A morte de Fabrício Augusto das Neves aos 33 anos, que estava em um motel em Catanduva, no interior de São Paulo, acompanhado de um pastor e de uma mulher, é alvo de investigação pela Polícia Civil.
No dia 12 de outubro, Fabrício foi ao local com Ana Lígia Oliveira do Carmo, de 26 anos, e com o pastor Alex Sandro Soares Zeca, de 47 anos, que fugiu após usar o carro para derrubar o portão do estabelecimento. Em nota, o Motel Psiu informou que preza pelo sigilo dos clientes e dos atos dentro da empresa.
Confira o que se sabe e o que falta esclarecer sobre a morte:
Como o trio chegou ao motel? O que aconteceu no quarto? Como o corpo foi encontrado?Como o pastor fugiu do motel?Como foi feito o socorro à vítima?
Qual foi a causa da morte?Quem é o pastor?
Como o trio chegou ao motel?
O trio chegou ao motel por volta das 17h50 do dia 12 de outubro em um carro que pertence ao pastor.
Em depoimento à polícia, Ana Lígia informou que, antes de ir ao estabelecimento, ela se escondeu no porta-malas do veículo. A mulher disse também que conheceu Fabrício cerca de 15 dias antes da morte e, desde então, eles tiveram relações sexuais casuais.
No caso de Alex Sandro, a mulher relatou que o conheceu na casa de Fabrício, onde estava sendo feita uma confraternização de Dia das Crianças. O pastor e o homem levaram Ana Lígia para casa, de carro, no final do evento e seguiram de lá para um bar, no bairro Bom Pastor. No fim da tarde, ela encontrou Fabrício e Alex no comércio.
Segundo o depoimento, ela entrou no veículo sem que eles percebessem, enquanto eles compravam vinho no bar. Durante o trajeto até o motel, a mulher conseguiu sair do porta-malas e se sentar no banco traseiro do carro, que era dirigido por Fabrício. Ao perceber a presença dela, Fabrício perguntou o que estava fazendo ali, mas Ana Lígia disse que desconversou. Os três seguiram, então, para o local.
O que aconteceu no quarto?.
No depoimento, a mulher contou que o trio consumiu bebida alcoólica no motel e relatou o uso de maconha e cocaína, que teria sido oferecida pelo pastor. Pouco depois, Fabrício disse que estava passando mal e entrou no banheiro da suíte. Enquanto isso, a mulher afirmou ter mantido relação sexual com Alex.
Chegou a convidar o homem para se juntar a ela e o pastor na cama, mas ele recusou. Segundo o documento, em seguida, Fabrício voltou para o banheiro e pediu para ficar sozinho, alegando que não estava se sentindo bem.
A mulher contou que recolheu seus pertences e foi aguardar no carro, pois pretendia deixar o local.
Como o corpo foi encontrado
Ao ouvir barulhos vindos da suíte, Ana Lígia retornou ao local. Ao entrar no quarto, ela afirma ter encontrado Alex sobre Fabrício, tentando reanimá-lo e colocando água em sua boca. A vítima apresentava sinais de convulsão e expelia água e espuma pela boca.
Ao ver que Fabrício estava inconsciente, Alex Sandro afirmou que precisava deixar o local. Ele tentou quitar a conta do motel, mas foi impedido pelos funcionários, pois o quarto ainda estava ocupado. Em seguida, o pastor arrombou o portão de saída com o carro e fugiu.
Até a última atualização desta reportagem, a causa do óbito não havia sido esclarecida. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Catanduva, com registro inicialmente de morte suspeita, dano, fraude processual, outras fraudes e porte de drogas para consumo pessoal. As circunstâncias e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos dependem da investigação.
A reportagem questionou a Polícia Civil, por telefone e por mensagens via aplicativo, sobre o andamento da investigação e se Alex prestou depoimento sobre o ocorrido no motel, mas não obteve retorno.
Quem é o pastor?
Alex Sandro está à frente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Adonai, fundada em 2015 no município. Ele é casado e tem uma filha. Alex também preside a Comunidade Terapêutica de Paraíso Adonai, entidade voltada a trabalhos sociais e ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em novembro de 2025, Alex já havia sido preso em flagrante no bairro Jardim Bela Vista, em Catanduva, depois que sua filha, à época com 11 anos, ligou para o número 190 e denunciou que o pai estava armado e agredia a mãe. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram a esposa do suspeito com ferimentos e sangramento na boca.
À época, a vítima relatou à polícia que o marido fazia uso contínuo de drogas há quatro dias. No guarda-roupa da casa da família, a PM apreendeu um revólver calibre 22 carregado e sem documentação.
Fonte: G1 Rio Preto







