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Impunidade após mortes de jornalistas aumenta pela 1ª vez desde 2012, diz Unesco

A taxa global de impunidade nos assassinatos de jornalistas voltou a subir após mais de uma década de quedas consecutivas, segundo um alerta divulgado pela Unesco. O levantamento,…

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Impunidade após mortes de jornalistas aumenta pela 1ª vez desde 2012, diz Unesco
Pessoas enlutadas se reúnem ao redor do corpo do correspondente da Al Jazeera, Mohammed Qreiqeh,...

A taxa global de impunidade nos assassinatos de jornalistas voltou a subir após mais de uma década de quedas consecutivas, segundo um alerta divulgado pela Unesco. O levantamento, publicado por ocasião do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, aponta que o índice passou a atingir 86%, registrando um aumento de um ponto percentual em relação aos anos anteriores.

Na prática, o dado significa que seis em cada sete homicídios de profissionais da imprensa continuam sem respostas definitivas da Justiça, seja pela estagnação das investigações ou pela ausência de condenações. A reversão na tendência acende um alerta vermelho sobre a segurança da imprensa em nível global, em um momento marcado por polarizações políticas severas e escaladas de conflitos armados pelo mundo.

Um cenário agravado por zonas de guerra e novas tecnologias

O relatório quadrienal da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura contabilizou o assassinato de 189 jornalistas, profissionais da mídia e criadores de conteúdo atuantes na área durante o biênio de 2024 a 2025. O número inclui 14 mulheres e consolida o período como o mais letal para a imprensa na última década.

Segundo a entidade, dois terços dessas mortes — o equivalente a 67% — ocorreram em zonas de conflito armado, com destaque para os Territórios Palestinos, Ucrânia e Iêmen. Mariya Gabriel, vice-diretora-geral de Comunicação e Informação da Unesco, destacou que as investigações e os processos judiciais nesses territórios continuam alarmantemente insuficientes, o que escancara a vulnerabilidade de quem relata os horrores da guerra.

Além do aumento das baixas em territórios conflagrados, a natureza dos ataques também mudou. O documento aponta o uso crescente de veículos aéreos não tripulados, os chamados drones, que foram apontados como responsáveis por 26% dos homicídios registrados no período. O dado demonstra como a evolução tecnológica militar tem sido direcionada inclusive contra a cobertura jornalística.

O impacto nos territórios e o histórico da violência

O levantamento detalha que o Estado da Palestina registrou o maior número isolado de casos em 2025, com pelo menos 32 homicídios contabilizados. No total, desde 2006, quando a agência da ONU iniciou o monitoramento sistemático, 1.641 jornalistas perderam a vida no exercício de suas funções ao redor do planeta, o que representa uma média assustadora de uma morte a cada quatro dias.

Apesar de divergências pontuais em metodologias adotadas por outras organizações não governamentais — como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas e a Repórteres Sem Fronteiras —, o consenso é de que a proteção aos comunicadores está ruindo. A Unesco reforça que, embora não funcione como uma corte judicial, atua de forma contínua para exercer pressão internacional sobre os governos na busca por responsabilização e justiça.

Para acompanhar desdobramentos desta e de outras pautas essenciais sobre direitos humanos, geopolítica e liberdade de expressão, continue navegando pelo RP News. O nosso compromisso diário é levar até você uma cobertura aprofundada, plural e pautada pelo rigor jornalístico.

Fonte: https://jovempan.com.br

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