A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta terça-feira (27) o inquérito que apurou um dos crimes de maior repercussão no estado nos últimos anos: o quádruplo homicídio de homens que viajaram de São Paulo para cobrar uma dívida de valor expressivo em Icaraíma, no Noroeste paranaense. A investigação, que se estendeu por mais de um ano devido à complexidade do caso e à fuga dos suspeitos, resultou no indiciamento de um pai e de seus três filhos por crimes que vão desde homicídio qualificado até associação criminosa.
O caso teve início em agosto de 2025, quando as vítimas Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira saíram de São José do Rio Preto, no interior paulista, com destino ao Paraná. O objetivo da viagem era confrontar os devedores e reaver uma quantia de R$ 255 mil referente à venda de uma propriedade rural. No entanto, o que deveria ser uma cobrança financeira comum transformou-se em uma emboscada letal dentro de uma propriedade rural pertencente à família investigada.
A dinâmica da emboscada e a ocultação em um bunker
De acordo com os detalhes divulgados pela delegacia de Icaraíma, os quatro amigos foram atraídos para uma armadilha logo após chegarem ao município. Eles foram surpreendidos por disparos de arma de fogo de diversos calibres, sem qualquer chance de defesa. Após o assassinato, os criminosos executaram um plano meticuloso para apagar vestígios: os corpos das quatro vítimas, assim como o veículo utilizado pelo grupo, foram enterrados em um bunker clandestino na zona rural.
O desaparecimento mobilizou forças de segurança e gerou forte comoção nas regiões Noroeste do Paraná e interior paulista. Foram necessários mais de 30 dias de buscas intensas até que os restos mortais fossem localizados. A apuração policial apontou que Carlos Henrique Buscariollo seria o principal mandante da cobrança e da execução, enquanto os demais familiares dividiram tarefas logísticas para ocultar os cadáveres e fraudar a cena do crime, destruindo provas materiais fundamentais.
Fuga, captura internacional e desdobramentos judiciais
Com o cerco policial apertando ainda mais após a descoberta dos corpos, os suspeitos adotaram estratégias de fuga que desafiaram as autoridades por meses. Antônio Buscariollo e o filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo passaram mais de um ano foragidos e chegaram a ter os nomes incluídos na lista vermelha da Interpol, ferramenta que alerta polícias de todo o mundo sobre foragidos internacionais.
A captura da dupla ocorreu no início de agosto, em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, no interior de São Paulo, após um trabalho conjunto de inteligência. Durante a abordagem, pai e filho ainda tentaram escapar correndo para uma área de mata, mas foram cercados e presos. Outro filho, Carlos Eduardo, já estava preso em São Bernardo do Campo por outro crime, enquanto o terceiro irmão, Carlos Henrique, foi capturado em Santa Bárbara d’Oeste.
A defesa dos acusados, que permanecem sob prisão preventiva, argumentou ao longo do processo que houve demora excessiva na conclusão das investigações, classificando a situação como constrangimento ilegal. Com o encerramento do inquérito, o caso foi formalmente remetido ao Ministério Público do Paraná, órgão responsável por avaliar a denúncia formal e submeter os réus a julgamento pelo Tribunal do Júri.
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Fonte: https://g1.globo.com







