expansão de esgotamento sanitário.
A garantia do acesso à água tratada e de qualidade é um passo crucial para a saúde pública, o turismo e o bem-estar social. A conclusão das obras do reservatório de Mambu-Branco é mais do que uma entrega de infraestrutura; é a concretização de uma promessa de dias melhores e mais dignos para milhões de pessoas que agora podem celebrar o fim da agonia e a chegada da água em suas torneiras a qualquer hora do dia. O saneamento básico, antes um luxo em algumas áreas, caminha para ser uma realidade plena, transformando profundamente o cotidiano e o futuro da região.
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