A Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), celebra em novembro o primeiro ano de consolidação do Parque Estadual do Morro Grande como Unidade de Conservação (UC) de proteção integral. Estendendo-se por impressionantes 10.870 hectares entre os municípios de Cotia e Ibiúna, a área é reconhecida internacionalmente como a maior floresta inserida em área urbana do mundo, funcionando como um verdadeiro pulmão verde na Região Metropolitana de São Paulo.
Para marcar a data, a administração estadual preparou uma intensa agenda de atividades comemorativas, esportivas e de integração comunitária ao longo de todo o mês. A programação é realizada em conjunto com as secretarias municipais de Turismo e de Verde e Meio Ambiente de Cotia, buscando aproximar os moradores da rica biodiversidade preservada nos arredores de seus bairros.
Programação festiva e marcos institucionais
As festividades começam com eventos voltados ao esporte e ao contato direto com a natureza, como o tradicional Trail Run Morro Grande, uma corrida de 22 quilômetros por estradas de terra cercadas por vegetação nativa de Mata Atlântica. A agenda inclui ainda trilhas monitoradas e oficinas especializadas de observação de aves, atraindo tanto atletas quanto entusiastas do ecoturismo.
O encerramento oficial ocorre no final do mês com uma pedalada comemorativa e um ato solene que reunirá autoridades locais e representantes ambientais. Na ocasião, serão oficializados passos fundamentais para a gestão participativa da UC, incluindo a posse do primeiro Conselho Consultivo, a instalação da placa oficial de identificação e a assinatura de um termo de cooperação técnica com a Prefeitura de Cotia.
Outro avanço expressivo será o lançamento do trecho que integra formalmente o parque à Rede Trilhas, iniciativa do Governo de São Paulo que conecta rotas de ecoturismo e áreas protegidas em todo o estado, impulsionando o turismo sustentável e a valorização do patrimônio ecológico regional.
Histórico de resistência e relevância global
A transformação da antiga Reserva Florestal — criada originalmente pela Lei nº 1.949 de 1979 — em Parque Estadual corrigiu uma lacuna legal perante o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Essa conquista jurídica coroa décadas de lutas iniciadas no final dos anos 1970, quando um forte movimento da sociedade civil e de renomados ambientalistas, como Aziz Ab’Saber, Paulo Nogueira-Neto, Burle Marx e José Lutzemberger, mobilizou a opinião pública para barrar a construção de um aeroporto metropolitano no local.
Hoje, além de garantir a segurança hídrica para milhões de paulistas, o território abriga um patrimônio biológico inestimável. São mais de 260 espécies de árvores catalogadas, cerca de 200 espécies de aves — sendo 13 delas ameaçadas de extinção —, além de populações expressivas de mamíferos e uma das maiores riquezas conhecidas de aranhas orbitelas na Mata Atlântica, transformando o espaço em um laboratório a céu aberto para pesquisadores e cientistas.
Avanços estruturais e aproximação com a comunidade
O primeiro ano sob o novo modelo de gestão foi marcado por melhorias operacionais significativas. Desde junho, a unidade conta com uma brigada especializada e equipada com veículos 4×4 dedicada exclusivamente à prevenção e ao combate a incêndios florestais, garantindo a integridade da cobertura vegetal mesmo nos períodos mais secos do ano.
Paralelamente, a aproximação com os moradores de bairros vizinhos, como Caputera, Morro Grande e Caucaia do Alto, fortaleceu o sentimento de pertencimento comunitário. Atividades de visitação pública e educação ambiental reuniram centenas de participantes ao longo dos últimos meses, provando que a conservação ambiental caminha lado a lado com o desenvolvimento social e a conscientização cidadã.
Continue acompanhando o RP News para se manter informado sobre as principais notícias da sua região, pautas ambientais de relevância nacional e análises aprofundadas. Nosso compromisso é levar até você jornalismo de qualidade, checado e contextualizado todos os dias.







